Política Externa como Ação Afirmativa: o Governo Lula na África
Anexo III – Discurso de posse do senador Abdias Nascimento no Senado Federal
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
110).
↩
402. Silva, 2004, p.11.
↩
403. Semog e Nascimento, 2006, p. 167.
↩
404. Idem, p.170.
↩
405. Ibidem.
↩
406. O Conde Gobineau foi representante diplomático da França no
Brasil. Segundo Buonicore (2005a), "chegou mesmo a afirmar
que o único membro da raça superior que encontrou no Brasil
foi Dom Pedro II, que se tornou seu amigo".
↩
407. Buonicore, 2005a.
↩
408. Idem.
↩
409. Ibidem.
↩
410. A propósito da miscigenação, ver MUNANGA, K. Rediscutindo
a mestiçagem no Brasil. 1999. Esta foi a tese de livre-docência
do autor, junto ao Departamento de Antropologia da Faculdade
de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de
São Paulo.
↩
411. Apud Buonicore, 2005a.
↩
412. Buonicore, 2005a.
↩
413. Apud Buonicore, 2005a.
↩
414. Azevedo, 1987, p. 21.
↩
415. Cunha Jr. (2005, p. 3) diz que, no imaginário das esquerdas
brasileiras, persiste o medo associado a uma ameaça histórica
que os negros ofereceriam à ordem social, evidente, neste
caso, no constante questionamento sobre o ressentimento que
os negros ainda nutririam. "Sempre com medo que este
ressentimento vire uma luta de ódio racial".
↩
416. Azevedo, 1987, p. 21.
↩
417. O Brasil foi o país que importou o maior número de africanos
escravizados entre os séculos XVI e XIX. Este número é
estimado em 3,5 a 3,6 milhões, representando 38% de todos os
escravos trazidos da África para as Américas. O Brasil foi
também o último país do mundo a abolir o trabalho escravo.
Segundo Edna Roland, a abolição foi finalizada em 1888 após
uma longa discussão das elites brancas sobre a inadequação
dos negros para se tornarem trabalhadores livres (ROLAND,
2001).
↩
418. Azevedo (1987, p. 62, nota de rodapé) esclarece que "a
inferioridade racial em termos biológicos começou a ser
atribuída aos africanos principalmente a partir de meados do
século XIX, com o início dos experimentos científicos com
cérebros humanos e símios e a publicação de tratados sobre as
diferenças das raças humanas, bem como de suas distintas
aptidões naturais".
↩
419. Azevedo, 1987, p.61
↩
420. Azevedo Amaral, apud Buonicore, 2005a.
↩
421. D'Adesky (2006, p. 41) recorda que "os preconceitos negativos
em relação aos negros começam a aparecer na Europa,
quando se iniciam as primeiras explorações sistemáticas da
África, que os colocam em contato com populações
desconhecidas, possuidoras de costumes e tradições
totalmente diferentes da realidade cultural europeia.
Consideradas estranhas, diferentes e inferiores aos olhos dos
europeus, essas populações africanas serão objeto de uma
desumanização intolerável. Dois tipos de argumentos serão
utilizados para autorizar e justificar a condição de perda da
humanidade. O primeiro argumento, de natureza bíblica,
invocava que os negros seriam marcados por uma
transgressão, por serem portadores da maldição rogada por
Noé a seu filho Caim, considerado pelo alemão Horn como o
ancestral dos negros. Este primeiro argumento, ainda que
substancial na época, era insuficiente para legitimar de vez a
escravidão. Filhos de Deus, os negros, assim como os índios,
podiam ser convertidos ao cristianismo e ser, portanto, tratados
com humanidade. O segundo argumento será, então, essencial
para animalizar os negros. Não tem nenhuma conotação
religiosa. Com base num raciocínio protorracista, o negro será
desqualificado ao se lhe atribuir uma inferioridade moral e, ao
mesmo tempo, uma resistência física melhor. Essa proposição
reflete uma visão bestial dos negros".
↩
422. Azevedo, 1987, p.61-2.
↩
423. Cunha Jr., 2005, p.4.
↩
424. D'Adesky (2006, p. 36-38) vale-se dos estudos de Pierre-André
Taguieff (1995) para indicar a existência de "racismo no plural
(...) com, no mínimo, dois sentidos distintos: Primeiro, o racismo
como denegação de humanidade (...) a negação de uma
humanidade comum. (...) O segundo sentido de racismo não
nega o pertencimento do outro à mesma espécie humana. (...)
fundamenta-se sobre uma negação da identidade e uma
asserção de desigualdade, que determinam uma hierarquização
das raças em uma escala evolucionista da humanidade. (...)
Legitima a dominação colonial, dando crédito à teoria do direito
natural do mais forte, do mais evoluído, de dominar os mais
fracos, os mais atrasados. (...) Na sua vertente principal, este
racismo aspira impor uma uniformização da humanidade pela
diluição das diferenças mediante a assimilação cultural, a
educação escolar e a mestiçagem física. Em razão de seu
caráter assimilacionista, este racismo conduz ao menosprezo
cultural, mas também às violências físicas, morais e
psicológicas. Tende a negar a alteridade, a não reconhecer o
valor das heranças históricas e culturais das populações
consideradas inferiores. Essa propensão a inferiorizar o outro
não se traduz necessariamente em violências físicas de grande
magnitude como o genocídio, mas em violências simbólicas,
como o etnocídio, caracterizado pela recusa radical da
diversidade cultural em benefício da homogeneidade. Este
racismo tende, portanto, a impor uma imagem depreciativa
daqueles que pertencem às minorias e grupos racialmente
subordinados, condenando as suas vítimas a sofrer a tortura de
uma baixa autoestima. É uma forma de opressão perversa que
pode levar suas vítimas a se considerarem inferiores
intelectualmente e menosprezáveis em sua aparência física, já
que o corpo e a mente são simultaneamente humilhados".
↩
425. Peter L. Eisenberg, no Prefácio de Azevedo, 1987, p. 14.
↩
426. Azevedo, 1987, p. 20.
↩
427. A propósito, Lesser (2000, p. 25-26) afirma que “Os imigrantes
desafiavam os conceitos simplistas de raça, acrescentando à
mistura um elemento novo: a etnicidade. Todos os 4,55 milhões
de imigrantes que entraram no Brasil entre 1872 e 1949
trouxeram consigo uma cultura pré-migratória e criaram novas
identidades étnicas. Entretanto, foram os 400 mil asiáticos,
árabes e judeus, considerados não brancos e não pretos, que
mais puseram em xeque as ideias da elite sobre a identidade
nacional".
↩
428. Azevedo, 1987.
↩
429. Aqui entendidos, segundo o autor, como descendentes de
colonizadores ou estrangeiros nascidos nas Américas.
↩
430. Guimarães, 1999, p. 45. [Grifo do original].
↩
431. Idem. [Grifo do original].
↩
432. Ibidem, p.49.
↩
433. TAGUIEFF, Pierre-André. La force du Prejugé. Essai sur le
Racisme et ses Doubles. Paris: Ed. La Découverte, 1988, p. 29
(apud GUIMARÃES, 1999, p. 49).
↩
434. Guimarães (2004, p. 2) define embranquecimento como “o
processo pelo qual indivíduos negros, principalmente
intelectuais, eram sistematicamente assimilados e absorvidos
às elites nacionais brasileiras“.
↩
435. Joel Rufino dos Santos (1998, p.220) afirma que “a democracia
racial é, basicamente, o pacto nacional, supraideológico, de não
considerar a interação racial como significativa. O Movimento
Negro como tal é a ruptura desse pacto“.
↩
436. Sobre o tema da três raças constitutivas do Brasil, ver também
MATTA, Roberto da. Digressão: a fábula das três raças, ou o
problema do racismo à brasileira. In: Relativizando, uma
introdução à antropologia social. Petrópolis: Editora Vozes,
1981. [Grifo do original].
↩
437. Guimarães, 1999, p. 49-53.
↩
438. Alberti, 2005.
↩
439. Idem.
↩
440. Guimarães, 1999, p. 53.
↩
441. Munanga (1999, p. 15) comenta que “no lugar de uma
sociedade totalmente branca, ideologicamente projetada,
nasceu uma nova sociedade plural constituída de mestiços,
negros, índios, brancos e asiáticos cujas combinações em
proporções desiguais dão ao Brasil seu colorido atual. Apesar
de ter fracassado o processo de branqueamento físico da
sociedade, seu ideal inculcado através de mecanismos
psicológicos ficou intacto no inconsciente coletivo brasileiro,
rodando sempre na cabeça dos negros e mestiços“.
↩
442. Guimarães (1999, p. 87) sublinha que, para a intelectualidade
nordestina, defensora da ideia de um Brasil mestiço, o “negro
[era visto] como categoria apenas no plano da cultura, enquanto
objeto de estudo“.
↩
443. Guimarães, 1999, p. 82.
↩
444. Ambos antropólogos estrangeiros que trabalharam no Brasil e
deixaram trabalhos de referência para o público internacional e
nacional sobre a composição étnica da população brasileira.
↩
445. Ao antepor a experiência luso-brasileira à militância integralista
que crescia, nos anos 30, no Brasil, Freyre cunhou, em 1943, a
expressão democracia étnica, com base no argumento de que
“a cultura luso-brasileira é não apenas mestiça, como recusa a
pureza étnica ...[sendo democrática] porque promove a
integração e a mobilidade social de pessoas de diferentes raças
e culturas“ (GUIMARÃES, 2003, p. 7).
↩
446. Guimarães, 2003, p. 4.
↩
447. D’Adesky (2006, p. 68) entende que “os negros abraçaram a
ideia de democracia racial (...) [porque] Para além do contexto
histórico e da conjuntura política do período imediatamente
posterior à Segunda Guerra Mundial (...) colocava em primeiro
plano um futuro ideal de igualdade para todos e, ao mesmo
tempo, punha em evidência o caráter positivo da mestiçagem
da população brasileira. Não significava, com efeito, a ausência
concreta de discriminação racial, mas apontava para eles uma
direção, o sonho de um tipo ideal de sociedade em que a
mistura racial e étnica seria de tal ordem que as diferenças de
tom da pele, textura dos cabelos, formato de rosto, entre outros,
não teriam importância alguma“.
↩
448. Alberti (2005) afirma que “a despeito de a miscigenação racial
ser uma das características mais valorizadas de nossa
identidade nacional, não podemos negar que existe racismo no
Brasil“.
↩
449. Nascimento (apud GUIMARÃES, 2003, p. 12).
↩
450. Guimarães, 2003, p. 19.
↩
451. Guimarães (2004, p. 2) entende que, a despeito de terem sido
os intelectuais ditos brancos, como Joaquim Nabuco, Arthur
Ramos e Gilberto Freyre, os elaboradores das ideias que
compõem a noção de democracia racial, “foram os intelectuais
negros que, aceitando-as, rearticularam-nas a seu modo,
tornando-se responsáveis pela enorme abrangência e
capilaridade da doutrina“. Mas, prossegue (p. 9), esses
intelectuais “modificaram, nos anos 40, o sentido freyreano da
democracia racial – o de uma matriz cultural híbrida em que a
mestiçagem, tanto biológica, como cultural, diluía quase que
naturalmente as diferenças sociais, políticas e culturais
atreladas às raças humanas – para transformá-lo no ideal de
igualdade política e cultural entre pessoas de cores e origens
diversas, numa sociedade ainda dominada por valores estéticos
inculcados pelo colonialismo português“.
↩
452. Entre os “neofreyreanos“ (D’Adesky, 2006, p. 73), estariam
Fábio Wanderley Reis, Peter Fry e Jessé Souza. Segundo
d’Adesky (p. 74), “os três propõem, cada um à sua maneira,
que o mito da democracia racial não pode ser posto em xeque.
(...) partem da crença de que o mito fundador de um Brasil
mestiço deva ser preservado a todo custo“. Estariam ainda
Yvonne Maggie e Ali Kamel, apresentados por D’Adesky (p. 77)
como “adversários proeminentes da ação afirmativa. (...)
costumam apoiar seus argumentos na ideologia da
mestiçagem, vista como matriz básica de conformação da
população brasileira“.
↩
453. Guimarães, 2004, p.7.
↩
454. D’Adesky (2006, p.69) indica que “a força sedutora da
expressão provém do fato de ela ser erigida num mito ao qual
toda realidade existente deveria ajustar-se“.
↩
455. Hasenbalg (1998, p. 243) aponta o fato de haver
constrangimento e embaraço, além de falta de costume das
pessoas “para falar com naturalidade sobre questões relativas
às relações raciais. Isso ocorre, segundo o autor, em
consequência da “forma como as pessoas comuns, alheias aos
mundos da academia e da militância negra, apropriam-se das
ideias raciais dominantes“, neste caso o mito da democracia
racial.
↩
456. MNU, 1988 (apud Guimarães, 2004, p.9).
↩
457. Osmundo de Araújo Pinho (2002) entende que o “mito do
excepcionalismo racial brasileiro (...) implica o reconhecimento
de uma variante específica para a escravidão brasileira, mais
branda em relação a outros países, [ao qual] se conjuga a ideia
de harmonia racial. (...) A principal consequência disso é que o
cidadão comum não consegue identificar, no Brasil, problemas
de raça, produzindo-se uma ausência de reconhecimento de
que problemas de violência, discriminação e desigualdade de
base racial existem de fato entre nós“. No mesmo sentido,
Guimarães (2003, p.19) acha prudente alertar que “o mito, no
sentido antropológico, transforma-se facilmente em falsa
ideologia, quando ganha a arena política, perdendo seus
referentes históricos e sociais, obscurecendo o jogo de
interesses e de poder que lhe dá sentido em cada época. (...)
morta a democracia racial, ela continua viva enquanto mito, seja
no sentido de falsa ideologia, seja no sentido de ideal que
orienta a ação concreta dos atores sociais, seja como chave
interpretativa da cultura, seja como fato histórico. Enquanto
mito, continuará viva ainda por muito tempo como
representação do que, no Brasil, são as relações entre negros e
brancos, ou melhor, entre as raças sociais – as cores – que
compõem a nação“. Já para Jocélio dos Santos (2005, p.19-20),
“pensar o mito da democracia racial na sociedade brasileira é
apontar os seus vários significantes que estão ancorados no
sistema de poder, os seus rearranjos e a sua
operacionalização. Por outro lado, há que observar os seus
significados mudando de lugar, possuindo variações e
revelando as leituras alternativas que correspondem a
determinados interesses específicos, pois a realidade está
sendo interpretada constantemente pelos interesses de poder.
Isso fica demonstrado seja na redução desse mito à falsa
ideologia, seja na exaltação ao encontro das três raças, nas
comemorações dos 500 anos de descobrimento, por exemplo.
O mito da democracia racial pode, então, ser usado com base
na justificação de que a igualdade ou desigualdade de direitos
independem da cor, na inexistência de discriminação racial no
país, nas relações de tratamento entre brancos e negros e
convivência em espaços diversos, na identificação de que as
elites brasileiras são mestiças, na mestiçagem como um causa
da democracia racial ou como o que indica a identidade
nacional, ou mesmo por uma outra variação: o nosso racismo é
diferente de outros racismo. Pensar o mito, portanto, significa
desconstruir e mostrar a sua eficácia como forma de entender a
ambiguidade e os paradoxos presentes na sociedade brasileira.
Se, por um lado, revela um apartheid social, com a exclusão
social da população negra e indígena, de outro, demonstra que
é inclusivo via a convivialidade racial, ou, se preferirem, a
cultura afro-brasileira ao longo da nossa formação social“.
↩
458. Guimarães, 2003, p. 2.
↩
459. Santos (2005, p. 20-21), ele próprio um sociólogo, considera
que “se até os anos 50 a democracia racial é pensada menos
como ideologia que como fazendo parte da nossa socialidade,
fosse em estudos acadêmicos, discursos oficiais e até por
intelectuais negros nacionais e norte-americanos, no período
seguinte, mais precisamente na década de 60 e, com mais
ênfase, nos anos 70, a referência toma outras cores e nomes: a
democracia racial será referida como mito e identificada como
mera ideologia. Nesse processo de negação do mito da
democracia racial, não ocorreu uma ruptura epistemológica ou
analítica, mas uma inserção política nas reflexões sobre
desigualdades raciais na sociedade brasileira ou o que eu
poderia chamar de projeção da dimensão política no universo
simbólico“.
↩
460. Guimarães, 2003, p. 4.
↩
461. Antonio Sérgio Guimarães oferece um breve histórico do
referido projeto em artigo intitulado O projeto Unesco na Bahia.
↩
462. Para Roland (2001), “a negação [do preconceito racial] tem sido
um elemento central para fazer o mito da democracia racial
funcionar“.
↩
463. Bastide; Fernandes, 1955, p. 123, apud Guimarães, 2003, p. 11.
↩
464. Guimarães, 2003, p. 13.
↩
465. D’Adesky (2006, p.71) sublinha que “a ideologia da democracia
racial corresponde de certa maneira a outro ideal debatido no
fim do século XIX e início do século XX, que apregoava a
necessidade da homogeneidade cultural, linguística e religiosa
como fator importante de coesão nacional“.
↩
466. Santos, 2005, p. 20-21.
↩
467. Idem, p. 41-42.
↩
468. Guimarães, 2003, p. 14.
↩
469. Fernandes, 1965 (apud GUIMARÃES, 2004, p. 9).
↩
470. Guimarães, 2004, p. 10.
↩
471. Abdias Nascimento In: Cadernos Brasileiros, n. 47, p. 23, 1968
(apud GUIMARÃES, 2003, p.14)
↩
472. Guimarães, 2003, p. 15.
↩
473. Schwarcz, 1999, p. 309.
↩
474. Guimarães, 2003, p. 16
↩
475. Hasenbalg cita a antropóloga norte-americana Robin E. Sheriff,
segundo a qual “o mito da democracia racial desempenha um
papel na contenção dos discursos sobre racismo“. Mas,
segunda a autora, não se trata apenas de mito, já que a ideia
racial dominante, ou a democracia racial, “é também um sonho
em que a maioria dos brasileiros de todas as cores e classes
sociais deseja acreditar com paixão“ (SHERIFF, 1993, p. 5,
apud HASENBALG, 1998, p. 243).
↩
476. Guimarães, 2003, p. 16. [Grifo do original].
↩
477. Folha de S. Paulo, 1995. Trata-se de ampla pesquisa preparada
por aquele jornal e depois publicada como livro. A Folha de S.
Paulo, Racismo Cordial. São Paulo: Ed. Folha de S. Paulo,
1995.
↩
478. Guimarães, 2003, p. 17.
↩
479. Idem, p. 18.
↩
480. Ibidem. [Grifo do original].
↩
481. Márcia Lima (1999, p. 237) sublinha a falta de tradição, nas
Ciências Sociais brasileiras, de estudos sobre comportamento
eleitoral e raça, o que impossibilita, segundo a autora, afirmar
se existe voto étnico no Brasil. Ela menciona trabalho de 1985,
de Nelson V. Silva e Gláucio Soares, sobre a vitória de Leonel
Brizola e do PDT, no Rio de Janeiro, em 1982, em que os dois
autores registram o fato de o PDT ter sido o primeiro partido a
incluir em seu programa compromissos com as minorias
étnicas, representadas, entre outras, pelas candidaturas de
Mario Juruna e Carlos Alberto de Oliveira, o Caó.
↩
482. Marconi F. de Sousa (2005), que estudou os discursos de
parlamentares na Câmara dos Deputados, nas décadas de
1960, 1970 e 1980, sobre o tema das relações raciais do Brasil,
aponta o Deputado, depois Senador, Abdias Nascimento como
o primeiro deputado a trabalhar prioritariamente em prol da
causa negra, durante seu mandato de 1983 a 1987, pelo PDT-
RJ. Segundo o autor, ele expunha e explorava a complexidade
do tema em seus discursos e projetos de lei. Entre as questões
levantadas com frequência pelo Deputado estava o não
rompimento de relações diplomáticas com a África do Sul. Ele
menciona também, entre todos os projetos de lei apresentados
pelo Deputado e depois arquivados sem chegar a ser votados,
o PL 1.332, de 1983, que, entre outras ações compensatórias
em benefício da população negra e medidas de promoção e
valorização do negro, propunha a inclusão do ensino da História
da África nos currículos escolares brasileiros.
↩
483. Santos (1992, p. 34-35) esclarece que, na II Assembleia
Nacional do MUCDR, em setembro de 1978, “foi deliberado
apoio ao voto racial e aos candidatos negros que assumissem o
programa mínimo do Movimento Negro [independente de
filiação partidária]. (...) criando o que se denominou de
suprapartidarismo ... [e] reforçando o voto racial dissociado da
relação sociorracial concreta. [Há um] distanciamento entre
partido político e movimento social, mantido pelo Movimento
Negro através de uma postura de não optar por um ou outro
partido político (...) não se levando em conta seu caráter liberal,
conservador ou socialista“.
↩
484. Idem.
↩
485. Ibidem, p. 35-36.
↩
486. Ib., p. 51.
↩
487. Ib., p. 53.
↩
488. Ib., p.53-54.
↩
489. Entre outros importantes dispositivos inscritos na Constituição
de 1988 como decorrência da luta pelos direitos civis dos
negros, o artigo 42 torna a prática do racismo crime inafiançável
e imprescritível. A Constituição ainda reconhece a figura jurídica
dos remanescentes de quilombos.
↩
490. Vogt, 2003.
↩
491. Yvonne Maggie, ao analisar os eventos do centenário da
Abolição, em 1988, comentou que “o negro no Brasil é assunto
do MinC e não do Ministério do Trabalho, da Saúde ou da
Justiça“ (MAGGIE, 1989, p. 27, apud HASENBALG, 1998,
p. 243).
↩
492. Sobre as diferentes modalidades de reparações e o argumento
jurídico que lhes dariam sustentação, ver Howard-Hassman,
2001.
↩
493. Karina Kuschnir e Leandro Piquet Carneiro (1999) lembram que
a expressão cultura política foi criada na década de 1960, por
G. Almond e Sidney Verba (1963), no livro The Civic Culture, “a
partir da combinação das perspectivas sociológica,
antropológica e psicológica no estudo dos fenômenos políticos.
O objetivo era incorporar nas análises da política da sociedade
de massas contemporânea uma abordagem comportamental,
que levasse em conta os aspectos subjetivos das orientações
políticas, tanto do ponto de vista das elites quanto do público
desta sociedade“. Eles observam que o trabalho de Almond e
Vera é a referência contemporânea obrigatória no debate sobre
o conceito de cultura política, e que o objetivo central daqueles
autores “era discutir o papel da cultura política no
funcionamento dos regimes democráticos“.
↩
494. Kuschnir e Carneiro, 1999.
↩
495. Moisés, 1995, p. 84-85.
↩
496. Martins, 2002, p. 24.
↩
497. Idem, p. 18.
↩
498. Ibidem, p. 20.
↩
499. Ib., p. 31.
↩
500. Moisés, 1995, p. 98.
↩
501. Idem.
↩
502. A referência do autor é ao regime democrático. A referência é
retirada da obra Os brasileiros e a democracia, em que José
Álvaro Moisés consolida alguns de seus principais estudos
sobre cultura política e democratização, realizados entre 1989 e
1994. Nesse trabalho, seu foco de análise é a formação da
legitimidade democrática no país.
↩
503. Moisés, 1995, p. 84-85.
↩
504. Idem.
↩
505. Ibidem, p. 97.
↩
506. Martins, 2002, p. 35.
↩
507. Idem, p. 36.
↩
508. Moisés, 1995, p. 87.
↩
509. Pinheiro, apud Alves, 2001, p. 17.
↩
510. Idem, p. 18-19.
↩
511. Idem, p. 20.
↩
512. Alves, 2001, p. 41.
↩
513. Idem, p. 287.
↩
514. Ibidem.
↩
515. Ib., p. 288.
↩
516. Ib., p. 324.
↩
517. Ib., p. 326.
↩
518. MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. Décimo sétimo
relatório periódico relativo à convenção internacional sore a
eliminação de todas as formas de discriminação racia. Brasília:
MRE, 2003, p. 7.
↩
519. Política Nacional dos Direitos Humanos.
↩
520. Oliveira e Barreto, 2003.
↩
521. O Instituto Datafolha publicou, em julho de 2006, os resultados
de uma pesquisa nacional, realizada nos dias 17 e 18 de julho,
entre eleitores do país, sobre o Estatuto da Igualdade Racial,
em debate no Congresso Nacional, e a política de cotas nas
universidades. No texto de apresentação dos resultados, o
Instituto Datafolha informa que “A maioria (65%) do eleitorado
brasileiro é favorável a que 20% das vagas em universidades
públicas e particulares sejam reservadas para pessoas negras
e descendentes de negros, como prevê um dos capítulos do
projeto do Estatuto da Igualdade Racial (...) Um quarto (25%) é
contra as cotas para os negros nas universidades“. A pesquisa
estava combinada a uma sondagem sobre a intenção de voto
em 3 candidatos à presidência: Lula, Alckmin e Heloísa Helena,
o que sugere a relevância do tema no contexto da agenda
eleitoral. Ainda segundo a pesquisa, dos entrevistados que
anunciaram a intenção de voto em Lula, 69% se disseram a
favor das cotas para negros nas universidades e 21% contra, os
demais eram indiferentes, não sabiam ou não emitiram opinião.
Entre os eleitores de Alckmin e Heloísa Helena, à época com
cerca de 10% de intenções de voto, os números eram,
respectivamente, 66% e 56% a favor, 29% e 28% contra, e os
demais nas outras categorias. Uma das conclusões possíveis
da pesquisa, segundo a antropóloga Wania Sant’Anna,
publicada no Jornal Irohin, n.17, é de que a questão das cotas
não divide o eleitorado nacional. A mesma pesquisa também
investigou a opinião dos eleitores sobre cotas em empresas
públicas e privadas, nos termos previstos no projeto de
Estatuto, ou seja, 20% no mínimo de vagas reservadas para
pessoas negras e descendentes de negros. O resultado foi o
seguinte, entre os eleitores de Lula, Alckmin e Heloísa Helena,
respectivamente: 71%, 69% e 62% a favor, 19%, 27% e 35%
contra, e os demais distribuídos entre indiferentes e que não
sabiam. Segundo Sant´Anna, os dados dessa pesquisa podem
indicar uma tendência, entre a população brasileira, favorável
às cotas nas universidades e no mercado de trabalho.
↩
522. São Tomé e Príncipe, Nigéria e África do Sul.
↩
523. Os discursos do Presidente da República nas viagens à África e
nos eventos realizados no Brasil estão disponíveis no site:
http://www.info.planalto.gov.br/. Por ausência de registro oficial,
discursos ou eventuais improvisos não incluídos na página da
Presidência da República não são objeto de análise neste
capítulo.
↩
524. Fonseca Jr., 2004, p. 267.
↩
525. Idem.
↩
526. Discurso proferido por ocasião do almoço oferecido pelo
Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.
São Tomé e Príncipe, 2 de novembro de 2003.
↩
527. Discurso na Assembleia Nacional de Angola. Luanda, Angola,
em 3 de novembro de 2003.
↩
528. Discurso proferido por ocasião do almoço oferecido pelo
Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.
São Tomé e Príncipe, 2 de novembro de 2003.
↩
529. Idem.
↩
530. Discurso na Assembleia Nacional de Angola. Luanda, Angola,
em 3 de novembro de 2003.
↩
531. Em outras ocasiões, o Presidente Lula evocou a “dívida
histórica com a África“, por exemplo quando falou à
comunidade brasileira no Senegal, em 14/5/2005, e durante
visita do Presidente Sam Nujoma, da Namíbia, ao Brasil, em
21/6/2004. Ainda no Senegal, naquela mesma data, por ocasião
da visita que realizou à Ilha de Gorée, o Presidente explicou
que a escolha da África como um “continente prioritário de
nossa ação política (...) e [que] definiu a nossa estratégia de
política internacional (...) foi, sobretudo, uma estratégia de um
dirigente político que tem consciência da dívida histórica que
temos com o continente africano“.
↩
532. Discurso na visita ao Centro de Estudos Brasileiros (CEB),
Maputo, Moçambique, 4 de novembro de 2003.
↩
533. Discurso proferido por ocasião do jantar oferecido pelo
Presidente Joaquim Chissano, Maputo, 5 de novembro de
2003.
↩
534. Discurso proferido por ocasião do almoço oferecido pelo
Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.
São Tomé e Príncipe, 2 de novembro de 2003.
↩
535. Idem.
↩
536. Ibidem.
↩
537. Ib.
↩
538. Palavras do Presidente da República na reunião com Joaquim
Chissano, Presidente da República de Moçambique. Maputo,
Moçambique, 5 de novembro de 2003.
↩
539. Discurso por ocasião da abertura da Reunião Ministerial Brasil-
Angola. Luanda, Angola, em 3 de novembro de 2003.
↩
540. Falando à comunidade brasileira no Senegal, em 14/4/2005, o
Presidente Lula explicou que seu Governo decidira conferir
prioridade, em primeiro lugar, às relações com a América do
Sul, mas que, já no seu programa de Governo, anunciara a
prioridade a ser conferida também às relações com a África,
porque se podia admitir que “a América do Sul e a África
nasceram para ser pobres“. Exatamente a união dessas duas
regiões na luta contra a pobreza constituía-se no pilar de
sustentação da prioridade conferida por seu Governo a ambas
as regiões. Lula explicou também que, a partir de sua posse,
tem buscado convencer seus parceiros na América do Sul e na
África quanto à necessidade de uma ação conjunta em favor do
crescimento econômico e do desenvolvimento e da melhoria de
vida das populações dos respectivos países.
↩
541. Discurso na visita ao Centro de Estudos Brasileiros (CEB).
Maputo, Moçambique, 4 de novembro de 2003.
↩
542. Discurso no encontro com a comunidade brasileira residente no
Senegal. Dacar, Senegal, 14 de abril de 2005.
↩
543. Discurso na visita ao Centro de Estudos Brasileiros (CEB).
Maputo, Moçambique, 4 de novembro de 2003.
↩
544. Palavras na leitura de comunicado conjunto. Libreville, Gabão,
28 de julho de 2004.
↩
545. Idem.
↩
546. Ibidem.
↩
547. Discurso por ocasião do almoço oferecido pelo Presidente da
República de Botsuana, Festus Mogae- Gaborone. Botsuana,
11 de fevereiro de 2006.
↩
548. Em praticamente todos os discursos perante interlocutores
africanos, o Presidente Lula reafirmou a possibilidade de o
Brasil vir a “contribuir“ ou “ajudar“ seus parceiros africanos. Em
seu discurso na reunião ampliada, realizada em Bissau, em
13/5/2005, disse que “o Brasil pode ajudar mais do que está
ajudando, o Brasil pode fazer mais do que está fazendo (...)
Mas nós queremos ajudar os países pobres, para que tenham
uma oportunidade“.
↩
549. No âmbito dos debates acerca de uma possível política
internacional de compensações para a África, tem sido
discutida a razão da pobreza e da falta de desenvolvimento
atuais na África. Combinam-se, entre outras, as razões
associadas à exportação de mão de obra para as Américas,
durante o período do tráfico; a política de colonização europeia;
o neocolonialismo e a exploração dos recursos naturais
africanos por empresas estrangeiras; as parcerias forjadas
pelos governos recém-independentes com as potências no
contexto da Guerra Fria e a própria gestão dos governos
nacionais africanos. A propósito ver Howard-Hassmann, 2001.
↩
550. Discurso por ocasião do encerramento da II Conferência de
Intelectuais da África e da Diáspora. Salvador, Bahia, 12 de
julho de 2005.
↩
551. Discurso por ocasião da Abertura da Reunião Ministerial Brasil-
Angola. Luanda, Angola, em 3 de novembro de 2003.
↩
552. Discurso na Assembleia Nacional de Angola. Luanda, Angola,
em 3 de novembro de 2003.
↩
553. Idem.
↩
554. Ibidem.
↩
555. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da Nigéria,
Olosegum Obasanjo. Abuja, Nigéria, 11 de abril de 2005.
↩
556. Idem.
↩
557. Brinde no almoço com o Presidente da República da Nigéria,
Olosegum Obasanjo. Palácio Itamaraty, Brasília, 6 e setembro
de 2005.
↩
558. Discurso por ocasião de jantar oferecido pelo Presidente
Abdoulaye Wade, do Senegal. Dacar, Senegal, 13 de abril de
2005.
↩
559. Idem.
↩
560. Ibidem.
↩
561. Ib.
↩
562. Discurso por ocasião da visita do Presidente de Gana, John
Agyekum Kufuor. Palácio do Planalto, Brasília, 10 de julho de
2006.
↩
563. Idem.
↩
564. Discurso no jantar em homenagem aos Chefes de Estado e de
Governo e Vice-Presidentes participantes da II Conferência de
Intelectuais da África e da Diáspora. Salvador, Bahia, 11 de
julho de 2005.
↩
565. Idem.
↩
566. Discurso na abertura da II Conferência de Intelectuais da África
e da Diáspora. Salvador, Bahia, 12 de julho de 2005.
↩
567. Council of Foreign Relations, 2006, p.14.
↩
568. Discurso na Assembleia Nacional de Angola. Luanda, Angola,
em 3 de novembro de 2003.
↩
569. Discurso na cerimônia de encerramento do seminário “Brasil-
Moçambique: Comércio e Investimentos“. Maputo,
Moçambique, em 5 de novembro de 2003.
↩
570. Discurso à imprensa, após cerimônia de assinatura de atos em
Abuja, Nigéria, em 12 de abril de 2005.
↩
571. Nos discursos perante autoridades nigerianas, por exemplo, as
referências ao petróleo, principal item das importações
brasileiras provenientes da Nigéria são breves e dizem
essencialmente respeito à necessidade de diversificação da
pauta e equilíbrio no saldo comercial. Esse não é um item da
agenda de cooperação bilateral. Registre-se, a propósito, que a
Nigéria e a Argélia vêm sendo as principais exportadoras de
petróleo para o Brasil, com volumes exportados em
quantidades muito próximas.
↩
572. Em 2005 e no período janeiro a novembro de 2006, as
importações brasileiras de petróleo da África corresponderam a
44,16% e 43,11%, respectivamente, do total das importações
brasileiras. Comparativamente, nesse mesmo período, as
importações do Oriente Médio foram da ordem de 14,76% e
15,03% e as importações da América do Sul perfizeram 16,18%
e 18,32%.
↩
573. Discurso por ocasião da visita do Presidente de Gana, John
Agyekum Kufuor. Brasília, em 10 de julho de 2006.
↩
574. Discurso por ocasião da V Conferência de Chefes de Estado e
de Governo da CPLP, realizada em São Tomé e Príncipe, em
26 de julho de 2004.
↩
575. Idem.
↩
576. Discurso na cerimônia de assinatura de atos durante visita do
Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Brasília, em 3
de maio de 2005.
↩
577. Discurso na cerimônia de encerramento do seminário “Brasil-
Moçambique: Comércio e Investimentos“. Maputo,
Moçambique, 5 de novembro de 2003.
↩
578. Discurso por ocasião do “Encontro Empresarial Brasil-Angola:
Comércio e Investimentos“. Luanda, Angola, 3 de novembro de
2003.
↩
579. Discurso por ocasião de jantar oferecido pelo Presidente
Abdoulaye Wade, do Senegal. Dacar, Senegal, 13 de abril de
2005.
↩
580. Discurso por ocasião do almoço oferecido pelo Presidente da
República de Botsuana, Festus Mogae. Gaborone, Botsuana,
11 de fevereiro de 2006.
↩
581. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da Nigéria,
Olosegum Obasanjo. Abuja, Nigéria, 11 de abril de 2005.
↩
582. Discurso por ocasião do almoço oferecido à Sua Majestade
Mohammed VI, Rei do Marrocos. Palácio do Itamaraty, Brasília,
26 de novembro de 2004.
↩
583. Discurso por ocasião do almoço oferecido pelo Presidente da
República Argelina Democrática e Popular, Abdelaziz
Bouteflika. Argel, Argélia, 9 de fevereiro de 2006.
↩
584. Sen (1999, p.8) opõe a sua noção de desenvolvimento e seu
foco nas liberdades humanas àquilo que entende serem “visões
mais estreitas de desenvolvimento, tais como a identificação de
desenvolvimento com o crescimento do PIB, ou com o
crescimento da renda per capita, ou com industrialização, ou
com avanço tecnológico ou com modernização social“ (Idem,
p.3).
↩
585. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da Nigéria,
Olosegum Obasanjo. Abuja, Nigéria, 11 de abril de 2005.
↩
586. Discurso por ocasião da visita do Presidente de Gana, John
Agyekum Kufuor. Brasília, 10 de julho de 2006.
↩
587. Discurso por ocasião da visita do Presidente de Gana, John
Agyekum Kufuor. Brasília, 10 de julho de 2006.
↩
588. Discurso do Presidente da República por ocasião do almoço
oferecido pelo Presidente da República Argelina Democrática e
Popular, Abdelaziz Bouteflika. Argel, Argélia, 9 de fevereiro de
2006.
↩
589. Discurso na reunião de líderes mundiais para a “Ação contra a
fome e a pobreza“, na sede da ONU, em Nova Iorque-EUA, 20
de setembro de 2004.
↩
590. Idem.
↩
591. Discurso na abertura da 58ª Assembleia Geral da ONU, em
Nova York, em 23 de setembro de 2003.
↩
592. Discurso proferido pelo Presidente Lula na sessão solene da
Assembleia Nacional de Cabo Verde, em 29 de julho de 2004.
↩
593. Discurso na visita à sede da Liga dos Estados Árabes, Cairo-
Egito, em 9 de dezembro de 2003.
↩
594. Ibidem.
↩
595. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente de Gana, John
Agyekum Kufour. Gana, Acra, 12 de abril de 2005.
↩
596. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da Nigéria,
Olosegum Obasanjo. Abuja, Nigéria, 11 de abril de 2005.
↩
597. Discurso no encontro com a comunidade brasileira residente no
Senegal. Dacar, Senegal, 14 de abril de 2005.
↩
598. Discurso em almoço oferecido ao Senhor Abdelaziz Bouteflika,
Presidente da República Argelina Democrática e Popular.
Palácio Itamaraty, 12 de maio de 2005.
↩
599. Em discurso proferido em 18 de agosto de 2005, por ocasião da
visita a Brasília do Presidente de São Tomé e Príncipe, o
Presidente Lula reiterou esse mesmo objetivo da agenda
internacional de seu governo ao afirmar que “Empenhei-me,
desde o início do meu mandato, em sensibilizar a comunidade
internacional para o combate ao principal fator de
desagregação dos nossos tempos: a fome e a miséria“.
↩
600. Discurso em almoço oferecido ao Senhor Abdelaziz Bouteflika,
Presidente da República Argelina Democrática e Popular.
Palácio Itamaraty, 12 de maio de 2005.
↩
601. Idem.
↩
602. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da República de
Cameroun, Paul Biya. Iaundê, República de Cameroun, 10 de
abril de 2005.
↩
603. Discurso por ocasião do “Encontro Empresarial Brasil-Angola:
Comércio e Investimentos“. Luanda, Angola, em 3 de novembro
de 2003.
↩
604. Idem.
↩
605. Discurso na sessão solene da Assembleia Nacional, por
ocasião da visita oficial a Cabo Verde. Praia, Cabo Verde, 29 de
julho de 2004.
↩
606. Idem.
↩
607. Ibidem.
↩
608. Ib.
↩
609. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente de Moçambique,
Palácio da Ponta Vermelha. Maputo, Moçambique, 5 de
novembro de 2003.
↩
610. O G-20 é um grupo negociador, criado em 20 de agosto de
2003, no contexto das negociações agrícolas da Rodada de
Doha, da OMC, cuja coordenação sempre coube ao Brasil.
↩
611. Discurso no Seminário Empresarial Brasil-Egito, no Cairo. Egito,
em 8 de dezembro de 2003.
↩
612. Idem.
↩
613. Discurso por ocasião do jantar de gala oferecido pelo
Presidente Omar Bongo. Libreville, Gabão, 27 de julho de 2004.
↩
614. Discurso por ocasião do almoço oferecido à Sua Majestade
Mohammed VI, Rei do Marrocos. Palácio do Itamaraty, Brasília,
26 de novembro de 2004.
↩
615. A XI UNCTAD realizou-se em São Paulo, de 13 a 18 de junho
de 2004.
↩
616. Discurso por ocasião do almoço oferecido à Sua Majestade
Mohammed VI, Rei do Marrocos. Palácio do Itamaraty, Brasília,
26 de novembro de 2004.
↩
617. Discurso na cerimônia de assinatura de atos durante visita do
Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. Brasília, em 3
de maio de 2005.
↩
618. Brinde por ocasião do almoço oferecido ao Presidente da
República do Congo, Denis Sassou Nguesso. Brasília, 13 de
junho de 2005.
↩
619. Discurso por ocasião do jantar oferecido pelo Presidente da
República da Namíbia, Sam Nujoma. Windhoek, Namíbia, 6 de
novembro de 2003.
↩
620. Discurso por ocasião do jantar oferecido pelo Presidente da
República da Namíbia, Sam Nujoma. Windhoek, Namíbia, 6 de
novembro de 2003.
↩
621. Discurso na Assembleia Nacional de Angola. Luanda, Angola,
em 3 de novembro de 2003.
↩
622. Discurso na visita ao Centro de Estudos Brasileiros (CEB).
Maputo, Moçambique, em 4 de novembro de 2003.
↩
623. Discurso do Presidente da República no jantar oferecido em
sua homenagem pelo Presidente Thabo Mbeki. Pretória, África
do Sul, 7 de novembro de 2003.
↩
624. Idem.
↩
625. Palavras no início da Conferência Conjunta de Imprensa.
Pretória, África do sul, 8 de novembro de 2003.
↩
626. O G-90 reúne outros grupos de países em desenvolvimento
participantes das negociações da OMC sobre a Rodada de
Doha.
↩
627. Discurso na sessão solene da Assembleia Nacional, por
ocasião da visita oficial a Cabo Verde. Praia, Cabo Verde, 29 de
julho de 2004.
↩
628. Idem.
↩
629. Em março de 2005, o Órgão de Apelação da OMC decidiu em
favor do Brasil no caso dos subsídios concedidos pelo Governo
norte-americano aos produtores de algodão do país. Em abril, a
vitória brasileira foi contra as subvenções concedidas pela
União Europeia aos produtores de açúcar.
↩
630. Discurso na sessão solene da Assembleia Nacional, por
ocasião da visita oficial a Cabo Verde. Praia, Cabo Verde, 29 de
julho de 2004.
↩
631. Discurso por ocasião do jantar oferecido pelo Presidente da
República da Namíbia, Sam Nujoma. Windhoek, Namíbia, 6 de
novembro de 2003.
↩
632. Idem.
↩
633. Discurso no jantar oferecido pelo Presidente da República de
Cameroun, Paul Biya. Iaundê, República de Cameroun, 10 de
abril de 2005.
↩
634. Discurso proferido por ocasião do almoço oferecido pelo
Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.
São Tomé e Príncipe, 2 de novembro de 2003.
↩
635. Em Trípoli, na Líbia, em 10/12/2003, perante empresários
brasileiros e líbios, o Presidente lembrou estar constantemente
afirmando a “importância de os países em desenvolvimento
adotarem estreita coordenação nas negociações internacionais“
de comércio, citando, como exemplo, o trabalho do G 20.
↩
636. Uma contagem meramente indicativa, sem testado rigor
metodológico, dos 53 discursos proferidos pelo Presidente Lula,
em eventos da agenda exclusivamente bilateral, em visitas
realizadas à África ou em recepções a autoridades africanas em
Brasília, durante o período de 2003 a 2006, mostra que do total
de 1.212 parágrafos, 70 dizem respeito à reforma da
Organização Mundial do Comércio e das regras do comércio
mundial, enquanto 51 deles referem-se à reforma das Nações
Unidas e, em particular, à reforma do Conselho de Segurança
das Nações Unidas.
↩
637. São Tomé e Príncipe e Moçambique, em novembro de 2003;
Líbia e Egito, em dezembro de 2003; Guiné-Bissau, em abril de
2004; e Benin, em fevereiro de 2006.
↩
638. Grupo composto pela Alemanha, Brasil, Índia e Japão que
defendem a reforma do CSNU e vagas, como membros
permanentes, em um CSNU ampliado. Sobre o tema, vide
capítulo 8.
↩
639. O C 10 foi um grupo criado pela Cúpula da UA para seguir
negociando com a comunidade internacional a proposta
africana de reforma do CSNU.
↩
640. Discurso por ocasião da visita oficial do presidente da
República da Gâmbia, Yahya Jammeh, ao Brasil, em 09 de
agosto de 2005.
↩
641. Discurso por ocasião da visita oficial do presidente da
República da Gâmbia, Yahya Jammeh, ao Brasil, em 09 de
agosto de 2005.
↩
642. Na visita à sede da Liga dos Estados Árabes, em 9/12/2003, no
contexto de sua primeira viagem a países árabes, dentre os
quais, dois africanos (Egito e Líbia), o Presidente explicou que
“a ampliação do CSNU é necessária para que este órgão possa
representar, de modo mais expressivo, as posições dos países
em desenvolvimento“. Na ocasião, reiterou as posições do
Brasil sobre os conflitos no Oriente Médio, comprometendo-se a
continuar defendendo posição a favor da paz com justiça na
região, no biênio 2004-2005, quando o país ocuparia assento
não permanente no CSNU.
↩
643. A propósito do tema, recomenda-se o artigo Measuring UN
Security Council Action and Inaction in the 1990s. Lessons for
Africa. De Virgil Hawkins, publicado na African Security Review,
do Institute of Security Studies, Pretória, v. 12, n. 2, 2003.
↩
644. A Declaração de Abuja, adotada ao final da Cúpula Afras, em
30 de novembro de 2006, nos parágrafos 32 e 39 singulariza a
Diáspora africana como parceiro e, portanto, ator, no processo
de aproximação e construção de uma agenda comum entre as
duas regiões. Em encontro com o Chanceler Celso Amorim,
Alpha Konaré, Presidente da Comissão da UA, indicou, por sua
vez, que “a diáspora representa um fenômeno com potencial
para criar novas realidades sociopolíticas, que deve ser levada
em consideração pelos países da UA na elaboração de suas
estratégias para a África“. A diáspora, disse, é quase uma
região africana e a “cooperação e interrelação entre a diáspora
e os países africanos é essencial para o desenvolvimento da
África“ (Despacho telegráfico Adis Abeba 03/05 R)
↩
645. Resenha de Política Exterior do Brasil, n. 93, 2º Semestre de
2003, p. 347.
↩
646. Resenha de Política Exterior do Brasil, n. 92, 1º Semestre de
2003, p. 82.
↩
647. Em seu relatório (Relatório Visita da Senhora Ministra Matilde
Ribeiro a Angola, África do Sul e Moçambique. 27 de setembro
a 5 de outubro de 2003. Secretaria Especial de Políticas de
Promoção da Igualdade Racial. Presidência da República.
Seppir) da primeira viagem oficial do Presidente da República à
África, da qual era parte da comitiva, a Ministra Matilde Ribeiro
observa terem sido constantes, em Angola, “as congratulações
ao atual governo brasileiro por este ter reconhecido a situação
de discriminação racial sofrida pela população negra brasileira,
da qual muitos angolanos, que nos visitam ou que aqui
estudam, já foram vítimas. (...) Entretanto, questionaram a
igualdade racial na representação diplomática“. O tema também
consta do Comunicado Conjunto emitido por ocasião da visita
do Presidente Lula à Nigéria, em abril de 2005, nos seguintes
termos: “Par. 6. O Presidente da Nigéria demonstrou sua
satisfação com a eficiência das políticas de promoção de
igualdade racial que estão sendo implementadas no Brasil pelo
Governo do Presidente Lula da Silva“. Em Gana, o
Representante da Comunidade Ta Bom, de descendentes de
negros brasileiros retornados à África, reconheceu também os
esforços do Governo Lula para a promoção da igualdade racial
no Brasil.
↩
648. Entrevista concedida pelo então Subsecretário-Geral de
Assuntos Políticos II, SGAP II, Embaixador Pedro Motta Pinto
Coelho, em 22 de agosto de 2006.
↩
649. O Anexo II apresenta uma lista de missões e viagens de altas
autoridades brasileiras e africanas no contexto das relações
Brasil-África, no período 2003-2006.
↩
650. Coelho e Saraiva, 2004, p. 9-10. No texto de conclusão da
edição dos trabalhos do Fórum, Flávio Saraiva disse que o
“Fórum de Fortaleza é um ponto de partida para começarmos
juntos“ (2004, p. 306).
↩
651. No mesmo Anexo II estão também registradas as reuniões de
comissões mistas realizadas no período.
↩
652. A Embaixada em Maputo registrou, por exemplo, as referências
que a Chanceler Dlamini Zuma, da África do Sul, fez ao Fórum
Brasil-África, durante Reunião Ministerial da UA, realizada em
Moçambique, em julho de 2003, dizendo tratar-se de um
"resounding success". A Ministra sul-africana teria reportado a
seus homólogos a decisão de realizar sessões regulares do
Fórum, em sedes alternadas, na África e no Brasil. Alguns
Chefes de Estado, nessa mesma Cimeira da UA, em Maputo,
também mencionaram o Fórum como indicador da disposição
brasileira de aproximação com a África. Ainda não se realizou a
segunda edição do Fórum, prevista, inicialmente, para 2005, na
África do Sul.
↩
653. À exceção do Zimbábue, da República da Guiné, da Namíbia,
do Benin e do Mali, que contam com Embaixadas residentes
em Havana, nos demais casos, as Embaixadas em Brasília,
abertas ou a abrir, serão as primeiras representações
diplomáticas desses países na América Latina e Central.
Segundo a página oficial do Ministério das Relações Exteriores
de Cuba, 21 países africanos mantêm representações
diplomáticas permanentes em Havana.
↩
654. A instalação de embaixadas é um instrumento clássico de
aproximação diplomática. No caso das Embaixadas em Adis
Abeba e, proximamente, também da Embaixada em Gaborone,
as representações junto à UA e junto à Comunidade de
Desenvolvimento da África Austral (SADC), respectivamente,
secundam a representação bilateral.
↩
655. Informação prestada pelo Diretor-Geral do Departamento da
África, Embaixador Fernando Jacques de Magalhães Pimenta,
em entrevista concedida em 21/8/2006. Também o Chanceler e
o Presidente da República reiteraram, em diversas ocasiões, a
intenção de estender a rede diplomática brasileira, inclusive na
África, em conformidade com a determinação política de
promover o universalismo da política externa brasileira.
↩
656. Embaixador Pedro Motta Pinto Coelho, SGAP-II, entrevista
citada.
↩
657. Idem.
↩
658. A Declaração de Abuja, aprovada por ocasião da Cúpula ASA,
dispõe, no parágrafo 32, sobre a necessidade de aumento do
fluxo de informações entre a África e a América do Sul.
↩
659. O registro do tribalismo como explicação dos conflitos é
secundário e marginal nas análises feitas pela grande maioria
de analistas africanos e também por algumas organizações não
governamentais, que sublinham crescentemente o papel da
exploração ilegal dos recursos naturais, entre eles a terra e a
água, além dos recursos minerais, na eclosão e manutenção do
clima de instabilidade e insegurança no continente. A propósito
da vinculação entre a exploração de recursos e a manutenção
das guerras na África, há uma ampla literatura, em que são
particularmente reconhecidos os trabalhos produzidos por Paul
Collier, William Reno e Michael Ross. Também são importantes
os dois relatórios produzidos pelo Painel de Peritos sobre a
Exploração Ilegal dos Recursos Naturais e outras formas de
riqueza na RDC, criado pelo Conselho de Segurança das
Nações Unidas (UN Docs. S/2001/357 e S/2002/1146). No
âmbito das ONGs, a Oxfam e a Global Witness têm, nas suas
páginas da Internet, um expressivo número de trabalhos sobre
o tema, especialmente sobre a RDC.
↩
660. Em 2006, o maior projeto, em execução, da CVRD, na África,
era a exploração do complexo carbonífero da região de
Moatize, em Moçambique, da ordem de US$ 2 bilhões.
Ademais, a empresa mantinha escritórios de representação em
Joanesburgo, Luanda, Conacri e Libreville, realiza novas
atividades de prospecção em Moçambique, Angola, Gabão,
Guiné, RDC e África do Sul e contava com geologistas
trabalhando na Mauritânia, Argélia, Congo, Zâmbia e Botsuana.
Oportunamente, pensava vir a iniciar atividades de prospeção
na Nigéria e Tanzânia, conforme informações prestadas pela
Assessoria Internacional da Empresa. Entrevista com o
Sr. Renato Amorim, da CVRD, em 20 de dezembro de 2006.
↩
661. As empresas de maior porte e dinamismo no domínio
internacional prospectam e realizam seus próprios contatos,
conforme seus próprios interesses. Não obstante, o que se tem
verificado é que, com a expansão da presença diplomática
brasileira no continente africano, essas empresas têm
encontrado clima mais favorável para a negociação de seus
interesses e, ademais, poderão servir-se das novas estruturas
diplomáticas, habilitadas para apoiar a defesa dos interesses
brasileiros.
↩
662. Esse programa acabou por não ser implementado tal como
inicialmente idealizado, ou seja, com o fornecimento de
tratamento para pacientes soropositos, mas prosseguem
negociações com vistas à possibilidade de ampliação da
cooperação bilateral na área de prevenção e combate à AIDS.
De qualquer forma, em visita oficial ao Brasil, em julho de 2005,
o Presidente de Botsuana informou que o modelo de tratamento
universal gratuito desenvolvido no Brasil para assistência a
soropositivos serviu de modelo para o programa similar que
vinha sendo implantado em seu país. Graças a essas
experiências, disse que ambos os países conseguiram
estabilizar as taxas de incidência.
↩
663. A Carta da UA, entre outros numerosos documentos aprovados
no âmbito africano, estabelecem esses compromissos.
↩
664. Não é objeto deste trabalho analisar as razões ou justificativas
para essa resistência, que podem ser de ordem política,
logística ou estratégica, ou ainda, como também se pode
cogitar, fruto da ausência de estímulos internos à inclusão
desse item na pauta da prioridade que o governo brasileiro
decidiu atribuir às relações com a África.
↩
665. Por exemplo, o Ministro Celso Amorim participou em Lisboa,
junto com seus homólogos da CPLP, de reunião sobre a Guiné-
Bissau realizada poucos dias após o reinício da violência em
Bissau, em 2004.
↩
666. O apoio financeiro deu-se mediante a doação brasileira ao
Governo da Guiné-Bissau de US$ 600 mil, provenientes da
rubrica cooperação com os países de língua portuguesa,
destinados à recuperação de infraestruturas onde teria lugar a
VI Cimeira. Outro importante apoio foi o envio de avião-hospital
da FAB, que esteve estacionado em Bissau durante o período
da Cimeira, tendo, nesse período, realizado cerca de 200
atendimentos à população. Ministro João Inácio Padilha, Chefe
da Divisão de África II (DAF-II), do Ministério das Relações
Exteriores, em entrevista concedida em 22 de novembro de
2006.
↩
667. Segundo as palavras do Ministro dos Negócios Estrangeiros,
Isaac Monteiro, a realização da VI Cimeira da CPLP, em Bissau,
“serviu para galvanizar o sentido de unidade nacional entre os
atores internos bissau-guineenses, independente de suas
vinculações políticas“. Poderá ter servido também, segundo a
avaliação oficial brasileira, para estimular a confiança dos
parceiros de língua portuguesa na capacidade de atuação do
país, assim como para elevar a credibilidade internacional da
Guiné-Bissau, que pelo período de dois anos estará presidindo
a CPLP. O relatório do SGNU sobre o escritório das Nações
Unidas na Guiné- -Bissau, Unogbis, divulgado em setembro de
2006, (doc. S/2006/783) sublinhou igualmente que a realização
da Cimeira serviu para comprovar a capacidade de organização
do país e consolidar a posição da Guiné-Bissau junto aos
demais membros da CPLP. A Declaração à Imprensa emitida
pelo Conselho de Segurança, em 21/7/2006 (doc. S/2006/783)
agradece nominalmente ao Brasil e à Nigéria pela assistência
prestada à Guiné-Bissau e encoraja outros membros da
comunidade internacional a fazerem o mesmo.
↩
668. O parágrafo 10 da Declaração de Abuja dispõe que os países
sul-americanos devem colaborar com os países africanos em
seus processos de construção e consolidação da paz, bem
como de reconstrução pós-conflito. No parágrafo 11 do Plano
de Ação de Abuja, há o compromisso de apoio dos signatários
ao desenvolvimento do African Peer Review Mechanism, que
diz respeito, por sua vez, à promoção da democracia e da boa
governança, além do respeito aos direitos humanos nos países
africanos.
↩
669. Em entrevista no Ministério das Minas e Energia, em 23 de
novembro de 2006, o Assessor Internacional daquele órgão,
Ministro Rubem Barbosa, pôde confirmar, após consulta
específica feita aos técnicos do setor de mineração, que a
regulamentação da exploração de minérios na RDC seria muito
benéfica à indústria de mineração do Brasil, tanto em razão da
criação de condições de igual acesso a mercados
internacionais, quanto pela possibilidade de ampliação de
presença brasileira em regiões atualmente controladas por
warlords e companhias que atuam fora dos padrões
internacionais. Ademais, a situação na RDC, como também em
outros países em que a exploração ilegal de recursos minerais
está associada à ocorrência ou continuação de conflitos, está
produzindo um crescente apelo, sobretudo por parte de
organizações não governamentais, no sentido de maior