Política Externa como Ação Afirmativa: o Governo Lula na África
Anexo III – Discurso de posse do senador Abdias Nascimento no Senado Federal
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
regulamentação do comércio de minérios, como no caso dos
diamantes e do Processo de Kimberley, ao qual o Brasil ainda
não aderiu, embora possa, no futuro, afetar diretamente
interesses brasileiros. A CVRD tem procurado, no entanto,
acompanhar de perto a evolução dos debates sobre a matéria e
participa, como observadora, de discussões sobre gestão
transparente da exploração de recursos minerais, em iniciativa
organizada pelo Banco Mundial, conforme informou a
Assessoria Internacional da empresa, em entrevista
anteriormente citada.
↩
670. O Brasil, por intermédio do Tribunal Eleitoral de Minas Gerais,
prestou relevante cooperação às autoridades congolesas
responsáveis pela realização das eleições parlamentares e
presidenciais realizadas naquele país em 2006. A cooperação
eleitoral, aliás, vem se revelando um campo importante de
cooperação brasileira na África, ainda que a expansão desse
tipo de cooperação não venha sendo associada, em termos de
discurso diplomático, à disposição brasileira de buscar
mecanismos inovadores e eficientes de contribuição brasileira
para a paz no continente africano.
↩
671. A iniciativa foi uma proposta do presidente nigeriano a seu
homólogo brasileiro durante a viagem do Presidente Lula à
Nigéria, em abril de 2005. Na oportunidade, o Presidente
Obasanjo disse ter se inspirado na Cúpula América do Sul-
Países Árabes (ASPA), realizada em 2004, e no acelerado
processo de aproximação brasileira com o continente africano,
inclusive em sua vertente multilateral, com organismos como a
UA. Anteriormente, porém, em entrevista que concedeu ao
Chanceler do Marrocos, em abril de 2004, o Presidente Lula já
havia anunciado a intenção de realizar um evento reunindo os
países da América do Sul e da África, “inclusive de seus
representantes árabes“, na sequência da reunião da ASPA,
ecoando, possivelmente, sugestão que lhe havia sido feita, em
2003, pelo Presidente de Burquina Faso para que fosse
convocada uma reunião de países africanos com o Brasil. A
ideia, que se concretizou apenas no final do primeiro mandato
do Presidente Lula, teve, portanto, sua gênese no primeiro ano
de governo e evoluiu no sentido de converter-se em uma
iniciativa nigeriana, de caráter regional, encampada pela UA,
cuja origem remonta a período bastante anterior até mesmo ao
anúncio da Cúpula China-África, realizada em Pequim, poucas
semanas antes da Cúpula ASA.
↩
672. Em palestra apresentada durante evento no Japão, em 2005,
Anani Dzidzienyo (2005) discute a formação de um novo
conjunto, os afrolatino-americanos, que vem assumindo
crescente relevância nos seus respectivos países. “Ainda que
de forma não intencional, a globalização abriu novas
oportunidades para atividades afrolatino-americanas através
das fronteiras nacionais“ (p. 256). Resultado do processo de
globalização, os descendentes de escravos nos países da
América Latina reconhecem o fato de terem compartilhado e
ainda compartilharem experiências raciais semelhantes em
vários países da América Latina. A percepção, relativamente
recente, dessa experiência compartilhada tem dado
oportunidade a um “ativismo transnacional“ (p. 251).
↩
673. Nos últimos anos, e em linha com o aumento da relevância do
continente africano no cenário internacional, algumas
chancelarias sul-americanas (argentina, a uruguaia e a
venezuelana), teriam passado a atribuir maior relevância às
suas unidades administrativas responsáveis pelo
acompanhamento das relações com a África, entre outras
ações que traduziram o interesse crescente dos países da
região nas relações com os africanos, conforme comentou o
SGAP II, em entrevista já referida. A Argentina, por exemplo,
abriu, em 2006, uma embaixada em Luanda. O representante
da Venezuela somou-se aos representantes de Cuba, do Brasil
e da Guatemala na lista de oradores que, em setembro de
2006, interveio na sessão da Assembleia Geral da ONU
dedicada ao debate sobre a Nepad e a implementação das
medidas contra a malária no continente africano.
↩
674. Dentre esses mecanismos estão a oferta de cursos para oficiais
estrangeiros nas escolas militares brasileiras, a realização de
visitas e recebimento de missões no Brasil para contatos com
autoridades de países amigos e promoção de iniciativas na
área empresarial, como feiras internacionais, na área de defesa
e segurança.
↩
675. Conforme testemunho do Diretor do Departamento de Assuntos
Internacionais do MD, Major Cleonilson Nicácio Silva. Entrevista
realizada, no contexto da preparação deste trabalho, em
21/11/2006.
↩
676. A propósito da posição da comunidade internacional sobre o
tema, vide, por exemplo, as declarações presidenciais do
Conselho de Segurança emitidos sobre a Guiné-Bissau (docs.
S/PRST/2004/41 e S/PRST/2005/14) e também a Declaração à
Imprensa do Conselho de Segurança, em 21/7/06 (doc.
S/2006/783).
↩
677. Ministro João Inácio Padilha, entrevista citada.
↩
678. Durante os dois anos em que o Brasil teve assento no Conselho
de Segurança, no biênio 2004-2005, a delegação brasileira foi a
responsável pelo acompanhamento do item da agenda relativo
à Guiné-Bissau. Nesse mesmo período, e em 2006, o Brasil
participou ativamente dos trabalhos do Grupo Ad-Hoc do
Ecosoc para a Guiné-Bissau, que, presidido pelo Representante
da África do Sul junto às Nações Unidas, acompanhava
sobretudo a situação econômica na Guiné-Bissau e seu
impacto sobre a estabilidade política. O Brasil também é parte
do Grupo de Amigos da Guiné-Bissau e, em setembro de 2006,
tornou-se membro fundador do Grupo de Contato para a Guiné-
Bissau.
↩
679. É sabido que a diplomacia brasileira prestou importante apoio
diplomático a Angola, sobretudo quando esteve no Conselho de
Segurança das Nações Unidas, durante os anos de conflito
naquele país. No caso em exame, da Guiné-Bissau, em que se
proclama o ineditismo da ação brasileira, esse ineditismo
refere-se efetivamente à presença física brasileira na
concretização do apoio àquele país.
↩
680. Durante missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas
à África Ocidental, em 2004, o Presidente Kufour, de Gana, ao
se reunir com os integrantes da missão, disse textualmente que
esperava do Brasil uma participação ativa na pacificação da
Guiné- -Bissau. Na mesma ocasião, o Representante
Permanente de um dos P5 junto às Nações Unidas declarou,
informalmente, que nenhum dos P5 estaria acompanhando
diretamente a situação na Guiné-Bissau e que caberia ao Brasil
fazê-lo.
↩
681. Trata-se do Fund for the Security Service administrado pelo
PNUD para reforma do setor de segurança em vários países.
↩
682. Registre-se o interesse de Moçambique, apresentado por seu
Ministro da Defesa, em 2005, durante reunião com os doadores
(G-8 + Brasil), para apoio à capacitação de quadros para
integrarem as missões de paz da SADC, da UA e das Nações
Unidas. Nesse domínio, Moçambique tem contado com apoio
financeiro, logístico e de capacitação de britânicos, da UE, dos
Estados Unidos e da Alemanha.
↩
683. O Recamp, ou Renforcement des capacités africaines de
maintien de la paix, é uma iniciativa do Governo da França que
prevê o treinamento de militares africanos para participação em
operações de paz, particularmente no continente. Ele é
realizado em parceria com a União Europeia, com os próprios
países africanos e seus organismos regionais, como a UA e a
Cedeao. Ele tem por objetivo, segundo seus documentos
constitutivos, “satisfazer as necessidades apresentadas pelos
africanos, responder a uma preocupação da comunidade
internacional e apoiar a renovação da política de segurança na
África“.
↩
684. Estava também em consideração a possibilidade de envio de
instrutor brasileiro para escola militar mantida pelos franceses
no Mali, e participação de militares brasileiros em exercícios
organizados sob a égide da Recamp IV.
↩
685. A Declaração de Abuja menciona, em seu parágrafo 10, a
possibilidade de várias modalidades de cooperação entre sul-
americanos e africanos, inclusive apoio à arquitetura de paz e
segurança da UA. O tema não está, todavia, refletido no
programa de Ação adotado também em Abuja.
↩
686. O Brasil também oferecia, inicialmente, bolsas de estudo. A
partir do final da década de 90, o programa de estudante-
convênio passou a prever apenas a concessão de vagas.
↩
687. Persiste, entre alguns parceiros africanos, sobretudo os de
língua portuguesa, como Guiné-Bissau e STP, a demanda pela
retomada do programa PEC-TEC, para o nível técnico.
↩
688. A tese do Conselheiro Alfredo Leoni Ramos, apresentada, em
janeiro de 2005, ao 48º CAE, contém o histórico da cooperação
educacional oferecida pelo Brasil aos países em
desenvolvimento.
↩
689. Em 31 de janeiro de 2003, o Presidente Lula da Silva recebeu,
em audiência, todos os chefes de missão diplomática africanos
acreditados em Brasília. Na ocasião, os embaixadores africanos
avaliaram positivamente o PEC-G e o PEC-PG.
↩
690. Relatório do MRE relativo ao ano de 1985, p. 99, apud Leoni
Ramos, 2005.
↩
691. Leoni Ramos, 2005, p. 17
↩
692. Também paralelo foi o acordo entre a Universidade do Estado
de São Paulo e a Fundação Eduardo dos Santos, de Angola,
para a realização de vestibular naquele país com a finalidade
de selecionar alunos que virão estudar na universidade
brasileira, com bolsa de estudos oferecida pela referida
Fundação.
↩
693. No período de 2001 a 2006, foram dispendidos, com o
pagamento de bolsas a estudantes africanos participantes do
PEC-PG, os seguintes valores: em 2001, R$ 694.800,00; em
2002, R$ 551.520,00; em 2003, R$ 430.240,00; em 2004, R$
503.640,00; em 2005, R$ 474.840,00; e, em 2006, R$
443.080,00, conforme dados oficiais de dezembro de 2006.
↩
694. O Promisaes é o Programa Milton Santos de Acesso ao Ensino
Superior, criado com o objetivo de prestar ajuda financeira aos
beneficiários do PEC-G que não disponham de recursos para
manutenção no Brasil.
↩
695. São eles África do Sul, Argélia, Benin, Cabo Verde, República
do Cameroun, Cote d´Ivoire, Gabão, Gana, Guiné-Bissau, Mali,
Moçambique, Namíbia, Nigéria, Quênia, República do Congo,
RDC, São Tomé e Príncipe, Senegal e Togo.
↩
696. Em julho de 2005, a Nigéria teria demonstrado interesse em
estabelecer laços preferenciais de cooperação entre as
universidades de ambos os países com base em missões de
especialistas, a exemplo do que fizeram o Brasil e a República
do Cameroun, naquele mesmo ano. As áreas identificadas
como prioritárias foram história, literatura africana, arqueologia,
psicologia, filosofia, sociologia e antropologia, além de
tecnologia da informação e de comunicações, engenharias,
educação tecnológica, educação básica, TV escola, ensino a
distância e capacitação de docentes. A Nigéria dispõe de
importante estrutura de Educação Superior capaz de
impulsionar projeto bilateral de relevo: 24 universidades
federais, 20 escolas politécnicas federais e 19 faculdades
federais de educação, assim como expressivo número de
especialistas.
↩
697. Entre esses, o Zimbábue, que propôs apoio e intercâmbio com
os centros de pesquisa nacionais.
↩
698. O tratamento diferenciado para as candidaturas foi, por
exemplo, proposto pela Embaixada do Brasil em São Tomé e
Príncipe.
↩
699. Segundo dados fornecidos pelo IBGE, em novembro de 2006,
relativos à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad), período 1992-2005, o ingresso de pessoas que se
declaram negras ou pardas no ensino superior subiu, na última
década, de 18% para 30% nas redes de ensino pública e
privada. No ensino público, entraram 125 mil novos alunos
negros e pardos contra 72 mil brancos. O crescimento ocorre
desde 2001, quando o percentual era de 22%. Até 2005, a
participação de negros e pardos aumentou a um ritmo médio de
dois pontos percentuais ao ano. Na avaliação da Seppir, a
diminuição da desigualdade entre negros e brancos no ensino
superior deve-se a vários motivos. Um deles é a adoção de
políticas de ações afirmativas por governos estaduais e pelas
próprias universidades públicas a partir de 2001. A criação do
Programa Universidade para Todos - o ProUni - que oferece
bolsas particulares e sistema de cotas para o ingresso de
estudantes negros nas universidades públicas e privadas
também foi de grande importância, atendendo 63 mil negros.
Segundo a Ministra Matilde Ribeiro, a política de cotas nas
universidades é um dos principais expoentes das ações
afirmativas implantadas no Brasil, que já demonstra resultados
positivos no cotidiano, uma vez que 30 universidades públicas
adotam o sistema de reserva de vagas para negros e
indígenas. Fonte: Subsecretaria de Comunicação Institucional
da Secretaria-Geral da Presidência da República, 26/11/2006.
↩
700. A referência à boa qualidade das estruturas universitárias
nesses três países consta de documento oficial do MEC, que
contém o relatório de atividades da Gestão do Ministro- Tarso
Genro.
↩
701. Em março de 2006, foi firmada Carta de Intenções entre a
Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (da
Universidade de Pernambuco) e o Instituto Superior de Ciências
e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM) para a implantação, em
Moçambique, de curso de pós-graduação em gerenciamento de
cidades. A Embaixada em Maputo sugeriu que fosse estendida
a iniciativa para outros países, como cooperação bilateral
prestada pelo Brasil.
↩
702. Universidades públicas e privadas brasileiras contam com 62
núcleos de estudos afro- -brasileiros, conhecidos como Neabs,
que já formam um consórcio diretamente vinculado ao MEC, e
responsável, entre outros temas, por programas de ação
afirmativa e pelo acompanhamento de estudantes
afrodescendentes que ingressam na universidade por
intermédio de programa para alunos carentes conhecido como
Uniafro. Embora orientados essencialmente para temas
internos, relativos aos alunos e à comunidade afrodescendente,
os Neabs estão ampliando sua pauta de interesses de modo a
incluir, cada vez mais, temas relacionados à África. Da mesma
forma, a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros
(ABPN) e os centros de estudos africanos das universidades
brasileiras têm buscado, em iniciativas quase sempre
autônomas, ampliar suas relações com a África.
↩
703. Durante visita ao Brasil, em maio de 2004, o Ministro da
Educação do Cameroun colocou à disposição do Brasil
professores visitantes de História e Literatura Africana e
Arqueologia. Consta também da Ata Final da VI Comista Brasil-
Senegal oferta da parte senegalesa para disponibilizar
professores de História e Literatura africanas. Em 2003, ONG
de Uberaba (Centro Nacional de Cidadania Negra) esteve em
Dacar para obter apoios no sentido da aplicação da Lei
n. 10.639. Entrevistou autoridades locais da área cultural e
recebeu confirmação de apoio e disposição inclusive de envio
de professores. O Ministro da Cultura do Senegal pediu à
embaixada que intermediasse os contatos com vistas à sua
implementação. O Ministro também manifestou interesse em
compartilhar experiências com a ONG brasileira acerca de
programas de inserção social, com vistas à possível
assimilação pelas autoridades senegalesas. Não consta registro
de terem sido aproveitadas as ofertas africanas para
capacitação de professores e preparação de materiais
destinados à aplicação da Lei n. 10.639.
↩
704. Os dados comerciais relativos a 2006 incluem apenas os meses
de janeiro a outubro, posto serem essas as únicas estatísticas
oficiais disponíveis quando da preparação do texto final deste
trabalho.
↩
705. Em 2004, os países membros da Sacu aderiram às
negociações que, antes dessa data, envolviam apenas o
Mercosul e a África do Sul.
↩
706. A disposição brasileira de conceder preferências a seus
parceiros africanos está registrada, por exemplo, nos discursos
do Presidente Lula em viagens à África e também na proposta
brasileira de lançar uma nova rodada de negociações do
SGPC, por ocasião da XI UNCTAD, realizada em São Paulo,
em 2004.
↩
707. Essa foi uma das dificuldades apresentadas ao Presidente Lula
no encontro que manteve com embaixadores do GA, em
Brasília, em 31 de janeiro de 2003.
↩
708. Foram firmados acordos aéreos com Gana, em 2003; com a
África do Sul, em 2004; Egito e Nigéria, em 2005; Cameroun,
Senegal e Quênia, em 2006. Alguns desses acordos, como
aquele firmado com a África do Sul, serviu para ampliar o
número de frequências semanais, que chegam atualmente a
dez, e para autorizar mudanças no quadro de rotas e
concessões relativas à 5ª liberdade. Não obstante, só a rota
entre o Ceará e Cabo Verde aumentou suas frequências,
passando a duas semanais, e a Companhia de Transportes
Aéreos Angolanos está pleiteando a concessão de uma
frequência para operar na rota Luanda-São Paulo, para somar
aos 2 voos semanais que faz para o Rio de Janeiro. A Varig,
por sua vez, deixou de voar para a África do Sul.
↩
709. No período 2003-2006, foi renovado o acordo de transporte
marítimo com a Argélia e, em 2006, foi assinado Acordo de
Transporte Marítimo entre os parceiros da Iniciativa Ibas.
Estava, também, em discussão projeto de acordo com o
Marrocos.
↩
710. No período janeiro-novembro de 2005 a janeiro-novembro de
2006, a variação das exportações de Pernambuco para Gana,
Cabo Verde e Angola, que figuram entre os 30 principais
destinos das exportações a partir desse estado, eram,
respectivamente, 864,63%, 44,68% e 54,35%. No mesmo
período, a variação das exportações a partir do Ceará, para
Cabo Verde e Costa do Marfim eram, respectivamente, de
29,03% e 206,11.%. Fonte: MDIC, sistema Alice. O tráfego
marítimo entre Pernambuco e Cabo Verde alcançava, em 2006,
o volume de 100 containers/mês.
↩
711. A Declaração de Abuja, em seu parágrafo 29, faz referência à
necessidade de estabelecimento e racionalização de linhas
diretas de transporte aéreo e marítimo entre as duas regiões,
bem como à troca de informação e conhecimento destinado à
organização dos meios de transportes entre essas regiões.
↩
712. Dados parciais relativos a outubro de 2006.
↩
713. No período 2003-2006, o maior investimento brasileiro
anunciado para a África, da ordem de US$ 2 bilhões, foi feito
pela CVRD, como anteriormente apontado, para exploração do
complexo carbonífero de Moatize, em Moçambique, onde
também a Camargo Corrêa está começando a operar. A
Camargo Corrêa, que pretende iniciar atividades de prospecção
na Namíbia, também está atuando na África do Sul e em
Angola, onde a Noberto Odebrecht continua expandindo suas
atividades. A CNO obteve, em 2006, financiamento de fontes
internacionais para a expansão do projeto de implantação do
complexo residencial de Luanda Sul. Além desses, registraram-
se também os investimentos da Random – Fábrica de
carrocerias de caminhão, na Argélia, em parceria com grupo
argelino, e no Quênia; grupo Bunge Fertilizantes, no Marrocos,
em parceria com grupo marroquino; empresa de Cimentos Tupi,
na Namíbia, em esquema de parceria público-privada. A
Petrobras continua investindo em novas áreas de exploração na
África. Alguns dos países em que a empresa já investe ou está
em fase de prospecção de oportunidades são a República do
Congo, Somália, Sudão, Gana (indústria de derivados), Argélia
(parceria com empresa local para uma parceria no setor de
petróleo e gás), Egito (exportação de gás liquefeito), São Tomé
e Príncipe, Moçambique, Quênia e Guiné-Bissau.
↩
714. Dentro da África, há reticências e resistências ao endosso pleno
à Nepad. O Chanceler de Burquina Faso, por exemplo,
reconheceu que a iniciativa “partira de uma visão grandiosa (...)
mas infelizmente não funcionava bem“. O Presidente da
Gâmbia informou que seu país decidira ficar fora da Nepad, e
que o G8 não havia cumprido compromisso de transferir os
recursos para a implementação da iniciativa. A propósito, em
Kananaskis, Canadá, em junho de 2002, na sequência da
reunião de Monterrey, o G-8 adotou o Plano de Ação do G-8
para a África, saudado pelos líderes africanos presentes à
reunião (Obasanjo, Mbeki, Bouteflika e Wade – então membros
do Comitê Diretor da Nepad), com o objetivo viabilizar o início
da implementação da Nepad. A partir dessa reunião em
Kananaskis, o Nepad passou a ser o ponto de referência para a
parceria entre a comunidade internacional e a África. Na
sequência da reunião no Canadá, a França convidou Brasil,
México, Egito, Malásia, Arábia Saudita, China e Índia para
juntarem-se aos africanos para um diálogo do G-8 em Evian
sobre o Nepad. O Brasil participou da reunião e, desde então,
tem reafirmado seu apoio ao desenvolvimento da Iniciativa.
↩
715. Em novembro de 2006, aguardava-se a confirmação, pela parte
nigeriana, de reservas de petróleo suficientes para garantir uma
cota de venda direta à Petrobras, que, por sua vez, já havia
confirmado interesse na operação, entre outras razões porque
evitaria a intermediação nas operações de compra de petróleo
nigeriano pela empresa brasileira.
↩
716. No caso da Tanzânia, o compromisso foi feito ao Presidente
Mkapa durante encontro que mantiveram em Xangai, em 2003.
O compromisso ao Presidente Pedro Pires, de Cabo Verde,
data da visita do Presidente Lula ao país, em 2004.
↩
717. Em seu relatório de 28/9/2006, sobre o processo de
implementação e o apoio internacional à Nepad (doc.
AG/61/212), o SGNU reconhece um “sucesso encorajador“ nas
iniciativas destinadas à anulação da dívida externa dos países
africanos.
↩
718. O Brasil confere apoio a essa iniciativa, patrocinada pelas
instituições financeiras multilaterais. Nesse contexto, fez
gestões, a pedido do governo da Mauritânia, para que o país
recebesse perdão de sua dívida, no âmbito da referida
iniciativa. O perdão foi concedido, com voto favorável do Brasil,
e o governo da Mauritânia endereçou carta às autoridades
brasilerias agradecendo o apoio.
↩
719. O Governo do Gabão sugeriu conversão da dívida em fundos
para investimentos brasileiros no país (parágrafo 16 do
Comunicado Conjunto, assinado em 28 de julho de 2004).
↩
720. A Embaixada em Trípoli registrou essa forte concorrência.
Outros postos também acusaram o fenômeno, inclusive na área
de grandes empreendimentos, onde, por exemplo, no Gabão, a
CVRD perdeu concorrência internacional para a exploração de
jazida de ferro, outorgada a grupo chinês.
↩
721. No referido anteprojeto o montante previsto para doações em
espécie para a rubrica “Doações a Outros Países ou Regiões
para fins de Ações Humanitárias Internacionais“ era de R$ 12
milhões.
↩
722. Anteprojeto de Lei – Ações Humanitárias Internacionais. Mimeo.
↩
723. Posteriormente, a Embaixada em Rabat sugeriu também, mas
desta vez sem que houvesse uma resposta positiva, que o
Brasil doasse o mesmo tipo de equipamento ao governo
marroquino, tendo em conta o grande problema que a praga de
gafanhotos representava para aquele país.
↩
724. Posteriormente, com recursos da ABC (Agência Brasileira de
Cooperação), foi dado treinamento aos pilotos e capacitação
aos técnicos envolvidos na operação.
↩
725. A posição brasileira é, em geral, bem compreendida pelos
parceiros africanos. Em Nairobi, reportou a embaixada
brasileira naquela cidade, foi registrado o entusiasmo dos
interlocutores africanos com as perspectivas de adensamento
das relações com o Brasil e o interesse desses interlocutores
pela cooperação com o Brasil, mesmo percebendo que o Brasil
não é um doador do tipo clássico. Para as autoridades
quenianas, seria positivo ver o Brasil disposto “a transferir
tecnologia e formar quadros sem exigir contrapartidas
comprometedoras, políticas ou econômicas“.
↩
726. O Fundo Ibas foi criado em Nova Iorque, à margem da sessão
de abertura da 58ª Assembleia Geral das Nações Unidas,
quando Brasil, Índia e África do Sul constituíram-no com o
objetivo de financiar ações de combate à fome e à pobreza,
para ser administrado pelo PNUD. O objetivo deste fundo é
reproduzir e disseminar políticas e projetos sociais bem- -
sucedidos em países em desenvolvimento, em áreas como
ampliação de acesso a saúde, educação, saneamento e
segurança alimentar, entre outras. O fundo do Ibas foi
concebido com o propósito de complementar esforços voltados
para o desenvolvimento e, em dezembro de 2006, recebeu o
prêmio de Cooperação Sul-Sul outorgado pelo PNUD.
↩
727. Para discussão dessa matéria, em particular, foi realizada
entrevista com a Assessoria Internacional do PN DST/AIDS, em
novembro de 2006.
↩
728. Entre os êxitos registrados pelo Brasil no contexto da
exportação de seu modelo de tratamento para pacientes
soropositivos em países em desenvolvimento cabe mencionar
os seguintes: aprovação da Resolução 33/2001, durante a 57ª.
Sessão da Comissão de Direitos Humanos da ONU que
consagrou o acesso de medicamentos para AIDS como um
direito humano básico; a aprovação da proposta brasileira na
OMS, em maio de 2001, que alerta para a necessidade de
serem disponibilizados medicamentos a preços acessíveis a
todas as vítimas da epidemia de AIDS; o compromisso firmado
na sessão especial da AGNU, em junho de 2001, que marca a
necessidade de uma abordagem integrada entre prevenção,
assistência e treinamento e proteção aos direitos humanos; a
participação ativa do Brasil na criação do Fundo Global da Aids,
Tuberculose e Malária e a aprovação na OMC de proposta na
área de patentes que assegura a proteção à saúde.
↩
729. Informações e comentários sobre o tema colhidos em entrevista
com funcionário do Departamento de Energia, do Itamaraty,
concedida em novembro de 2006.
↩
730. Durante reunião realizada em Londres, em 25 de abril de 2006,
no âmbito do "steering group" do projeto de cooperação Brasil-
Reino Unido-países africanos para o desenvolvimento da
produção de etanol, o representante brasileiro presente
reafirmou o interesse do Governo e do setor privado brasileiro
em promover a produção, consumo e exportação do etanol nos
países africanos, com o objetivo de tornar o etanol uma
commodity internacional. O tema era recente, mas cresceu
muito na agenda da política africana do Brasil. Nesse sentido,
registre-se a reunião convocada pela Ministra Chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff, em setembro de 2006, para instalar um
mecanismo de coordenação e articulação dos diferentes órgãos
do Governo de alguma forma envolvidos com a questão dos
biocombustíveis, a fim de buscarem assegurar o conjunto dos
interesses brasileiros nessa matéria e, também, de evitar que o
evidente crescimento das expectativas junto a interlocutores
estrangeiros acabasse por criar constrangimentos no
relacionamento bilateral, caso não pudessem ser atendidas. O
próprio Presidente Lula indicou, inúmeras vezes, o interesse
brasileiro em expandir o programa de cooperação na área de
biocombustíveis com os parceiros africanos. Durante encontro
que mantiveram, em Brasília, à margem da I Cúpula do Ibas,
em setembro de 2006, ele comentou com seu homólogo sul-
africano, Thabo Mbeki, que “cada vez que penso nesses
programas, penso na África“. As autoridades brasileiras, por
sua vez, sublinharam o potencial econômico, social e ambiental
do programa de biodiesel. O modelo brasileiro, em que as
energias renováveis têm papel destacado, em particular as
hidroelétricas, era frequentemente citado. Na abertura da 10ª
Conferência e Seminário sobre o Negócio e o Financiamento do
Petróleo e do Gás na África, realizada em Argel, em março de
2006, o Secretário-Geral da UNCTAD, Supachai Panitchpakdi,
fez longa e elogiosa referência à experiência brasileira no
desenvolvimento de fontes de energia alternativas, em especial
os biocombustíveis. Panitchpakdi recomendou aos países
africanos, em particular aqueles dependentes de fontes
externas de energia, que levassem em conta a experiência
brasileira. O Presidente Wade, do Senegal, comentou, em
encontro com o Presidente Lula, à margem da II CIAD, que os
biocombustíveis são muito importantes para a África, que
“possui muitas terras cultiváveis ainda ociosas“. Ele sugeriu que
esse tema se tornasse prioridade na agenda de cooperação
entre o Brasil e a África. Desta vez durante sua intervenção na
primeira mesa redonda da II CIAD, em julho de 2006, em
Salvador, Bahia, o Presidente Lula fez novamente amplas
referências aos biocombustíveis e exortou uma parceria entre
brasileiros e africanos nesse domínio. Ao Presidente Wade,
disse que os biocombustíveis podem ser a base energética
capaz de contribuir para o desenvolvimento dos países mais
pobres e gerar empregos; e também que o programa brasileiro
pode ser “uma grande chance para o continente africano“.
Posteriormente, ainda em julho de 2006, o Senegal realizou a
Reunião dos Ministros da Energia dos Países Africanos não
produtores de Petróleo e decidiu criar uma Fundação de
Energias Alternativas, destinada à implantação de um programa
de bionergia, para o qual buscavam assistência e tecnologia
brasileiras. A ideia seria estender esse programa a países
vizinhos, como o Mali e Guiné-Bissau. O Presidente Lula não
pôde comparecer à referida Reunião, mas enviou carta ao
Presidente Wade, anfitrião do evento, em que afirmava o
seguinte: “a área de energia é essencial para o
desenvolvimento sustentável de nossos países. Com as altas
recordes dos preços internacionais do petróleo e seus
derivados, o etanol e o biodiesel surgem como a melhor
alternativa para superar nossa dependência de recursos
fósseis. O Brasil está disposto a compartilhar seu conhecimento
acumulado no desenvolvimento e uso de etanol de cana-de-
açúcar como combustível automotivo, bem como a experiência
inovadora do programa do biodeisel e do H-Bio. Parceria entre
[o] Brasil e os países africanos nessa área tem todos os
elementos necessários para prosperar e tornar-se estratégica“.
Na sequência dessa carta e da Reunião realizada em Dacar,
uma missão brasileira visitou a capital senegalesa em
novembro de 2006 para a elaboração de projeto de cooperação
técnica com o Senegal com vistas à produção de
biocombustíveis naquele país.
Ainda no contexto das perspectivas de cooperação na área de
biocombustíveis, é bastante singular o caso nigeriano. O país,
grande produtor de petróleo, mostrou-se comprometido com o
desenvolvimento de programas de energias renováveis para
atendimento à demanda interna e adotou legislação que
determina a incorporação de etanol à gasolina consumida no
país. Para dar início ao programa, o setor privado nigeriano,
com o endosso governamental, começou a negociar a
importação de etanol brasileiro. Ao mesmo tempo, estava
planejando o desenvolvimento da indústria de produção de
cana e mandioca, assim como a instalação de usinas
produtoras de álcool no país. Em ambos os casos, foi buscada
a assistência técnica e investimentos brasileiros. Segundo o
Presidente Obasanjo, da Nigéria, havia vantagens sociais e
ambientais no programa do etanol, que deveria ser
desenvolvido com base na atual estrutura fundiária do país, de
pequenos lotes, em áreas de terra de propriedade particular ou
comunal, o que poderia contribuir para a fixação do homem à
terra e para o aumento de sua renda. As empresas de petróleo
do Brasil (Petrobras) e da Nigéria (NNPC) estão discutindo uma
possível parceria também na área de energias renováveis, que
são parte do desenvolvimento estratégico de ambas as
empresas. Ainda nesse campo, são também dignas de registro
as possibilidades de parceria com a RDC. Autoridades
congolesas estiveram no Brasil em 2005, para explorar
possíveis parcerias e assistência brasileira no setor mineiro e
energético e registraram o potencial de produção de energia
hidrelétrica e de biocombustível do país, uma vez que se trata
do país que detém as maiores reservas de água na África, com
a segunda maior bacia hidrográfica do mundo, depois da
Amazônia, e enorme quantidade de terras aráveis. Registre-se,
assim, a realização, em março de 2006, de missão, ao Brasil,
de Ministros da Agricultura da SADC, que foram trazidos ao
País para conhecerem o programa brasileiro de etanol e
realizaram visita a complexo sucroalcooleiro da região de
Ribeirão Preto. Por fim, duas missões brasileiras estiveram em
Gaborone, em 2003 e 2004, a fim de apresentar a tecnologia
brasileira de produção de etanol ao Secretariado da SADC, que
vinha demonstrando grande interesse em dar seguimento a
esses contatos e a uma possível cooperação Brasil – SADC
nesse domínio.
↩
731. Lopes, 2005, p.61-62.
↩
732. O programa de alfabetização de jovens e adultos do
Alfabetização Solidária estava implantado em Cabo Verde,
Moçambique e São Tomé e Príncipe.
↩
733. O Bolsa-Família, agora Bolsa-Escola, estava implantado em
Moçambique e São Tomé e Príncipe.
↩
734. A ABC enviou, em agosto de 2006, a todos os postos na África,
pedido de comentários acerca do estádio de implementação
dos projetos de cooperação. As respostas indicaram, de
maneira geral, lentidão na implementação das ações
acordadas.
↩
735. Levantamento da demanda de cooperação ao Brasil indicou,
nos variados campos, solicitações ou manifestações de
interesse por parte de 47 países. Fora dessa listagem poderão
ter escapado solicitações feitas, por exemplo, por intermédio
das representações brasileiras junto a organismos
internacionais, ou junto a capitais, como Washington, onde
várias representações africanas têm suas representações
cumulativas com o Brasil. Os países que não constam da lista
de potenciais parceiros, com demandas ou interesses já
indicados seriam, segundo esse mesmo levantamento, os
seguintes: Djibouti, Eritreia, Libéria, Niger, República Centro-
Africana, Seicheles e Serra Leoa.
↩
736. O êxito do programa nacional de luta contra a AIDS e os
resultados da política nacional de combate ao HIV/AIDS, em
paralelo à expansão da doença na África e o protagonismo do
Brasil nos foros internacionais, em que o tema estava direta ou
indiretamente em debate, terão sido determinantes para que os
países africanos passassem a procurar a assistência brasileira
ainda no final dos anos 90. A evolução do envolvimento
brasileiro em ações de cooperação internacional nessa área
está registrada no trabalho do Conselheiro Francisco Luz,
apresentado no L Curso de Altos Estudos, sob o título A
questão da AIDS na África Austral: Realidades e perspectivas
da cooperação brasileira com os países da região para o
combate à pandemia. Brasília, 2006. Ali, ele aponta como o
Ministério da Saúde criou estruturas internas responsáveis pela
formulação e gestão da estratégia e do programa de
cooperação internacional do Brasil no domínio do HIV/AIDS,
que se estende por praticamente todo o mundo, mas, em
particular, pela América Latina e pela África.
↩
737. Foram assinados, em outubro de 2005, memorandos de
entendimentos entre o Governo brasileiro – MEC, a FAO e os
Governos de Moçambique, Cabo Verde e Angola para apoio
aos respectivos programas nacionais de segurança alimentar,
no âmbito das metas do milênio, com ênfase na prestação de
assistência técnica brasileira à implantação, nesses países, de
programas de merenda escolar.
↩
738. Em 8 e 9 de setembro de 2004, vinte Chefes de Estado
africanos reuniram-se em Ouagadougou na Cúpula
Extraordinária sobre a Pobreza na África e adotaram um plano
de ação de combate à pobreza no continente africano, com o
objetivo de lançar as bases de um processo para a criação de
empregos no continente, onde apenas 6% a 25% dos
trabalhadores ocupam emprego assalariado (os restantes
desempregados, na agricultura ou na informalidade) Desses,
70% são empregados no setor agrícola.
↩
739. O PCI em Cabo Verde vinha sendo realizado em parceria com o
Programa HIV/AIDS do Estado de Pernambuco. O estudo de
viabilidade para instalação de fábrica de antirretrovirais em
Moçambique, com a FIOCRUZ e a Secretaria de Saúde do
Estado de São Paulo.
↩
740. Assessoria Internacional do PN DST/AIDS, entrevista citada.
↩
741. A principal iniciativa de cooperação bilateral relativa à AIDS até
então realizada na África, tanto quanto na América Latina, era o
Programa de Cooperação Internacional (PCI), voltado para a
capacitação em assistência e manejo clínico de pacientes
soropositos e logística de medicamentos, inclusive a doação de
medicamentos antirretrovirais (ARVs) produzidos em
laboratórios brasileiros. Em 2006, o PCI, em sua fase II,
chegava a três países: Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé
e Príncipe. Nessa segunda fase, o programa estava voltado
para países de menor incidência ou em que o crescimento das
taxas de contaminação ainda possa ser controlado, dando à
cooperação brasileira chances de maior impacto social e
epidemiológico. Nesse sentido, o PCI II oferecia tratamento
universal e objetiva a redução das taxas de transmissão vertical
do vírus. Assim, segundo os técnicos do PN DST/AIDS, além
de seu elemento assistencial e humanitário, o PCI fazia parte
da política e estratégia nacionais em defesa do tratamento
universal dos pacientes soropositos em países em
desenvolvimento. O objetivo primordial do PCI era exatamente
o de contribuir para a ampliação do acesso ao tratamento com
ARVs nos países em desenvolvimento, comprovando a
viabilidade econômica e técnica dessa política mesmo em
países de menor desenvolvimento relativo. Com a perspectiva
de estimular a cooperação internacional, inclusive com a África,
a UNAIDS e o Governo brasileiro criaram, em 2004, o Centro
Internacional de Cooperação Técnica (CICT) em HIV/AIDS. O
CICT tem composição internacional, e lhe cabe a tarefa de
identificar as boas práticas brasileiras na matéria e viabilizar
sua transferência para os países interessados em programas
de cooperação.
↩
742. Trata-se da Fase II do PCI. Em Bissau, o programa era operado
em conjunto com o UNICEF e o UNAIDS. Em Moçambique, o
programa, ainda na fase I, recebia apoio da Fundação Ford.
↩
743. Foram os recursos da rubrica CPLP, no valor de US$ 487 mil,
liberados em dezembro de 2004 e repassados para o projeto
ABC/PNUD, que permitiram o financiamento do estudo de
viabilidade do projeto da fábrica de antirretrovirais. A oferta de
apoio brasileiro para a instalação de fábrica de antirretrovirais
em Moçambique data da viagem do Presidente Lula a Maputo,
em novembro de 2003.
↩
744. A cooperação Brasil-Japão e terceiros países está
regulamentada por documento assinado pelos dois países em
2000. Tem como áreas prioriárias educação, agricultura e saúde
e está orientada essencialmente para os Palop.
↩
745. A Junta Diretora do Fundo, que se reúne trimestralmente em
Nova York, estava, no final de 2006, completando o processo
de análise dos documentos relativos à apresentação de
projetos e gestão do Fundo, com base em procedimentos
seguidos pelo PNUD, mas revistos à luz da orientação de
simplificação dos procedimentos destinados à promoção das
ações de cooperação Sul-Sul.
↩
746. Fonte Embrapa, Coordenadoria de Cooperação Internacional,
em novembro de 2006.
↩
747. Técnica brasileira responsável pela implementação das
diretrizes da Política de Atenção Integral às Pessoas com
Doenças Falciformes no Brasil compareceu ao III Congresso
Científico Internacional sobre a Drepanocitose (anemia
falciforme), realizado em Dacar, e indicou que o Brasil poderia
realizar programas de cooperação bilateral com os países
africanos na área da detecção precoce e tratamento da anemia
falciforme.
↩
748. Este é o valor do saldo financeiro, ou seja, valores efetivamente
recebidos menos pagamentos efetivados, referente aos projetos
BRA/94/17 e BRA/98/04, que foram, ao longo do período 2003-
2006, substituídos, respectivamente, pelos projetos BRA/04/44
e BRA/04/43.
↩
749. A Nigéria, que tem centros de pesquisa e universidades
dedicadas ao estudo e desenvolvimento de projetos na área de
energia nuclear, pediu ao Brasil que avaliasse a possibilidade
de iniciarem um programa de cooperação nessa matéria, à luz
da instalação, em julho de 2006, da Comissão de Energia
Atômica da Nigéria.
↩
750. Não obstante, no relatório oficial (Relatório Visita da Senhora
Ministra Matilde Ribeiro a Angola. África do Sul e Moçambique.
27 de setembro a 5 de outubro de 2003. Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Presidência da
República. Seppir), em sua conclusão, a Ministra Matilde
Ribeiro informa que “nos três países visitados, há possibilidade
de avanços nas relações efetivas com o Brasil no que diz
respeito à promoção da igualdade racial e seu vínculo com as
questões econômicas, sociais e culturais. Especificamente para
a população negra brasileira, esta aproximação significa um
grande passo na promoção da igualdade racial, recuperando
sua autoestima, através do conhecimento e reconhecimento de
sua história, e na possibilidade de relações realistas com sua
identidade, hoje dividida, a ser saudada e que não se extingue
nessses primeiros passos“.
↩
751. Segundo relato oficial da visita, a Comissária de Direitos
Humanos da África do Sul, Zanke Majodina, ressaltou as
semelhanças dos problemas enfrentados pelos dois países na
área dos direitos humanos e disse ver boas possibilidades de
cooperação na área de promoção da igualdade racial. A
Ministra Ribeiro apontou três aspectos importantes para a
cooperação: comparação das legislações nacionais; as políticas
de ação afirmativa; e as formas de institucionalização dessas
políticas. Ainda na África do Sul, na Universidade da África do
Sul (UNISA), a Ministra Ribeiro discutiu as perspectivas de uma
cooperação que previsse realização de seminários e
intercâmbio de pesquisadores sobre esses temas.
↩
752. Entre os papéis que a Diáspora africana tem desempenhado
nas relações com a África estão o de financiar o
desenvolvimento africano, via remessa financeiras; o de prover
recursos humanos, mediante o retorno especialmente da
comunidade acadêmica e dos quadros superiores que
emigraram e atuam no exterior; o de fomentar e financiar
grupos políticos de oposição e movimentos rebeldes que atuam
em conflitos civis; ou, ainda, o de contribuir para a promoção de
temas da agenda democrática e de direitos humanos.
↩
753. Poderia também ser registrada a evolução das relações do
Brasil com os países africanos em outros foros econômicos
multilaterais, por exemplo, os organismos financeiros
internacionais, em que os representantes brasileiros foram
orientados para defender as posições de países africanos,
como no caso de Cabo Verde e das negociações, que as
autoridades daquele país queriam retardar, para sua eventual
requalificação não mais como país participante da categoria dos
países menos desenvolvidos, mas já como país de
desenvolvimento médio.
↩
754. Em 2004, além do Brasil, também tinham assento não
permanente no CSNU as delegações de Angola, Argélia e
Benin. Em 2005, Angola foi substituída pela Tanzânia,
mantendo- se os outros dois membros.
↩
755. O Brasil já ocupara assento não permanente no CSNU nos
biênios de 46-47, 51-52, 54-55, 63-64, 67-68, 88-89, 93-94 e
98-99.
↩
756. O documento S/2006/10, de 1/3/2006, que contém o resumo da
declaração do Secretário Geral com os itens na pauta do
Conselho de Segurança em dezembro de 2005, indica, de um
total de 124 temas, 35 que estão diretamente associados ao
continente africano e a ameaças à paz e à segurança na África.
O documento A/61/2 registra, por sua vez, que, entre os 44
temas efetivamente tratados em reuniões do Conselho de
Segurança entre julho de 2005 e junho de 2006, 16 eram
relativos a países e regiões da África. Esse número não reflete,
todavia, a quantidade de reuniões dedicadas a temas africanos,
entre os quais Sudão e RDC, que se realizam em bases até
mesmos mensais.
↩
757. O Grupo Consultivo Ad Hoc do Ecosoc para a Guiné-Bissau foi
criado em novembro de 2002 e, desde então, seu mandato vem
sendo renovado anualmente, com especial empenho do Brasil,
entre outros países, no sentido de assegurar essa renovação. O
mandato dispõe que o Grupo deverá empenhar-se em
promover as condições de recuperação socioeconômica
naquele país, de modo a evitar a retomada de conflitos.
↩
758. Doc. A/59/2005.
↩
759. Nota à Imprensa n. 361, de 02/09/2003, publicada pela
Assessoria de Imprensa do Gabinete do MRE, intitulada
Comunicado do G-20.
↩
760. A sigla Nama vem das iniciais, em inglês, para Non-Agricultural
Market Access ou Acesso ao Mercado de Não Agrícolas.
↩
761. O Benin, inicialmente coordenador do C-4, passou, em 2006, a
coordenar também o GA.
↩
762. Nota à Imprensa n. 240, de 12/06/2004, publicada pela
Assessoria de Imprensa do Gabinete do MRE, intitulada
Comunicado Ministerial do G-20.
↩
763. Nota à Imprensa n. 339, de 20/08/2003, publicada pela
Assessoria de Imprensa do Gabinete do MRE, intitulada
Proposta Conjunta de um Grupo de PEDs sobre Agricultura.
↩
764. Nota n. 554, de 09/09/2006, emitida pela Assessoria de
Imprensa do Gabinete do MRE.
↩
765. Discurso do Ministro das Relações Exteriores, Embaixador
Celso Amorim, na V Reunião Ministerial da OMC. Nota n. 378,
de 11/09/2003, emitida pela Assessoria de Imprensa do
Gabinete do MRE.
↩
766. Notas do Ministro Celso Amorim na sessão do Comitê de
Negociações Comerciais da OMC – Genebra, 24 de julho de
2006. Nota n. 451, de 24/07/2006, emitida pela Assessoria de
Imprensa do Gabinete do MRE.
↩
767. Na verdade, esses números variam, conforme as fontes. A
página oficial do Governo francês que registra a realização da
Conferência de Paris indica 15 países, dos quais 6 africanos
(Congo, Cote d´Ivoire, Gabão, Guiné, Madagascar e Maurício),
como tendo inicialmente aderido ao projeto da taxação de
passagens. Posteriormente, quando da realização da Reunião
Plenária de Brasília, teria também aderido o Mali. A página
oficial da Unaids indica que, em setembro de 2006, quando
criado o Unitaid, eram 5 os países que já cobravam
efetivamente a contribuição solidária sobre passagens aéreas:
Chile, Cote d´Ivoire, Gabão, França e Ilhas Maurício.
↩
768. Doc. A/59/565.
↩
769. Doc. A/59/L.64
↩
770. Ezulwini é o nome de uma localidade na Suazilândia, onde se
reuniram, em fevereiro de 2005, um comitê de representantes
da UA encarregados de definir a posição continental que ficou
conhecida como Consenso de Ezulwini e que, posteriormente,
em março de 2005, viria a ser endossada pelo Conselho
Executivo e pela Assembleia da UA.
↩
771. Esse projeto voltou a ser tabulado, no âmbito da 60ª. AGNU,
sob o número A/60/L.41, mas também não chegou a ser
votado. A proposta africana previa a expansão em 6 assentos
permanentes, dos quais dois para a África, e 5 não
permanentes.
↩
772. Esse diagnóstico foi apresentado pelo Presidente da UA, o
Presidente Olusegun Obasanjo, da Nigéria, em carta que
enviou a seus homólogos africanos, em 20 de julho de 2005,
propondo uma solução de compromisso entre o G-4 e os países
africanos. A proposta nigeriana não evoluiu.
↩
773. Em julho/agosto de 2005, foram visitados os seguintes países:
África do Sul, Argélia, Benin, Botsuana, Burquina Faso,
Burundi, Cabo Verde, Congo, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana,
Ilhas Maurício, Lesoto, Libéria, Maláui, Mali, Marrocos,
Moçambique, Namíbia, Quênia, Ruanda, São Tomé e Príncipe,
Seicheles, Serra Leoa, Suazilândia, Tanzânia, Togo, Tunísia,
Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
↩
774. Em setembro/outubro de 2005, foram visitados os seguintes
países: Angola, Burquina Faso, Congo, Djibouti, Eritreia,
Etiópia, Gana, Guiné, Guiné-Equatorial, Mali, Marrocos,
Moçambique, Namíbia, Niger, Quênia, República Centro-
Africana, RDC, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Tanzânia, Togo,
Tunísia, Uganda, Zâmbia e Zimbábue.
↩
775. Essas gestões ocorreram, por exemplo, já em setembro de
2003, com pedido de que houvesse referência e apoio à
candidatura brasileira durante o debate geral da 58ª AGNU; em
janeiro de 2005, para apresentação do G-4 e de suas posições;
e em novembro/dezembro de 2006, por ocasião de mais um
debate na AGNU sobre o tema da reforma.
↩
776. O tema foi objeto de gestões por parte das delegações
brasileiras que compareceram, entre outras, à XIV Conferência
do Movimento dos Não Alinhados, na África do Sul, em agosto
de 2004, à Reunião Internacional para a Revisão da
Implementação do Programa de Ação de Barbados sobre o
Desenvolvimento Sustentável de Pequenos Estados Insulares
em Desenvolvimento, nas Ilhas Maurício, em janeiro de 2005;
na Reunião Ministerial do MNA, em Putrajaya, na Malásia, em
maio de 2006.
↩
777. ADEBAJO, Adekeye; SCANLON, Helen (Orgs.). A dialogue of
the deaf. Essays on Africa and The United Nations. The Centre
for Conflict Resolution (é o centro de pesquisas responsável
pela obra) Impresso em Jacana Media (Pty) LTd. Sunnyside,
South Africa, 2006.
↩
778. Adebajo; Scanlon, 2006, p.7.
↩
779. Idem, p.7.
↩
780. Ibidem, p.2.
↩
781. Na Cúpula de Maputo, em julho de 2003, a UA aprovou
emendas à Carta da Organização. No artigo 4, referente aos
princípios, acolheu o direito de intervenção em estado membro,
por decisão do Conselho de Paz e Segurança daquela
Organização, em casos de crimes de guerra, genocídio e
crimes contra a Humanidade, bem como em caso de séria
ameaça à ordem, com o objetivo de restaurar a paz e a
estabilidade.
↩
782. Adebajo e Scanlon, 2006, p.9.
↩
783. A propósito, cabe referir editorial do diário sudanês, The Sudan
Tribune, em sua edição de 6 de março de 2005, que, em artigo
intitulado “Africa and the UN Security Council seats“, em que o
editorialista sugere que o continente africano, antes de lançar-
se em um debate sobre quais deveriam ser seus
representantes em um Conselho de Segurança alargado,
deveria ter respondido às seguintes questões: por que o
continente precisa desses assentos permanentes? Como o
continente pretende utilizá-los? E então indagar quais seriam os
países em melhores condições de ocupá-los.
↩
784. Em tese apresentada ao 50º CAE (2006), com o título Os
Estados Unidos e a reforma do conselho de segurança das
Nações Unidas. A Evolução da Posição Norte-Americana e
seus Efeitos sobre a Candidatura Brasileira a Membro
Permanente do CSNU, o Conselheiro Breno Costa (p.159-160)
informa que “Recente levantamento feito pelo Departamento de
Estado concluiu que a média de votos coincidentes com os
EUA, na Assembleia-Geral, entre 1999 e 2004, foi a seguinte
para os principais candidatos a membros permanentes do
Conselho: Alemanha (55%), Japão (50%), Brasil (29%), Nigéria
(25%), África do Sul (25%), Índia (20%) e Egito (18%). Por outro
lado, cabe registrar que, na qualidade de membro não
permanente do CSNU, no período 2005/06, o Japão, até o
momento, coincidiu em 100% com as votações norte-
americanas naquele órgão“.
↩
785. Dados de 2005 divulgados pelo IBGE. Do total de 184.388.620
habitantes no Brasil, 6,3% se autodeclararam negros e 43,2%
pardos.
↩
786. Estudo publicado, em setembro de 2006, pela Fundação
Getúlio Vargas, de autoria de Marcelo Neri, com base em dados
do Programa Nacional de Amostragem por Domicílio (PNAD)
2005.
↩
787. Matilde Ribeiro explicou que “agora que conhece a África sob o
olhar governamental, vê que muitas das formulações que
construímos sobre a África, enquanto sociedade civil e mesmo
como governo, foram romanceadas e idealizadas. Vejo, na
África, processos democráticos e ditaduras, e também
processos excludentes. Não apenas a África-Mãe, como marco
de resistência. E, na agenda do Movimento Negro, sempre se
incorporou não só a África mas também a visão da Diáspora“.
↩
788. Shelby, 2005.
↩
789. Idem, p. 2.
↩
790. Shelby (Ibidem) aponta também, entre os críticos, os que
alegam serem irracionais, incoerentes, ilusórias ou moralmente
problemáticas as formas de solidariedade e identidade cultural
assentes sobre a noção de raça, os que argumentam que, à luz
do crescente antagonismo interracial e da necessidade de
maior cooperação entre as raças, qualquer forma de
particularismo racial é desnecessariamente divisivo e hostil, ou
ainda os que sustentam que a solidariedade de base racial é
incompatível com ideias amplamente consagradas relativas à
integração racial, à afirmação de uma identidade comum, no
caso norte-americana, ou de uma sociedade sem cor. De outra
corrente analítica, provêm outros críticos que reclamam
atenção, prioritariamente, para questões como pobreza,
crescentes iniquidades socioeconômicas, violações de direitos
humanos e as consequências negativas da globalização, entre
outras.
↩
791. Ib., p.3 e ss.
↩
792. Shelby (Ib., p. 57) elenca os fundamentos filosóficos para a
solidariedade negra e, dentre todos, privilegia o que chama de
“nacionalismo pragmático“, que “trata a solidariedade negra
como uma estratégia capaz de promover uma igualdade racial
substantiva e, no meio tempo, como um mecanismo de
autodefesa coletiva contra a opressão racial. (...) perfeitamente
consistente com o objetivo de promover um mundo onde as
identidades ‘raciais’ não sejam mais consideradas necessárias
ou importantes, inclusive para aqueles que foram
historicamente mais desfavorecidos em razão do racismo“.
↩
793. Da mesma forma, Sueli Carneiro denunciou a tentativa de
rejeitar-se, no debate político nacional, o conceito de raça, que
foi instrumental, até agora, para a construção de uma realidade
social e um modelo econômico cuja transformação impõe o
reconhecimento das diferenças raciais. Para ela, só a noção de
raça pode servir de remédio, ou antídoto, contra os problemas
advindos da aplicação desse mesmo conceito. Entrevista à
autora em março de 2006.
↩
794. O registro do perdão consta do relatório da viagem que a então
Ministra Matilde Ribeiro preparou a propósito da viagem
presidencial ao Senegal, em abril de 2005.
↩
795. Disponível em: http://www.ptgte.org.br/pt25anos. Acesso em: 26
jul. 2006.
↩
796. a lista não é exaustiva, sobretudo no que diz respeito a
encontros ocorridos à margem de encontros internacionais e
também às reuniões ministeriais de âmbito multilateral, que
tendem a ser omitidas nas listagens preparadas pela área
política, onde são privilegiadas as visitas oficiais bilaterais.
↩
797. Inclui visitas e missões de autoridades brasileiras a países
africanos (até nível de subsecretário) e de autoridades
estrangeiras (Chefes de Estado e de Governo e Chanceleres)
ao Brasil no período 2003 - 2006.
↩
Você terminou Política Externa como Ação Afirmativa: o Governo Lula na África
Irene Vida Gala