Uma nova ciência para um novo senso comum
Crise na escola
A crise da família revela-se na crise das relações de gênero, no enfraquecimento do patriarcalismo, na emancipação feminina e na afirmação de novos papéis sexuais conquistados pelo homossexualismo. O aumento da quantidade de divórcios e a substancial diminuição de casamentos formais aliados à redução drástica do número de filhos são fatores que confirmam a crise da família moderna tradicional. Conforme Hobsbawm (1995), o número de pessoas vivendo sós também disparou e em muitas grandes cidades ocidentais o número de casas com pessoas morando sozinhas atingiu a metade do total. Sem falar no caso da China, onde só é permitida a presença de um único filho e grande parte dos casais prefere não ter nenhum.
A simples constatação de todas essas mudanças é mais do que suficiente para confirmar que aquele modelo clássico de família, construído a partir da modernidade, não se sustenta mais e que novos caminhos devem ser traçados a partir da nova realidade que se configura e se desenvolve a uma velocidade cada vez maior.
Crise na escola
Construída sobre as bases do racionalismo cartesiano e do mecanicismo newtoniano, com a crise destes paradigmas, a escola também entra em crise. Aquela escola cartesiana e de estilo barroco, que prioriza a razão e despreza o corpo como uma massa inútil, que separa a teoria da prática e não dá conta do ser humano em sua totalidade, em sua formação como ser para a vida, que oferece os instrumentos para compreensão e dominação da natureza, mas não consegue integrar o homem e o meio ambiente, vai desaparecer (BETTO, 1997).
De fato, as escolas foram ficando para trás no acelerado processo das mudanças ocorridas no mundo durante o século XX e, a partir de seus currículos sistemáticos, não conseguem acompanhar satisfatoriamente o acelerado desenvolvimento das ideias e construções científicotecnológicas de nossa época. Conforme sugere Gaspar (1993), a distância entre o saber abrangido pela escola e aquele gerado pelo homem cresce assustadoramente, e a humanidade vai se tornando, cada vez mais, alheia às suas próprias conquistas.
Enquanto a educação formal chega atrasada na corrida para acompanhar a enlouquecida marcha de uma ciência que carrega em suas bases os princípios de desenvolvimento de uma sociedade capitalista onde os produtos da tecnologia são oferecidos aos usuários, de forma cada vez mais agressiva, criando e impondo necessidades, a escola continua resistindo a mudanças em seu formato. Na visão de Betto (1997), nenhuma outra instituição, à exceção da Igreja Católica, tem resistido tão fortemente a mudanças em seus aspectos fundamentais, como a escola.
Enquanto nas sociedades contemporâneas, as pessoas têm cada vez mais acesso a um gigantesco arcabouço tecnológico que entra e sai do mercado numa velocidade alucinante, permitindo um acesso a informações num curtíssimo intervalo de tempo, a escola ainda teima em permanecer no domínio dos discursos e preleções, com ênfase nos exercícios baseados na instrução, e na crescente quantidade de conteúdos e atividades, na maioria das vezes, descontextualizadas e distantes da realidade, aproximando-se mais do antigo modelo escolástico, em que o conhecimento circulava apenas nos domínios das escolas, do que da nova realidade do século XXI.
Por estes e outros motivos, a escola enfrenta uma de suas maiores crises e deverá sofrer profundas modificações em um curto intervalo de tempo. Em um futuro bem próximo, afirma Gardner (1999, p.47), “a educação será significativamente baseada no computador. Não só grande parte da instrução e avaliação será fornecida por computador, mas os hábitos mentais promovidos pelas interações com o computador serão realçados...”. De fato, quase já não se escreve mais à mão e grande parte dos cálculos e gráficos matemáticos são desenvolvidos pelos computadores. “A tecnologia do computador coloca toda a informação existente no mundo nas pontas dos dedos do indivíduo, literalmente. Isso é uma bênção e uma maldição” (GARDNER, 1999, p. 48).