Uma nova ciência para um novo senso comum
Para uma maior apreciação estética da realidade
Em muitos casos, os argumentos de inclusão e apelos à cidadania estão imbuídos de interesses pela própria consolidação da ciência junto à sociedade. Não é o povo que necessita da ciência, mas a ciência que precisa do apoio popular para dar continuidade aos seus projetos.
Para uma maior apreciação estética da realidade
Por fim, queremos chamar a atenção para um tipo de argumento que quase não aparece nas discussões atuais em defesa da democratização do acesso ao conhecimento científico e tecnológico. Trata-se dos apelos estéticos que, em outros momentos históricos, já foram usados com maior frequência.
Desse ponto de vista, a popularização da ciência possibilitaria um olhar diferente do mundo. Se a apreciação da beleza está muito mais no homem que nas próprias coisas, o desenvolvimento da faculdade de conhecer propiciará uma visão mais abrangente e de maior profundidade estética.
Sabemos que dadas às diferenças entre as realidades, as aspirações e as
habilidades dos homens e mulheres do planeta, uns poucos vão se tornar
cientistas. Mas, mesmo não sendo cientista é possível ao cidadão adquirir
a compreensão da ciência, apreciando os encantos do universo e
usufruindo os benefícios do conhecimento e da tecnologia (KRIEGER,
2004).
Mais ou menos na mesma direção, Ribeiro (2005) acredita que um conhecimento mínimo dos instrumentos e da lógica de sua distribuição no corpo de uma orquestra sinfônica, certamente possibilitará uma maior capacidade de apreciação e desfrute da beleza de um concerto. O mesmo tipo de argumento serviria para a ciência. Por exemplo, ao olhar o céu com um mínimo de conhecimento sobre estrelas, constelações, planetas e satélites, com certeza se desfrutará de um cenário diferente comparado àquele de um olhar menos qualificado.
Na verdade, conforme escreve Sánchez Mora (2003), existem duas vertentes argumentativas nesta disputa: a da necessidade e a do prazer, ambas unidas pela ideia de que os excluídos do acesso ao conhecimento científico e tecnológico estão em desvantagem em relação aos que os possuem. Porém, na opinião de Albagli (1996), as iniciativas de natureza estética e destinadas a revelar aos não iniciados a beleza e os mistérios do mundo natural estão hoje em desvantagem em relação às motivações de ordem política e econômica.