Uma nova ciência para um novo senso comum

Marcelo Gomes Germano · Capítulo 45 de 60

Páginas do PDF

Uma nova ciência para um novo senso comum

Difusão científica

espalhou pelo mundo graças à tradução que se denomina Vulgata

(RAICHVARG E JACQUES apud MASSARANI, 1998).

 

É sintomática e reveladora a afirmação de Rostand quando nos convida a assumir, corajosamente, o referido conceito. É inegável que em língua portuguesa ele carrega uma força pejorativa insuperável e mesmo em língua francesa, dado ao tom desafiador notadamente presente no discurso do autor, acreditamos que carregue a mesma força negativa.

 

Alguns autores sustentam que Galileu, contrariando as ordens da Igreja, já no século XVII, procurou difundir entre o povo o sistema copernicano, usando uma língua vulgar (o italiano) ao invés do tradicional latim para escrever duas de suas mais importantes obras: “O diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo” (1624) e “Duas novas ciências” (1636), o que seria uma das primeiras e mais importantes iniciativas no campo da vulgarização da ciência.

 

No cenário brasileiro dos séculos XVI, XVII e XVIII, enquanto o país ainda era uma colônia portuguesa de exploração, as atividades científicas e mesmo de difusão das novas ideias modernas eram praticamente inexistentes. Com uma baixíssima densidade de população letrada, o país era mantido sob rígido controle, e o ensino quase unicamente elementar, esteve nas mãos dos

Jesuítas51 até meados do século XVIII. Só a partir do final do século XVIII e início do século XIX, brasileiros que conheciam Portugal, França e outros países da Europa, começaram a difundir, muito timidamente, algumas ideias da ciência moderna no Brasil (MOREIRA 2002).

 

Embora envolto em uma reconhecida conotação pejorativa, talvez pela forte influência francesa na cultura brasileira, o conceito de vulgarização vai ser bastante utilizado, no Brasil, durante o século XIX, início do século XX e ainda se encontra presente em algumas publicações como no artigo de Miguel Osório de Almeida, “A vulgarização do saber”, (ALMEIDA 2002).

 

Nas décadas de 60 e 70 do século passado, já se mencionava, com alguma frequência, o termo popularização da ciência, todavia, o conceito que vai prevalecer, no Brasil, é, sem dúvida, o de divulgação científica que permanece como designação hegemônica até os dias atuais. Mas antes de investigarmos as nuances relacionadas a esse conceito, vamos dar uma olhada em um outro termo muito usado no Brasil: a difusão científica.

 

Difusão científica

 

Termo proveniente do latim, diffusione é o ato ou efeito de difundir, disseminar, espalhar, ou propagar alguma coisa. A difusão da científica seria, portanto, a disseminação, ou a propagação das ideias e feitos tecnológicos da ciência para um conjunto maior da sociedade. É um termo abrangente que, conforme os relatos históricos apresentados na seção anterior, nasceu ligado ao interesse pela propagação das primeiras conquistas da ciência na modernidade, sobretudo, as primeiras inovações tecnológicas.