Uma nova ciência para um novo senso comum
Contra as pseudociências
Ao aproximar-se do domínio público, a ciência também pode ser importante para combater outras formas de mitos e charlatanices que, apoiados em proposituras falsas e dogmáticas facilmente questionáveis pelo mínimo conhecimento e habilidade com o método científico, ainda são bastante frequentes no mundo moderno. Em “O Mundo Assombrado Pelos Demônios”, Sagan (1996) chama a nossa atenção para esse fato e, embora reconheça os limites e males produzidos pela ciência, ainda deposita grande esperança nessa forma de conhecimento, fazendo uma dura crítica a certos tipos muito populares de pseudociências.
Para o divulgador americano, as falsas ciências ainda se constituem em um lado obscuro da humanidade. Infelizmente, a era da exploração do espaço, dos microcomputadores e da biotecnologia é também marcada pela forte presença da astrologia, cartomancia, quiromancia, videntes, bruxos, magos, curandeiros e diversas seitas que abusam desavergonhadamente da boa fé do povo em todo mundo. Em muitos casos, segundo afirma Hernando (2002, p.13), “as falsas ciências gozam de uma popularidade que não podemos desconhecer”. Valendo-se do prestígio da ciência oficial acadêmica, dispõem de meios muito eficazes de persuasão. Explorando o vocabulário especializado, encontram um excelente campo de cultivo na ignorância e na carência das classes populares. Geralmente a astrologia, confunde-se propositadamente com a Astronomia; a numerologia se confunde com a Matemática e muitas outras seitas procuram confundir as pessoas com argumentações pseudofilosóficas.
Aqui também é importante uma posição de cautela para não assumir uma postura absoluta e dogmática que deposita na ciência, e apenas nela, as respostas para todas as questões humanas. O descredenciamento de outras formas de expressão cultural em benefício de uma única forma de racionalidade, a científica, é tão ou mais prejudicial que as charlatanices que procura combater.
Acreditamos que a popularização da ciência seja necessária, não como uma cruzada em combate às falsas crenças e religiões, mas como uma alternativa de explicação e compreensão da realidade que se expõe democraticamente a uma apreciação livre por parte da sociedade. Não se trata de uma doutrinação para a ciência, mas de uma maior capacidade de apreciação da cultura humana.