Uma nova ciência para um novo senso comum

Marcelo Gomes Germano · Capítulo 25 de 60

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Uma nova ciência para um novo senso comum

A crise epistemológica: os primeiros recuos

Consideradas as mudanças de conceitos verificadas ao longo dessa história, o enfrentamento da questão relativa à veracidade do discurso científico resulta em uma intensa produção acadêmica, sobretudo no campo da epistemologia e filosofia da ciência. A questão já fora inaugurada por Hume quando colocou, em xeque, o princípio da indução e, embora Kant tenha buscado vencer esta dificuldade admitindo que o princípio da indução fosse válido a priori, não conseguiu alcançar grande êxito em seu monumental empreendimento. O problema da verdade de enunciados universais construídos a partir de experiências singulares e o status de verdade do discurso científico continuam em evidência nos debates epistemológicos contemporâneos.

 

A crise epistemológica: os primeiros recuos

 

O falsificacionismo de Popper

 

Como um dos mais importantes expoentes desse debate, Karl

Popper23 24 contrapõe o seu racionalismo crítico ao positivismo

lógico do Círculo de Viena 25, reconhecendo o caráter provisório do conhecimento científico e defendendo o falsificacionismo como único critério de verdade para uma teoria científica. Na visão popperiana, as melhores teorias são aquelas que, afirmadas com maior clareza e abrangência, melhor se expõem à crítica e à falsificabilidade. Conforme o autor, para avaliar uma teoria, o cientista deve indagar se pode ser criticada, isto é, se se expõe a críticas e, em caso afirmativo, se a elas resiste (POPPER,1982, ). Na obra A Lógica da Pesquisa Científica, Popper apresenta sua posição de maneira contundente.