Vitória, a rainha
Capítulo 4
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 5 partes.
29. Ela escreveu a Vicky: “Nenhuma dama, muito menos uma princesa, está à altura de seu esposo ou de sua posição, se faz aquilo”. Hannah Pakula, Uncommon Woman, p. 114.
30. Leonore Davidoff e Catherine Hall, Family Fortunes, p. 27.
31. Um útil resumo das práticas da classe média pode ser lido em Myths of Sexuality, de Lynda Nead, p. 27:
A maneira como as mulheres deveriam representar o papel materno muda historicamente. Uma
importante mudança de comportamento no século XIX diz respeito às amas de leite. No século
XVIII , o uso desse serviço era prática comum entre as famílias abastadas; no entanto, no começo do
século seguinte, e particularmente durante os surtos de cólera e as crises políticas da década de
1840, esse costume passou a ser alvo de ataques. A saúde física e moral das mulheres da classe
operária que ofereciam esse serviço foi questionada e médicos aventaram a possibilidade de
contaminação física/moral da criança (i.e., classe média) pela ama (i.e., classe operária) através da
amamentação. As mulheres da classe média foram vigorosamente instadas a amamentarem os
próprios filhos; a amamentação foi redefinida como prática natural e saudável da mãe de classe
média responsável e os cuidados com a prole como um meio de isolamento e proteção da classe
média contra a corrupção da classe inferior.
32. Vitória, escrevendo a Alice, comenta que amamentar era “animalesco” e vulgar. (Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 70. Essas cartas são citadas em Hannah Pakula, Uncommon Woman, p. 215.)
33. Judith Flanders, The Victorian House, p. 14.
34. Ibid., p. 14.
35. Roger Fulford, Dearest Child, pp. 77-8. Para outra discussão, ver capítulo 4, “Queen Victoria and the Shadow Side”, em Elizabeth Helsinger et al., The Woman Question, v. 1, pp. 63-77.
36. Os versos de Rudyard Kipling abaixo são citados em Judith Flanders, The Victorian House, p. 15: “We asked no social questions/ We pumped no hidden shame/ We never talked obstetrics when the Little Stranger came”. [trad. livre: Não fizemos perguntas sociais/ Não extraímos vergonha escondida/ Nunca discutimos obstetrícia quando o Estranhinho chegou”.] Rudyard Kipling, “The Three Decker”, in Rudyard Kipling’s Verse, p. 380.
37. Citado em Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. 109.
38. 9 fev. 1844, Hugh Wyndham, Correspondence of Sarah Spencer, pp. 339-40.
39. QVJ, 7 mar. 1843: “Fomos para o quarto dos bebês, onde Albert brincava deliciosamente com eles, puxando-os pelo chão num cesto, um após o outro e juntos, o que os divertia bastante. Tudo isso é muito prazeroso aqui em Claremont, onde o berçário fica tão perto de nossos aposentos, ao passo que ai de mim! em Buckingham, fica literalmente a um quilômetro, de modo que não podemos entrar e sair como queremos”.
40. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 231.
41. Roger Fulford, Dearest Child, p. 205, citado em Valerie Sanders, Victorian Fatherhood, p. 30.
42. QVJ, 20 jan. 1848.
43. 3 fev. 1842, Hugh Wyndham, Correspondence of Sarah Spencer, p. 326. Albert conferia o acesso aos cômodos das crianças: “E os complexos giros e trancas e celas, e as mais variadas precauções cerradas, sugestivas dos perigos mais inimagináveis, que temo não serem de todo imaginários, tudo isso é de fazer alguém estremecer! A chave mais importante nunca sai do bolso de Albert e o mero temor é suficiente para lhe franzir o cenho. Com frequência recebemos cartas ameaçadoras dos piores tipos (provavelmente escritas por loucos), dirigidas às crianças. Preferiria que ninguém além de nós soubesse disso. Seria melhor que nem discutíssemos isso; e até agora assim foi mantido por todos nós”.
44. Conforme demonstrou a estudiosa australiana Yvonne Ward, a correspondência trocada por Vitória com a rainha Maria II de Portugal, por exemplo, revela quão preocupada ela estava com seus filhos. Ambas trabalharam e deram à luz durante crises, guerras, tentativas de assassinato e conflitos internacionais. Nessas cartas, omitidas da correspondência editada de Vitória, elas discutiam a utilidade das amas de leite, a cólera, a febre tifoide, vacinas contra a varíola e o desmame assim como o desejo comum de que seus esposos não fossem consumidos pelo trabalho, mas sim reconhecidos pela mestria.
Vitória escreveu para Maria em 2 de junho de 1842: “Garanto-lhe que penso do mesmo modo, o marido deve estar sempre em primeiro lugar; faço de tudo para que assim seja — e me entristeço que ele esteja abaixo de mim em posição; me é doloroso que eu seja a rainha e ele um mero príncipe; mas em meu coração e em minha casa ele é o primeiro, o senhor e a cabeça”. Vitória para Maria, 2 jun. 1842, Lisbon Archives, Torre do Tombo, Caixa 7322/CR150-1, cit. in Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 251.
45. QVJ, 26 dez. 1840: “Desceram a bebê e pude mostrá-la às senhoras. Estava acordada e muito amável e confesso que tive muito orgulho dela”.
46. Hugh Wyndham, Correspondence of Sarah Spencer, p. 391. Anson também observou que a rainha “se interessa cada vez menos por política… e… está bem ocupada com a princesa real”. Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, pp. 88-9.
47. Theodore Martin, The Prince Consort, 2:182.
48. Ibid.
49. QVJ, 10 fev. 1852.
50. Clare Jerrold, Married Life of Victoria, p. 230.
51. Ibid., p. 234.
52. 22 jan. 1848. Greville acrescentou que “a hereditária e infalível antipatia de nossos soberanos por seus herdeiros dos tronos parece assim estar se enraizando, e a rainha não gosta muito da criança”. Lytton Strachey e Roger Fulford, The Greville Memoirs, 6:9; Charles Greville, The Great World, p. 238.
53. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 238.
54. Reverendo D. Newell, citado em Margaret Homans e Adrienne Munich, Remaking Queen Victoria, p. 42.
55. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 29 out. 1844, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 32.
56. Quando Vitória recebeu críticas elogiosas a seu livro Leaves from the Journal of Our Life in the Highlands, publicado em 1884 e dedicado a John Brown, ela afirmou que sabia “perfeitamente bem aquilo que meu povo gosta e aprecia, que é a ‘vida doméstica’ e simplicidade”. Roger Fulford, Beloved Mama, p. 160.
57. Kurt Jagow, Letters of the Prince Consort, p. 141.
16. ANNUS MIRABILIS: O ANO REVOLUCIONÀRIO
1. QVJ, 3 abr. 1848.
2. Sr. Featherstonhaugh, cônsul britânico em Havre, para o visconde Palmerston, 3 mar. 1848, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 188.
3. Alexis de Tocqueville escreveu que Paris estava sinistra e assustadora: “Havia 100 mil operários armados organizados em regimentos, sem trabalho e mortos de fome, mas com as mentes cheias de teorias vãs e esperanças quiméricas”. Tocqueville, Recollections, p. 98.
4. Yvonne M. Ward, “1848: Queen Victoria”, p. 180.
5. Sr. Featherstonhaugh, cônsul britânico em Havre, para o visconde Palmerston, 3 mar. 1848, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 187.
6. Rainha Louise para a rainha Vitória, 7 out. 1844, ibid., v. 2, p. 187.
7. Vitória escreveu ao barão Stockmar, em 6 mar. 1848, que esperara que ela e sua família francesa se entendessem, o que mostra que ela os havia perdoado pela rasteira que lhe deram em relação ao casamento espanhol: “Você sabe de meu amor pela família; e também do meu desejo de que nos entendêssemos de novo… Não fazia ideia de que seria desse modo que nos reencontraríamos, da maneira mais amigável. Que a duquesa de Montpensier, motivo de nosso desentendimento no último ano e meio, vindo para cá como fugitiva, vestindo roupas que lhe emprestei e me agradecendo por minha generosidade, é uma reviravolta que nenhum romancista conceberia e sobre a qual se poderia meditar em termos morais para sempre”. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 24.
8. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 7 mar. 1848, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p.163.
9. QVJ, 29 fev. 1848. Ao escrever sobre o dia da abdicação, o que mais parece ter chocado Vitória foi a angústia da mãe cujos filhos foram tomados de seus braços: “A pobre Hélène teve os filhos arrancados de si. Pode haver coisa mais pavorosa? Paris foi empurrado para um corredor, mas conseguiu voltar a ela, enquanto o pobrezinho do Robert se perdeu por três dias! Contudo um cavalheiro cuidara dele e conseguiu dizer isso a Hélène, que, ao que parece, se comportou com maravilhosa bravura”.
10. 27 fev. 1848, ibid.
11. 16 maio 1848, ibid.
12. Em seu diário ela os chamou de uma “turba de rufiões sedentos de sangue”, “terrível turba estridente” (QVJ, 28 fev. 1848), “turba raivosa e armada”, “horrorosa turba raivosa” (QVJ, 29 fev. 1848), “a ralé medonha” (QVJ, 5 mar. 1848) e, por fim, “gente [que] procede de maneira repulsiva” (QVJ, 1 mar. 1848).
13. A maior parte dos cortes foi feita porque os trechos eram notoriamente políticos ou revelavam uma Vitória pouco discreta ou feminina do ponto de vista eduardiano.
14. Note-se outra eliminação: Vitória disse que desejava que a paz fosse restabelecida na Europa quando “essa sandice acabar” na França. As palavras “na França” foram cortadas na versão final da missiva, 6 fev. 1849, ibid., p. 241.
15. 11 mar. 1848, citado em Yvonne Ward, Censoring Queen Victoria, p. 163.
16. Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. 100. Vitória também escreveu a Leopoldo em 11 de março: “Nossos diminutos motins aqui são meras nulidades e a sensação é boa”. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 8.
17. QVJ, 6 mar. 1848.
18. 7 mar. 1848, ibid.
19. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 158.
20. Escreveu para seu angustiado irmão, Ernest: “Tal irrupção de gente é sempre algo mortificante” e recomendou que “as leis para eleições deveriam ser liberais e extensivas”. Feodora, irmã de Vitória, escreveu de Stuttgart, em 7 abr. 1849: “Você dificilmente compreenderá a situação da Alemanha agora. O desrespeito pelas leis é espantoso… Você não pode imaginar quão cabisbaixo Ernest fica às vezes; e eu fico muito angustiada ao vê-lo assim. Creio que nós, mulheres, suportamos melhor os infortúnios que os homens…”.
21. Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. 101.
22. QVJ, 3 abr. 1848.
23. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 4 abr. 1848, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, pp. 166-7.
24. Phipps para o príncipe, 9 abr. 1848, Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 288.
25. David Goodway, London Chartism, 1838-1848, p. 131.
26. O decreto foi aprovado em 1848, embora não tenha sido aplicado e foi rescindido em 1850. Clive Bloom, Victoria’s Madmen, p. 110.
27. Simon Schama, A History of Britain.
28. J. Belchem, “The Waterloo of Peace”, p. 255.
29. QVJ, 6 abr. 1848.
30. 10 abr. 1848, ibid.
31. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 224.
32. Citado em Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 75.
33. Vitória escreveu, com leve sentimento de culpa: QVJ, 6 abr. 1848. O texto diz: “Albert está assoberbado de tanto trabalho e por isso levanta bem cedo. Minha gratidão não cobre nem metade de tudo o que ele faz para me ajudar… Andamos na caleche e depois fui para o jardim em minha cadeira de rodas e Albert brincava com as quatro crianças. Ele é tão terno, brinca com elas e cuida delas de maneira tão bela e ao mesmo tempo firme”.
34. QVJ, 10 jun. 1848.
35. 13 jun. 1848, ibid.
36. 17 jun. 1848, ibid.
37. James Chambers, Palmerston: The People’s Darling, pp. 178-9.
38. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, pp. 304-5: “Houve um novo arranjo de aposentos em Windsor e o aposento em que Lord Palmerston entrou estava antes ocupado por uma dama afeita a suas atenções e que ele costumava visitar”. Além disso, de acordo com Edgar Feuchtwanger, Albert and Victoria, p. 89. Albert disse a Lord Russell que Palmerston não deveria ser autorizado a forçar a rainha, tampouco, o que parecia mentiroso ou falsamente grosseiro e indelicado.
39. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, pp. 300-1.
40. 4 set. 1848, Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. 103.
41. QVJ, 24 jul. 1848. Vitória escreveu: “Para nós, reconhecermos esse governo ilegítimo de modo a sermos os primeiros a agir em consórcio com ele e ajudar súditos rebeldes a se descartar da devida lealdade, enquanto nos debatemos com uma rebelião na Irlanda, tudo isso desonra e desgraça a Inglaterra. Me expressei de forma contundente sobre esses assuntos a Lord Palmerston”.
42. Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 224. Vitória e Albert contestaram muitas das decisões de Palmerston como ministro das Relações Exteriores, entre 1846 e 1851. Esher eliminou muitas das críticas de Vitória, Albert e Leopoldo dirigidas a Palmerston antes da publicação, “a maior parte em deferência ao rei Eduardo”. As menções ao apelido Pilgerstein foram todas cortadas.
43. Vitória desprezava Palmerston de tal modo que até mesmo o culpou pelas revoluções europeias. E, avessa a qualquer lógica, também o considerou responsável pelo precipitado matrimônio espanhol que foi a razão da desavença entre França e Inglaterra: “Não resta dúvida sobre o sacrifício de todo o bem da Europa à ambição de Lord Palmerston e sua política obstinada. É algo terrível de ser ver”. QVJ, 7 maio 1848.
44. Rainha Vitória para o visconde Palmerston, 17 fev. 1850, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 234.
45. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 227.
46. Quando Russel fez esse pronunciamento no Parlamento, no ano seguinte, os parlamentares ficaram em choque e Palmerston declarou que jamais trabalharia com o premiê de novo (em 4 de março de 1851, a rainha escreveu a Russell lembrando-lhe que ele também “deveria mantê-la constantemente a par do que ocorria e dos humores dos partidos dentro e fora do Parlamento”).
47. Charles Greville, The Great World, p. 289.
48. QVJ, 6 ago. 1848.
49. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 295.
50. QVJ, 21 jul. 1848.
51. As palavras “mais sujo”, usadas ao descrever o povo irlandês em visita a Dublin, em 1849, também foram eliminadas da correspondência publicada: “Uma multidão mais bem-humorada jamais vi, mas também barulhenta, emotiva além do concebível, falante, saltitante e estridente quando deveria ser apenas animada… Veja bem, povo mais sujo, maltrapilho e miserável eu nunca vi”. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 6 ago. 1849, Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 309.
52. James Murphy, Abject Loyalty, p. 66: “No entanto, com o passar do tempo, a atenção de Vitória e Albert se fixou no crescente número de atentados contra senhores de terra na Irlanda. Em 1846, houve 68 assassinatos. Em 1847, foram 98… Incapazes de compreender a fome das massas anônimas, direcionavam sua compaixão aos senhores de terras, alguns dos quais conheciam pessoalmente”.
53. Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. xi.
54. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 228.
55. 13 maio 1849, citado em Hector Bolitho, Albert, Prince Consort, p. 113.
56. Ibid., p. xii.
57. Miles Taylor, “The 1848 Revolutions”, p. 146. Tais comentários eram frequentemente removidos ou atenuados pelos editores — por Esher, em particular, em seu entusiasmo pela França.
58. Ibid., p. 155.
59. No encerramento das atividades do Parlamento, em 5 set. 1848, Vitória disse: “Meu povo, por seu turno, é suficientemente sensível às vantagens da ordem e da serenidade para permitir que arruaceiros tenham qualquer chance de sucesso com seus sinistros planos”. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 106.
60. Rainha Vitória para o rei da Bélgica, 9 jul. 1850, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 256.
61. Conforme Vitória escreveu: “As maiores e menores manifestações de dor são vistas e sentidas de tal maneira como nunca se viu por alguém que ocupou cargo semelhante. Todas as classes sentem que perderam um pai e um amigo”. QVJ, 3 jul. 1848.
62. 9 out. 1849, ibid.
63. 21 mar. 1849, ibid.
17. O QUE ALBERT FEZ: A GRANDE EXPOSIÇÃO DE 1851
1. QVJ, 29 abr. 1851.
2. “The Opening”, Preston Guardian, 3 maio 1851.
3. “Royal Inauguration of the Great Exhibition of 1851”, Morning Post, 2 maio 1851, p. 5.
4. QVJ, 1 maio 1851.
5. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 318. Vitória escreveu a Leopoldo: “Gostaria que você tivesse visto o Primeiro de Maio de 1851, o maior dia de nossa história, o mais belo, imponente e comovente espetáculo jamais visto e o triunfo de meu querido Albert. Foi realmente incrível, um conto de fadas… O caríssimo nome de Albert se imortalizou com essa grande concepção e nossa querida nação mostrou ser digna dela. O triunfo foi imenso”.
6. Roger Fulford, The Prince Consort, p. 222.
7. Michael Leapman, The World for a Shilling, p. 152.
8. Ibid.
9. Para uma descrição mais completa da exposição, ver o excelente relato in Michael Leapman, The World for a Shilling, p. 133.
10. QVJ, 19 maio 1851.
11. Ruth Cowen, Relish, p. 221.
12. Clement K. Shorter, Charlotte Brontë and Her Circle, pp. 425-6.
13. Costume de exposições industriais teve início com as feiras de Frankfurt no século XVI. As exposições começaram em Paris em 1798 e continuaram esporadicamente.
14. Cole também se empenhara na padronização das bitolas ferroviárias, administrara o South Kensington Museum por duas décadas e fora responsável pelos Royal College of Music e Albert Hall. Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 195.
15. Cole e Albert trabalharam juntos em algumas exposições menores na Sociedade das Artes que atraíram grande público. Dez mil pessoas visitaram uma delas em 1849; a mesma quantidade de gente visitava a Grande Exposição por dia.
16. Tratava-se de uma época em que se acreditava que a humanidade começava a atingir um grau mais elevado de entendimento; como disse Tennyson em In Memoriam, o ser humano deve “Se elevar, aprimorando a besta/ E deixar que o macaco e o tigre morram” [“Move upward, working out the beast/ And let the ape and the tiger die”].
17. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 246.
18. Ibid., v. 2, p. 248.
19. Roger Fulford, The Prince Consort, p. 221.
20. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 199.
21. Ibid., p. 197. Além disso, conforme mostra Cecil Woddham-Smith, o coronel Sibthorp se opusera ferozmente ao Decreto das Bibliotecas Públicas também, pois não gostava de ler. Queen Victoria, p. 310.
22. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 358.
23. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 100. Ver também Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, 313n17.
24. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, p. 244.
25. Ruth Cowen, Relish, p. 221.
26. QVJ, 7 jun. 1851.
27. Peter Ackroyd, Dickens, p. 632.
28. Para Lavinia Watson, 11 jul. 1851, Jenny Hartlety, Selected Letters of Dickens, p. 234.
29. Thomas Carlyle para John A. Carlyle, 12 jan. 1851, The Carlyle Letters Online, endereço: 10.1215/lt-18510112-TC-JAC-01; CL 26: 12-4. Disponível em: <carlyleletters.dukepress.edu>. Acesso em: 13 ago. 2018.
30. Thomas Carlyle para Joseph Neuberg, 25 jul. 1851, The Carlyle Letters Online, endereço: 10.1215/lt-18510725-TC-JN-01; CL 26, pp. 110-3. Disponível em: <carlyleletters.dukepress.edu>. Acesso em 2 ago. 2018.
31. Thomas Carlyle para Jean Carlyle Aitken, 10 jun. 1851, The Carlyle Letters Online, endereço: 10.1215/lt-18510610-TC-JCA-01; CL 26, pp. 85-6. Disponível em: <carlyleletters.dukepress.edu>. Acesso em: 2 ago. 2018.
32. Thomas Carlyle para Jean Carlyle Aitken, 4 ago. 1851, The Carlyle Letters Online, endereço: 10.1215/lt-18510804-TC-JCA-01; CL 26, pp. 118-9. Ele suavizou um pouco o tom após ter estado lá acompanhado da esposa, Jane, mas continuou rabugento acerca da ostentação e do aborrecimento. 29 jan. 1951, endereço: 10.1215/lt-18510129-TC-TSS-01; CL 26, pp. 29-31. Disponível em: <carlyleletters.dukepress.edu>. Acesso em: 2 ago. 2018.
33. Llewellyn Woddward, The Age of Reform, p. 106.
34. QVJ, 20 jun. 1851.
35. Bristol Mercury, 3 maio 1851.
36. Lynn McDonald, Florence Nightingale: An Introduction, p. 129.
37. Florence Nightingale, Cassandra, pp. 25-7. E continua: “Nós nos abstemos de qualquer atividade mental, nos flagelamos moralmente, nosso intelecto é austero, tudo para reprimir nossas vontades e como isso é perigoso! Decidimos: ‘nesse dia, nesse mês darei fim a isso’; duas vezes por dia, em orações e anotações sobre as ocasiões em que nos permitimos sonhar, nos esforçamos para acabar com essas ilusões. E nunca conseguimos minimamente”.
38. Ibid., p. 40.
39. Florence Nightingale, Cassandra.
40. Para Florence Nightingale, a inauguração da Grande Exposição era como “o início de uma nova era mundial”. Elogiou Albert pelas duas maiores ideias (a maioria dos homens, escreveu, só tinha “meia”): “a grandeza do trabalho e não da posição social, riqueza ou ascendência; a outra, a coesão da raça humana. Era a primeira vez que operários e uma rainha marchavam juntos e que o esposo de uma rainha era visto como um trabalhador… A segunda, a coesão da raça humana: sempre agradecemos a Deus por não sermos como os outros”. Lynn McDonald, Nightingale on Society and Politics, 5:187.
41. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 438.
42. QVJ, 27 jun. 1850.
43. Um breve artigo publicado no New York Times em 1899 dizia: “A bengala com a qual Robert Pate, um tenente aposentado, atacou a rainha em 1850, deixando Sua Majestade com uma cicatriz que ela ainda carrega, foi anunciada em leilão esta semana, mas o proprietário recebeu notificação oficial de Osborne, na Ilha de Wight, e por essa razão retirou a bengala do leilão. Pate, condenado a exílio de sete anos pela agressão contra sua Majestade, morreu em 1895”. “The Cane That Wounded Royalty”, The New York Times, 15 jan. 1899.
44. QVJ, 22 abr. 1853.
45. Robert Rhodes James, Albert, Prince Consort, p. 110.
46. Albert para a rainha Vitória, Osborne, 9 maio 1853, RA VIC/MAIN/Z/140 9 a 18.
47. Helen Rappaport, Magnificent Obsession, p. 14.
48. QVJ, 22 abr. 1853.
49. Cecil Woodham-Smith, Queen Victoria, p. 329.
18. A CRIMEIA: “ESSA GUERRA INSATISFATÓRIA”
1. Hope Dyson e Alfred Tennyson, Dear and Honoured Lady, p. 39.
2. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 13 out. 1854, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 63.
3. QVJ, 13 fev. 1854.
4. Kellow Chesney, Crimean War Reader, p. 29.
5. QVJ, 28 fev. 1854.
6. 9 fev. 1854, ibid.
7. Suraiya Faroqhi et al., Economic and Social History, v. 2, p. 778.
8. Ela escreveu em 10 de outubro: “Estávamos bem preocupados com a possibilidade de nos descobrirmos comprometidos com uma política perigosa da qual o próprio Lord Aberdeen não gostou e sobre a qual eu deveria ter sido previamente consultada”. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 552.
9. Christian Stockmar, Memoirs of Baron Stockmar, v. 2, p. 475.
10. Nem mesmo a Coroa tinha esse poder, ela mostrou a Lord Clarendon.
11. Rainha Vitória para o conde de Clarendon, 11 out. 1853: “Está cada vez mais claro para a rainha que assumimos junto à França todos os riscos de uma guerra europeia sem estipular aos turcos nenhuma condição relativa à responsabilidade deles pelo conflito”. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 2, p. 456.
12. QVJ, 20 dez. 1853.
13. 25 fev. 1854, ibid.
14. 24 mar. 1854, ibid.
15. Mark Bostridge, Florence Nightingale, p. 203.
16. Kellow Chesney, Crimean War Reader, p. 47.
17. “Campaigning in the Crimea”, The Times, 21 out. 1854, p. 9.
18. “The Battle of the Alma”, The Times, 18 out. 1854, p. 8.
19. “Turkey: From Our Own Correspondent”, The Times, 13 out. 1854, p. 8.
20. Ibid.
21. A taxa de mortalidade não foi reduzida até meados de 1855, quando uma delegação sanitária embarcou da Inglaterra para Scutari e efetuou mudanças significativas no hospital, com reestruturação de larga escala. Um total de 650 mil morreram na guerra. A maioria era russa (475 mil), os franceses mortos foram 95 mil (75 mil por doença). Aproximadamente metade das mortes dos britânicos foi em decorrência de cólera, diarreia e disenteria, e mais de 5 mil morreram de tifo, malária, febre tifoide, congelamento e escorbuto. Clive Ponting, The Crimean War, p. 334.
22. “The Crimea: From Our Own Correspondent”, The Times, 12 out. 1854, p. 7.
23. Elizabeth Grey, The Noise of Drums and Trumpets, p. 104. O repórter do Times era o irlandês William Howard Russell, o primeiro correspondente de guerra dos jornais modernos, e cujos francos e impactantes relatos mudaram a forma como o público enxergava a guerra.
24. O grande paradoxo em torno da lendária Florence Nightingale advinha do fato de que ela era tida como uma terna cuidadora carregando um lampião, quando na realidade seus verdadeiros talentos eram a destacada capacidade analítica e a aptidão para a organização.
25. Tendo decidido que precisava de mais três ou quatro enfermeiras, ainda no sábado Nightingale procurou o secretário de guerra, seu amigo Sidney Herbert, para ajudá-la, mas ele estava fora da cidade. Coincidentemente, Sidney Herbert lhe escreveu no domingo sondando-a sobre a possibilidade de ela liderar um grupo de enfermeiras, custeado pelo governo, para o hospital Scutari. Ver Mark Bostridge, Florence Nightingale, pp. 205-6. Isso oficializou o empreendimento.
26. 14 nov. 1854, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 66.
27. Helen Rappaport relata que cerca de 10 mil soldados britânicos e franceses estavam mortos ou fora de combate em decorrência da cólera. Queen Victoria, p. 106.
28. “William Howard Russell, correspondente do Times, relatou ter visto cadáveres emergindo do fundo do porto e flutuando na água, ‘todos movediços, girando na vertical e horríveis à luz do sol”. Mark Bostridge, Florence Nightingale, p. 203.
29. Russell ficou famoso — Vitória até mesmo o menciona em seu diário. Na anotação de 16 fev. 1855, escreveu: “Os franceses também sofrem terrivelmente, mas a diferença é que eles não têm um correspondente do Times para alardear esse sofrimento, como nós temos, para nossa grande humilhação”.
30. QVJ, 28 maio 1855.
31. Rainha Vitória para Lord Panmure, 5 mar. 1855, Arthur Christopher Benson e Visconde Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, pp. 143-4.
32. Sir John McNeill chegou a dizer que a questão da falta de preparo tinha sido exagerada — em contradição com o futuro relato de Florence Nightingale — e mentiu para a rainha ao garantir que seus “soldados doentes e feridos eram tratados melhor que os de qualquer outro exército”. QVJ, 24 jul. 1855.
33. Ibid.
34. Helen Rappaport, No Place for Ladies, p. 86.
35. QVJ, 12 nov. 1854.
36. 28 out. 1854 e 9 nov. 1854, ibid.
37. Hugh Wyndham, Correspondence of Sarah Spencer, p. 414.
38. Rainha Vitória para o duque de Newcastle, secretário de guerra (comentando uma carta dele a Lord Raglan, comandante britânico na Crimeia). Arthur Christopher Benson e Visconde Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 86.
39. Christian Stockmar, Memoirs of Baron Stockmar, v. 2, p. 481.
40. Ibid., p. 485.
41. A rainha escreveu em 1856: “Albert e eu concordamos que de todos os primeiros-ministros que tivemos, Lord Palmerston é o que menos nos deu trabalho e o mais razoável e aberto a sugestões. Estávamos em grande perigo quando ele era o responsável pelas relações exteriores, que agora são conduzidas por sujeito hábil, sensato e imparcial [Lord Clarendon] e agora que ele [Lord Palmerston] é responsável pelo todo, a história é outra”. QVJ, 21 ago. 1856.
42. QVJ, 9 jan. 1854; QVJ, 4 jan. 1854; QVJ, 10 jan. 1854, Arthur Christopher Benson e Visconde Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 8.
43. QVJ, 23 jan. 1854.
44. 5 jan. 1854, ibid.
45. Os lordes Aberdeen e Hardinge lideraram essa defesa na Câmara Alta. Vitória escreveu em seu diário em 1º de fevereiro: “Lord John expressou nossa posição firmemente e acreditamos que isso será importante para o futuro. Lendo os jornais, descobrimos que Lord Aberdeen terminou seu discurso com uma admirável defesa de meu querido, e que ele também se pronunciou com muita veemência sobre o assunto… Li todos os discursos para Albert, e me senti muito contente e orgulhosa”. A posição de Albert, no entanto, continuou indefinida.
46. QVJ, 20 fev. 1854.
47. Theodore Martin, The Prince Consort, p. 110.
48. Reginald Esher para Maurice Brett, 9 ago. 1905, Maurice Brett, Journals and Letters, v. 2, p. 97, Esher para Maurice Brett, 9 ago. 1905; Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 288.
49. Stanley Weintraub, Victoria, p. 167.
50. Lytton Strachey, Queen Victoria, p. 167.
51. Albert para Ernest, inédita, dos arquivos de Yvonne Ward.
52. QVJ, 13 maio 1854.
53. 10 fev. 1854, ibid.
54. 28 abr. 1854, ibid.: “Sir C. Wood me falou sobre o comportamento de Lady John Russell e de como ela manda e amaldiçoa o pobre Lord John, colocando as opiniões dela e de sua família em primeiro lugar!”.
55. QVJ, 20 nov. 1853.
56. Rainha Vitória para Vicky, 18 dez. 1860, citado em Roger Fulford, Dearest Child, p. 293.
57. QVJ, 20 jun. 1855.
58. 24 out. 1854, ibid.
59. Aniversário de Albert, 26 ago. 1854, ibid.
60. 30 jul. 1854, ibid.
61. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 2, pp. 256-7.
62. Ibid., p. 260.
63. QVJ, 25 jun. 1857.
64. 8 out. 1857, Edward Pearce e Denna Pearce, The Diaries of Charles Greville, p. 329.
65. Ela também escreveu em QVJ, 8 dez. 1854: “Invejo-a pelo enorme bem que faz e por cuidar de nossos heróis bravos e nobres, cujas atitudes são tão admiráveis. Mortalmente feridos como muitos estão, ainda assim não reclamam nem emitem um gemido de dor!”.
66. Também lhe agradou registrar que uma carta dela a Florence Nightingale tinha sido reproduzida e afixada em todas as enfermarias. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, Palácio de Buckingham, 22 maio 1855, Arthur Christopher Benson e Visconde Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 161.
67. Rainha Vitória para Florence Nightingale, jan. 1856, ibid., p. 170.
68. Lynn McDonald, Nightingale on Society and Politics, 5:412. Em 1861, Vitória também lhe ofereceu um aposento no Palácio de Kensington, mas ela não aceitou.
69. QVJ, 21 set. 1856.
70. Albert foi claro em seu diário: “Ela nos mostrou todos os problemas de nosso atual sistema hospitalar militar e todas as mudanças necessárias. Estamos muito satisfeitos com ela; é extremamente simples”. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 3, p. 410.
71. QVJ, 21 set. 1856.
72. O Atlantic Monthly escreveu em dezembro de 1861 que o “trabalho duro, a discrição e a capacidade de gerenciamento única” da enfermeira britânica elevaram as expectativas de reabilitação dos soldados feridos. E que foi “depois dela, principalmente… que todas as nações passaram a pesquisar a premente questão da saúde nos campos de batalha e nos hospitais. É agora missão das mulheres ocupar esse cargo de modo a, acreditamos, aprimorar o conhecimento”. Grant, “New Light on the Lady ”.
73. Lynn McDonald, Nightingale on Society and Politics, 5:415. A fonte original são anotações do preceptor de Oxford, o teólogo Benjamin Jowett, sobre conversas com Nightingale em 1879: “[A rainha Vitória era] muito interessada em grandes questões, embora fosse burra, a pessoa mais insegura que conhecera. Se deixada sozinha por dez minutos, era capaz de chamar o esposo para encetar [começar] a conversa — tão superior a seus circundantes. Ele [príncipe Albert] parecia oprimido em sua posição, muito inteligente, versado em todos os assuntos, porém… Tivesse ele construído sua carreira lá não haveria Itália nem Alemanha unificadas. Acreditava que o mundo podia ser governado com premiações, exposições e boas intenções… Ele parecia alguém querendo morrer. Brincava com os filhos de maneira desajeitada, sem saber o que dizer”.
74. QVJ, 17 mar. 1854.
75. Georgiana Bloomfield, Court and Diplomatic Life, v. 1, p. 126.
76. Ibid., p. 125.
77. Rainha Vitória para o rei da Bélgica, 22 set. 1855, Arthur Christopher Benson e Visconde Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 187.
78. Elizabeth Longford, Victoria R.I., p. 146.
79. QVJ, 24 maio 1853.
80. Seis meses antes, em 2 mar. 1855, o tsar Nicolau morrera de apoplexia pulmonar, depois de uma gripe.
81. QVJ, 10 set. 1855.
19. PAIS REAIS E O DRAGÃO DA INSATISFAÇÃO
1. Walter Bagehot, The English Constitution, p. 38.
2. Em 1840, entrar em esgotos passou a ser crime e davam-se recompensas a quem denunciasse a prática. Isso levou os praticantes a entrarem à noite com lamparinas.
3. Henry Mayhew, Mayhew’s London, p. 326.
4. Os informantes de Mayhew lhe disseram que ganhavam seis shillings por dia, o equivalente a cerca de cinquenta dólares hoje. Mayhew escreveu: “Com base nesse ganho diário, os bens recuperados nos esgotos de Londres valeriam não menos que 20 mil libras [$3,3 milhões de dólares hoje] por ano”. Ibid., p. 333.
5. A expansão do uso começou a partir de 1810 e se intensificou depois de 1830. Em 1848, a Comissão de Esgotos Metropolitanos conectou encanação e fossas domésticas a esgotos pela primeira vez. Em 1852, cerca de 69,13% das residências urbanas faziam parte do sistema de esgotos.
6. No começo do século XVIII, a terra sob a maioria dos assoalhos domésticos tinha cavidades hexagonais que serviam de esgoto e eram esvaziadas manualmente por vigilantes noturnos. Henry Mayhew relatou que, nas casas mais pobres, “muitas pessoas simplesmente usavam um cantinho escondido ou buracos no chão e havia excremento em corredores, cômodos e escadas. O fedor nesses lugares era insuportável para quem não estava acostumado”. Citado em Michael Paterson, Voices from Dicken’s London, p. 50.
7. Liza Picard, Victorian London, p. 50.
8. O cheiro era intenso na maré baixa: as margens ficavam cheias de excremento e brilhantes vermes vermelhos apelidados de vermes de sangue. Ibid., p. 10.
9. Civil Engineer and Architect’s Journal 15, 1852, p. 160.
10. Nas palavras de um cortesão: “Há mais fedor nas residências reais que em qualquer outro lugar”. Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 328.
11. QVJ, 22 nov. 1849.
12. Black também fornecia ratos como iscas para competições nas quais um monte deles era colocado em um fosso e apostava-se em quão rapidamente um terrier conseguiria matá-los. Era um passatempo popular na Era Vitoriana.
13. QVJ, 28 jun. 1858. Saneamento era uma das muitas paixões de Albert, porém, e ele frequentemente fazia experimentos com adubo de esgoto em suas propriedades como parte de sua pesquisa sobre a melhoria das condições de vida da classe operária.
14. Mas, constava no Times, “aquelas duas semanas quentes fizeram pela administração sanitária da cidade o que a rebelião de 1857 em Bengala fez pela administração da Índia”. The Times, 21 jul. 1858, 9.
15. Depoimento de um engenheiro civil, The Times, 14 jul. 1858, 5.
16. Houve um caso, em 23 de junho de 1858, de um juiz na corte de Exchequer que disse que julgaria rápido por causa do fedor. Um membro do júri concordou e disse que o fedor o deixara doente, ao que o juiz respondeu: “Julgo ser meu dever público observar o estado do rio e seu efeito nos arredores. É impossível fingir que não estamos sentados a julgar um caso importante em meio a uma incômoda podridão”. The Times, 24 jun. 1858, p. 11. The Times fez campanha por meses para incitar as autoridades a limparem o rio. Aconselhava os leitores a tomarem uma taça de xerez com gelo para encararem um passeio pelo Tâmisa na maré baixa: “Vocês verão, no breve intervalo de meia hora e três ou quatro quilômetros, centenas de esgotos despejando dejetos sólidos, de chaminés expelindo fumaça e estranhos e doentios vapores; quatro milhares de vastos hectares de compostos químicos viscosos, centenas de rodas de pás agitando o lodo. A água — ou melhor, o líquido — parece tinta negra. Moleques nus, procedentes de arcos escuros ou barcaças de carvão, brincam no lodo e na água como filhotes de um monstro aquático… Temos razão para crer que é o rio mais sujo e fétido do mundo”. The Times, 17 jun. 1858, p. 8.
17. Citado em Liza Picard, Victorian London, pp. 51-2. Vale a pena ler esse relato do impacto no Tâmisa.
18. Houve longos atrasos e muito desentendimento relacionados a verbas, responsabilidades e soluções até que Joseph Bazalgette, engenheiro civil do Conselho de Obras Metropolitano, foi autorizado a executar seu plano de despoluir o Tâmisa através de grandes esgotos que percorreriam as margens do rio, de norte a sul, interceptando os dejetos e desviando-os para plantas fora dos limites da cidade (Michael Paterson, Voices from Dicken’s London, p. 31). Em 1858, o Parlamento concedeu-lhe 3 milhões de libras. O projeto começou com aterros construídos ao longo do curso do rio; nos subterrâneos, cerca de 265 quilômetros de redes coletoras foram conectadas a cerca de 1770 quilômetros de esgotos domésticos, para levar os dejetos para longe do centro da cidade. Esse sistema estava a pleno vapor na metade da década de 1870.
19. David Duff, em Albert and Victoria, p. 225, considera esse dado “informação confidencial”. Escreveu: “Soube-se que [Sir James Clark] revelou a colegas a réplica da rainha a sua recomendação de que não tivesse mais filhos. A réplica fora: ‘Ah, Sir James, não posso mais me divertir na cama?’”.
20. Carta de 3 mar. 1857. Hector Bolitho, The Prince Consort, p. 170. No mês anterior ao nascimento de Beatrice, Albert escreveu ao visconde Palmerston dizendo que a saúde de Vitória não estava boa e ela precisava ir para Windsor: “A rainha se sente incapaz de enfrentar uma crise política”. Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 290.
21. QVJ, 29 abr. 1857. Ela escreveu: “Mais tarde, houve uma festinha com uma bela e animada dança no salão… Me surpreendi comigo mesma. Estava tão bem que dancei até o começo da noite, depois de uma recepção tão cansativa e apenas dois meses depois de meu nono parto! Só tenho a agradecer”.
22. QVJ, 29 abr. 1857.
23. 18 dez. 1857, ibid.
24. Príncipe Albert para o barão Stockmar, 2 abr. 1858, Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, p. 177.
25. QVJ, 14 abr. 1858. E então, em 23 jan. 1859, tentou desenhar a mais nova: “Desenhei a pequena Beatrice, que é a coisinha mais adorável, tão rechonchuda e fofinha e risonha”.
26. Em 1856, havia 233 mil indianos para 45 mil britânicos (Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 370). Os soldados indianos também estavam irritados com cortes salariais e com a possibilidade do exército de Bengala ter de servir no além-mar, o que colocaria em risco a posição de quem pertencia à alta casta.
27. Rainha Vitória para o visconde Canning, 2 dez. 1858, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 389.
28. A guerra chinesa terminou em 26 jun. 1858. Mais tarde, o Tratado de Tien-tsin abriu a China para o comércio e a diplomacia com a Grã-Bretanha.
29. Vitória ficou horrorizada, escrevendo em seu diário, em 18 de setembro de 1857: “Depois do desjejum com Jane C., leitura de jornais com detalhes terríveis do espantoso massacre em Cawnpore. 88 oficiais, setenta senhoras e crianças, 120 mulheres e filhos e quatrocentos moradores mortos! O pátio com cinco centímetros de sangue, madeixas e roupas das pobres senhoras jogadas — tudo isso foi encontrado!”. Depois ela ficou ainda mais aflita com a dignidade das mulheres, pois detalhes das torturas a que foram submetidas foram divulgados: QVJ, 14 dez. 1857.
30. Rainha Vitória para Lady Canning, 8 set. 1857, citado em Surtees, Charlotte Canning, 238. Vitória escreveu mais tarde, em 22 out. 1857 (p. 243), para perguntar: “O que eu gostaria de saber é se há algum relato confiável de testemunhas oculares — de horrores como pessoas obrigadas a comer seus filhos e outras atrocidades terríveis e indizíveis que eu não consigo escrever.”.
31. Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 306.
32. Lord Canning escreveu a Vitória: “Uma das maiores dificuldades que teremos pela frente — e lamento dizer, à frente de vossa Majestade também — será o rancor de uma considerável parcela da comunidade inglesa contra todo nativo de qualquer classe. Há um clima de vingança raivosa e indiscriminada aqui no estrangeiro… Mais de um em cada dez homens consideram a forca e o fuzilamento dos 50 mil amotinados e outros rebeldes algo simples e razoável”. Visconde Canning para a rainha Vitória, Calcutá, 25 set. 1857, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, pp. 318-9.
33. Giles St. Aubyn, Queen Victoria, p. 307. Ela também escreveu em seu diário no mesmo período (1º nov. 1857) que falou “muito duramente” a Lord Palmerston “sobre o espírito vingativo ruim mostrado por muitos daqui e alguns da imprensa etc., e da necessidade absoluta de mostrar nossa boa vontade aos nativos; e também sobre não condenar todos os amotinados à morte, pois deve haver penas distintas para aqueles que cometeram crimes e atrocidades ou lutaram contra nós e para aqueles que apenas deixaram suas sacolas e mosquetes para trás e acabaram enforcados também, creio eu”.
34. Foi decidido em 31 dez. 1600.
35. A declaração dizia: “Firmemente confiante na verdade do cristianismo e reconhecendo o consolo de nossa religião, renunciamos igualmente ao direito e ao desejo de impor nossas convicções a qualquer súdito. É nossa vontade real e nosso contentamento que ninguém, de qualquer modo, sofra por suas opiniões ou seja perturbado em razão de seu credo e sua prática”. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, pp. 335-6.
36. QVJ, 16 abr. 1859.
37. Rainha Vitória para o conde de Clarendon, 25 out. 1857, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 321.
38. QVJ, 25 jan. 1858.
39. 2 fev. 1858, ibid.
40. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, p. 132.
41. Vicky para o príncipe Albert, Monica Charlot, Victoria the Young Queen, p. 386.
42. Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, p. 146.
43. Rainha Vitória para o rei Leopoldo, 12 jan. 1858, Arthur Christopher Benson e Reginald Esher, The Letters of Queen Victoria, v. 3, p. 333.
44. Quando o mapa europeu foi reconfigurado depois do Tratado de Viena, firmado no fim das Guerras Napoleônicas em 1814, a Áustria fora cedida ao Reino da Lombardia-Venécia.
45. A França ficou furiosa ao descobrir que os conspiradores italianos que atentaram contra seu imperador buscaram refúgio na Inglaterra, onde armaram planos revolucionários e produziram granadas.
46. Isso remontava a um acordo entre França e Áustria sobre uma confederação de estados italianos, que ignorava completamente o desejo dos italianos de autogoverno e que anexou Nice e Savoy à França.
47. 28 ago. 1905, Maurice Brett, Journals and Letters, v. 2, pp. 103-6. Ver Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 221.
48. Esher continuava em uma carta a seu filho: “Além disso, havia indícios de conflitos latentes entre ele e o país de Gales, e, sendo jovem como o príncipe era, talvez a morte dele não tenha sido tamanho infortúnio. É quase certo que sua missão fora cumprida e seu trabalho feito nas instruções que dera à rainha. Viveu o suficiente para plantar a semente, mas não para vê-la florescer. É possível que tenha sido assim”. De Reginald Esher para Maurice Brett, 18 ago. 1905, Maurice Brett, Journals and Letters. Citado em Yvonne Ward, “Editing Queen Victoria”, p. 108.
49. Rainha Vitória para Vicky, 26 maio 1858, Roger Fulford, Dearest Child, p. 108.
50. Rainha Vitória para Vicky, 15 jun. 1858, ibid., p. 115. A passagem completa:
Penso em nós mesmas como vacas ou cadelas nesses momentos; quando nossa pobre natureza se
torna muito animal e rasteira — mas para você, minha cara, se você é sensata e razoável e não está
maravilhada nem desperdiçando o dia com amas ou amas de leite, que é a desgraça de muitas
jovens refinadas e inteligentes, isso sem mencionar os deveres maternos, nesse caso uma criança
será uma dádiva. Sobretudo, querida, nunca se esqueça da decência que uma jovem deve ter (sem
precisar ser pudica); embora seja casada, não se transforme numa matrona desbocada e a quem
tudo pode ser dito — permaneci num nível tal (na verdade até agora) que muitas vezes me sinto
chocada com as confissões de outras mulheres casadas. Creio que no estrangeiro há muita
indelicadeza no trato desses assuntos.
Era apenas nas cartas a Vicky que Vitória se queixava abertamente. Ver também ibid., pp. 77-8, 94.
51. QVJ, 27 jan. 1859.
52. 29 jan. 1859, ibid.
53. Príncipe Albert para Vicky, 16 mar. 1859, Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, p. 333.
54. QVJ, 21 maio 1859.
55. 25 set. 1860, ibid.
56. Ela agora entendia, escreveu, o “afeto transbordante” que sua mãe sentia pelos filhos. 16 ago. 1861, ibid.
57. Hugh Wyndham, Correspondence of Sarah Spencer, p. 419.
58. QVJ, 30 ago. 1849.
59. 9 out. 1861, ibid.
60. Príncipe Albert para o barão Stockmar, 11 out. 1859, Theodore Martin, The Prince Consort, v. 4, p. 411.