A máquina do caos: como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo
Trollagens
Há dezenas dessas interconexões, todas entre um pequeno grupo de investidores e fundadores com ideias afins. Yishan Wong, diretor do Reddit durante o Gamergate, havia crescido no PayPal, cujos egressos guiaram boa parte da era das mídias sociais. Um dos primeiros executivos do PayPal, Reid Hoffman, usou a bolada que ganhou para fundar o LinkedIn e investir desde cedo no Facebook. Foi ele que apresentou Zuckerberg a Thiel, que se tornou o primeiro membro do conselho do Facebook.
Thiel, apostando ainda mais no sucesso do PayPal, abriu um fundo que partiu para investimentos de peso na Airbnb, na Lyft e na Spotify. Ao longo desses investimentos, tal como muitos investidores de renome, ele impôs seus ideais às empresas que supervisionava. Nos anos 1990, foi coautor de um livro, The Diversity Myth [O mito da diversidade], no qual pregava que a inclusão intencional de mulheres ou minorias era uma fraude que sufocava a atividade intelectual livre. “Max Levchin, que fundou o PayPal comigo, diz que as startups deveriam fazer com que sua primeira equipe fosse o mais parecida possível”, escreveu Thiel. “Todos na sua empresa devem ser diferentes do mesmo modo — uma tribo de pessoas com ideias
afins e com dedicação feroz à missão da empresa.” [29]
Mais do que apenas gênero ou raça, esse era o arquétipo rigoroso em torno do qual o Vale projetou seus produtos: o homem geek, implacável, lógico, misantropo e branco. Durante boa parte da história da área da tecnologia, essa predileção afetou poucos além das mulheres e minorias que lutavam para aguentar seu ambiente de trabalho. Mas, com o advento das redes sociais, a indústria começou a embutir seus piores vícios em empresas que contrabandearam esses excessos — o chauvinismo, a cultura do assédio, o majoritarismo disfarçado de meritocracia — para a casa e a mente de bilhões de consumidores.
Trollagens A revolução veio depressa, ampliada pela banda larga até chegar praticamente a cada cidadezinha e cada subúrbio. Trouxe, tal como prometia, liberdade quase total pelo menos àqueles que lhe abriram as portas. Mas o que seus arquitetos não entendiam era que toda comunidade — especialmente aquelas que dispensavam quase todas as regras ou autoridades formais — se gerencia conforme convenções sociais de algum tipo. E as normas e os valores que eles codificaram no início da internet acabaram guiando seus milhões de primeiros adeptos a algo muito diferente da utopia igualitária que haviam imaginado.
Em 2009, na alvorada do que hoje chamamos de cultura da internet, um garoto de treze anos chamado Adam, morador do subúrbio de Dallas, partiu em uma jornada pelas profundezas das redes sociais que iria tomar conta da maior parte de sua vida. Ele ouvira a palavra “meme” em algum lugar, procurou-a no Google e foi parar em um blog chamado I Can Haz Cheezburger? [Eu pode comê cheeseburguer?]. O blog registrava milhões de visualizações por dia com fotos de gatos sobrepostas a textos infantis, supostamente na voz do gato (“Eu te fez janta mas eu comeu tudo”).
Adam foi atraído por uma postagem — uma série de memes e capturas de tela — que contava uma história. Segundo a postagem, havia aparecido no YouTube um par de vídeos que mostravam dois garotos maltratando um
gato chamado Dusty. [30] Os vídeos renderam indignação, principalmente em um fórum chamado 4chan, cujos usuários tendiam a ser maldosos. Eles juraram se vingar em nome de Dusty; um identificava o produtor do vídeo do YouTube como um garoto de catorze anos de Oklahoma. Outro dizia que alertara a polícia da cidade, embora as autoridades viessem a dizer que haviam identificado a origem do vídeo por conta própria. O produtor e seu irmão foram acusados de crueldade com animais; o 4chan se encheu de postagens comemorando a vitória como se fosse do fórum.
Adam ficou fascinado. Pessoas iguais a ele haviam transformado o ato de sair clicando na internet em uma aventura emocionante e uma experiência social que os unia. “Esse pessoal salvou um gatinho? Pode crer que aquilo me atraiu”, lembra. “O lado vingador-justiceiro ajudou a definir o que o 4chan é para mim.” Ele começou a passar horas por dia no fórum, cujas características incomuns lhe renderam fama desatada entre os
primeiros usuários da internet. [31] Toda vez que um usuário queria abrir uma nova thread , tinha que subir uma imagem junto, o que deixava a plataforma lotada de memes e cartuns feitos pelos usuários. Muito antes que o aplicativo de mensagens Snapchat e outros pegassem de empréstimo esse recurso, as discussões eram deletadas automaticamente após um curto período, o que autorizava a conduta indecorosa que em outros lugares seria evitada. O mesmo valia para o anonimato; quase todas as postagens eram escritas por “Anônimo”, o que inculcou uma cultura de vale-tudo e a sensação de identidade coletiva que pode ser sedutora, em especial para quem anseia pelo sentimento de pertencimento.
“No colégio, sempre fiz o tipo pária”, contou Adam durante uma das nossas conversas noturnas sobre os confins mais obscuros da internet, pelos quais ele se ofereceu para me guiar. Ele havia enfrentado depressão e ansiedade quando criança. Mas no 4chan se sentia bem-vindo e entendido. A cada noite, seus frequentadores se entretinham com threads estridentes e travessuras complexas que estavam “entre as coisas mais divertidas que já fiz na internet”, disse.
E Adam se sentia seguro ali de uma maneira que não acontecia no mundo real — onde, segundo ele próprio, era “uma pessoa muito estranha” e “meio fechadão”. Seu quarto na casa da mãe, no qual ainda mora aos vinte e poucos anos, estava “abarrotado”, segundo suas próprias palavras, de “cacarecos” de um videogame dos anos 1990. Enquanto falar da sua depressão fora da internet atraía olhares preocupados e intervenções dos adultos, no 4chan ele podia se abrir com outros que aparentemente partilhavam da sua solidão.
Em uma foto que me enviou, ele usava uma camiseta de videogame vintage e óculos escuros modernosos semiocultos pelo cabelo castanho desgrenhado. Não parecia uma pessoa que precisava recorrer a mídias sociais complexas para fazer amizade ou conhecer meninas. Mas, pelo que me contou, pessoalmente é tímido devido ao ceceio e à gagueira. Os dois problemas foram exacerbados pela perda da audição quando era adolescente e, havia menos tempo, pela ansiedade. Adam ainda acha que a comunicação verbal é difícil e não funciona. “Eu sou NEET , meu amigo”, disse, usando um termo do governo britânico para a pessoa “não empregada, nem estudante, nem em estágio”, que, na internet, se tornou a palavra para quem se sente ignorado pelo sistema.
Assim como muitos frequentadores de longa data das redes sociais mais profundas, Adam tinha receio de falar com jornalistas, que ele via como representantes da classe adulta dominante que queria, segundo sua crença, controlá-lo e fechar seu adorado lar digital. Mas um intermediário de confiança, uma fonte que eu tinha e com quem ele conversara por volta de uma década depois de entrar no 4chan, havia nos colocado em contato. Apesar de tudo o que Adam curtia nos fóruns e da sua “diversão boba e quase sempre anônima”, ele admitiu que “os cantos mais escuros onde o comportamento antissocial vaza para o mundo real” o deixavam preocupado, e complementou: “Vi isso desde o início. Sou judeu, e metade do site acha que eu não devia existir”. Ele se debateu em relação a quanto aceitaria daquele ponto de vista que saturava a plataforma. A cultura da raiva e da conspiração o ajudou a buscar sentido em um mundo de desnorteamento que parecia organizado contra ele. O fato de as queixas serem coletivas o ajudou a sentir que ele fazia parte. Mas os extremos irrestritos o incomodavam, especialmente quando alguém se magoava.
“No fim das contas”, disse Christopher Poole, fundador do 4chan, em
2008, “o poder está em a comunidade ditar suas próprias normas.” [32] Poole, então um jovem de vinte anos com voz esganiçada, fazia parte de uma comunidade cada vez maior de diletantes da internet — programadores, blogueiros, pós-graduandos — que construíam a “civilização da mente” no Vale do Silício. Mas, depois dos inebriantes congressos hackers dos anos 1980 e dos manifestos dos 1990, nos anos 2000 os usuários da internet queriam acima de tudo se divertir. Os moradores do subúrbio ficavam em casa após a aula, eram jovens demais para dirigir e passavam horas conectados. A promessa de liberdade total na internet atraía especialmente crianças, cuja vida desconectada é regida por pais e professores. Adolescentes também têm um ímpeto mais forte para
socializar do que adultos, [33] que se manifesta no uso mais pesado de redes
sociais [34] e na maior sensibilidade ao que acontece online. Poole lançou o 4chan quando tinha apenas quinze anos. A garotada que se sentia isolada no mundo desconectado, como Adam, era responsável por uma fatia desmedida da movimentação na internet, trazendo com ela as preocupações dos desprovidos de poder e daqueles que sofriam bullying.
Essa cultura era, no início, de criatividade e bobagens — vídeos de gatos e cartuns —, embora também tendesse a ser maligna e transgressora. Apoiando-se em uma cultura da internet que remontava à WELL , a diversão significava ser livre das regras e suscetibilidades da sociedade e torcer o nariz para a gente de fora que não os entendia. Foi assim que os trotes — um passatempo que já era bastante estimado entre jovens homens de onde quer que fossem — se tornaram a atividade que definiu o início da rede.
Em um trote organizado no 4chan, os usuários manipularam um concurso online no qual escolas competiam para receber um show de Taylor Swift e deram a vitória a um centro para crianças surdas. Em outro, usuários postaram uma piada interna da plataforma, criada em uma das sessões de memes da madrugada, em uma plataforma para ser transmitida no programa de Oprah Winfrey, que dizia: “Nosso grupo tem mais de 9 mil pênis e todos estupram criancinhas”. A apresentadora citou a frase no ar com a cara séria. “Boa parte do humor”, disse Adam, “vem de forçar os limites e aumentar seu alcance até chegar a lugares mais tradicionais, que parecem inatingíveis.” Passar a perna em um mundo que os tratava como párias.
Às vezes as coisas ganhavam escala até virar sadismo escancarado. Em 2006, usuários descobriram que, no rastro do suicídio de um garoto de treze anos, os amigos da vítima haviam postado recordações em uma página do MySpace. Os usuários fizeram troça dos erros de grafia e da sinceridade infantil. Alguns hackearam a página para mudar a foto do garoto e transformá-la na imagem de um zumbi. Outros passaram trotes telefônicos nos pais do falecido e continuaram fazendo isso por mais de um ano. Se os adultos e os colegas se incomodassem, melhor.
Transgredir tabus cada vez maiores — ainda mais do que ser cruel com pais enlutados — se tornou um jeito de sinalizar que você topava a piada. “Quando você vasculha o 4chan e o 8chan enquanto o resto dos seus amigos fica postando bosta normie e viva-ria-ame no Instagram e no Facebook”, disse Adam, “você se sente diferente. Mais legal. Participando de uma coisa de nicho.” A piada podia ser uma foto de pornografia escatológica. O vídeo de um assassinato macabro. Uma ofensa racial postada para provocar os humores da pessoas, desafiando-as a levá-la a sério. Rir do conteúdo — ou, melhor ainda, fazer mais bem-feito — era a afirmação de que você compartilhava do desapego astucioso e cínico do clube. E isso remodelou suas relações com o mundo externo: não é a sociedade que nos rejeita, nós é que rejeitamos a sociedade.
Essas duas atividades de unificação, desafiar tabus e pregar peças, convergiram na trollagem. Um fórum dos anos 1990 havia definido a trollagem como postar comentários “sem qualquer propósito, a não ser incomodar outra pessoa ou atrapalhar a discussão”, possivelmente batizada conforme um “estilo de pescaria no qual se arrasta a isca até um ponto
melhor, provocando o peixe até que ele morda”. [35] Desde os tempos da WELL , usuários da internet se divertiam tentando implicar uns com os outros. Em redes como a 4chan, isso geralmente se transformava em algo mais obscuro: atos de abuso coletivo no qual o propósito era se deleitar com a angústia do outro.
A emoção de conseguir uma reação de alguém tinha até nome: lulz , corruptela da sigla de “laugh out loud ” [rindo alto]. Não havia limite quanto ao que podia ser alvo nem quanto à crueldade; o sonho do Vale do Silício, de liberdade das leis e das hierarquias, tinha se tornado, na internet, também a libertação dos códigos sociais e morais. A comunidade criara seus próprios padrões, tal como Poole esperava, mas em torno do estímulo que forma todas as mídias sociais: a atenção.
A maioria das plataformas se constrói em torno de uma crença supostamente neutra de que atenção significa valor. O Reddit e o Twitter exaltam postagens com base em quantos usuários as endossam com upvotes ou retuítes. O Facebook e o YouTube definem essa autoridade via algoritmos. As duas versões resumem todas as formas de atenção — positiva ou negativa, irônica ou sincera, tenha ela feito você rir ou se irritar, que favorece sua curiosidade intelectual ou seus instintos lascivos — em uma métrica só: sobe ou desce.
Fóruns como o 4chan fazem a mesma coisa, mas de um jeito mais orgânico. O anonimato e a rotatividade de conteúdo incentivam um usuário a buscar a atenção do outro do modo mais agressivo possível. Sem se afetar com as restrições sociais do mundo desconectado, cada usuário age como um algoritmo em miniatura do Facebook, aprendendo, a cada repetição, o que chama mais a atenção dos outros. Uma lição sempre se mantém: para crescer entre dezenas de milhares de vozes, seja o que for que você posta, é melhor subir o volume, ser mais extremado.
Em 2010, um dos ataques mais estimados da comunidade teve como
alvo uma menina de onze anos. [36] Usuários haviam visto postagens circulando no MySpace, no qual ela era ativa, informando que a menina dissera a amigos que tinha um relacionamento com o líder de uma banda da cidade, de 25 anos. Os usuários da rede social zoaram com a garota porque, pensavam, ela havia inventado a história. Ela postou reações furiosas, depois um vídeo no YouTube dizendo que seus “haters” deviam “meter uma pistola” na boca.
Os usuários do 4chan, felizes com a reação desajeitada e emotiva da garota, foram atrás de mais. Ela havia mentido, negara a responsabilidade e agora ia descobrir qual era seu lugar. Eles a bombardearam com mensagens de intimidação no Face book e no MySpace, mandaram entregar pizzas no seu endereço, passaram trotes por telefone, que gravaram e postaram no 4chan para ganhar mais lulz. Uma postagem sobre “como trollar” a menina recomendava: “Diga para ela se matar” e “Diga ao pai da menina que vamos dar uma surra nela”, e sugeria que fotos indecorosas da garota fossem divulgadas.
Ela postou um segundo vídeo, no qual chorava enquanto o pai adotivo gritava com os algozes invisíveis: “Adivinhem só: vamos pegar seus e-mails e vamos achar cada um”. Os usuários do 4chan ficaram empolgados — prova de que estavam chegando lá. A intimidação subiu de patamar. Em um último vídeo, ela cedeu, admitiu todas as acusações e implorou por piedade. O incidente virou lenda nas redes: justiça e lulz cumpridas. Os vídeos da garota circularam sem parar, atraindo milhões de visualizações. A banda que ela havia citado nas primeiras postagens gravou uma música comemorando a humilhação: “Meu nome e reputação não vão ser alvo de uma puta/ Eu vou ficar no topo do mundo e você vai se cortar e se foder”.
[37]
Anos depois, ela contou à polícia que, quando tinha dez anos, o líder da banda abusara dela e a estuprara várias vezes. Tal como muitas vítimas de abuso infantil, a vergonha e a perplexidade a haviam levado a dizer a amigos que era tudo consensual. Durante a investigação do FBI , mais de
vinte pessoas fizeram relatos parecidos. [38] Mas o episódio ainda é comemorado no 4chan e sites do mesmo tipo, onde usuários continuaram a assediar a garota por mais de uma década.
A falta de vergonha era característica; os usuários do 4chan “normalmente enquadravam o que faziam como serviço de utilidade pública”, escreveram os teóricos da cultura Whitney Phillips e Ryan Milner.
[39] Eles se viam com base na missão fundadora das redes sociais: derrubar os velhos costumes, imperfeitos, para que dessem lugar a um mundo de liberdade de expressão com autocontrole e pensamento independente implacável. Diziam a si mesmos que convencer Oprah a avisar seus telespectadores sobre um culto do sexo que não existia ensina as pessoas a questionar os números apresentados pelas autoridades e as contas oficiais, era “um resultado que eles estimulavam ao provocar, abusar e iludir seus alvos”, escreveram Phillips e Milner. “Muitos brincaram que mereciam um
agradecimento pelo que tinham feito.” [40]
“A trollagem é basicamente a eugenia da internet”, disse Andrew
Auernheimer em 2008. [41] Auernheimer era um superastro do 4chan: hacker anarquista, provocateur descarado e algoz implacável dos inimigos que o site havia escolhido para si. A própria entrevista era uma trollagem, uma provocação para quem lesse se ofender com palavras de ordem nazistas: “Blogueiros são imundos. […] Temos que botar essa gente no forno!”. Discursos bombásticos como os de Auernheimer sugeriam algo novo que emergia do início das redes. A cultura da provocação e a rejeição exultante de códigos morais consagrados haviam criado o que Phillips e Milner chamaram de “condições perfeitas para a intolerância se espalhar
sorrateira, escondida em pequenos atos que parecem imaculados”. [42]
Auernheimer se gabava do seu papel em uma campanha de intimidação
contra Kathy Sierra, blogueira de tecnologia. [43] Ela pedira que os comentários do 4chan tivessem moderadores, o que irritou usuários que viam isso como uma ofensa à liberdade de expressão na internet. Ele postou o número de contribuinte e o endereço de Sierra, mais um dilúvio de ameaças de morte, fez circular fotos dos filhos dela editadas com imagens pornográficas e postou mensagens em nome dela oferecendo-se sexualmente, o que levou estranhos à sua porta dia e noite. Ela foi totalmente afastada da vida pública. Sierra não tinha estímulo para tentar denunciar. Poucos no sistema judiciário consideravam que a intimidação na internet, por mais extremada que fosse, chegava ao nível de crime, e qualquer reação pública certamente renderia mais ataques.
Auernheimer também começou a postar “sermões” no YouTube, carregados de ideias de teorias da conspiração e antissemitismo. Segundo ele eram sátiras, mas suas convocações a “sangue nas ruas” soavam bem sinceras. Na época, Auernheimers da internet eram tratados como crianças arruaceiras. Prestar atenção no que elas faziam só iria enaltecer seu comportamento. Em 2010, o site TechCrunch, praticamente porta-voz oficial do Vale do Silício, deu um prêmio a Auernheimer pelo serviço de
utilidade pública. [44] Foi uma demonstração de solidariedade ao grupo de hackers de Auernheimer, que estava sob investigação do FBI por roubar 114 mil endereços de e-mail particulares devido a uma vulnerabilidade no iPad.
Em uma festa para Auernheimer na véspera de sua condenação na justiça, “jornalistas bebiam junto a hackers, ativistas e documentaristas de tapa-olho, assim como meninas com cabelos cor de jujuba e piercing no
lábio”, segundo um relato da revista Vice . [45] Na manhã seguinte, o jornalista da Vice vestiu uma máscara de Guy Fawkes no tribunal e explicou: “Fui porque a acusação era indevida e meus amigos e eu nos importávamos com ele”. No ano seguinte, Auernheimer entrou para o Daily Stormer, um fórum neonazista proeminente, fundado e habitado por 4channers, onde postou uma foto revelando uma tatuagem no peito de uma suástica do tamanho de um punho.