Cérebro: Uma Biografia
Cérebros parecem flocos de neve
Depois de concluir a pós-graduação, tive a oportunidade de trabalhar com um de meus heróis da ciência, Francis Crick. Na época em que o conheci, ele se empenhava no problema da consciência. O quadro-negro em sua sala era cheio de anotações, e o que sempre me impressionava era a palavra que estava escrita no meio, muito maior do que as demais: “significado”. Sabemos muito sobre os mecanismos dos neurônios, as redes e regiões cerebrais, mas não sabemos por que todos aqueles sinais que fluem por ali significam alguma coisa para nós. Como pode a matéria de nosso cérebro nos levar a gostar de algo?
O problema do significado ainda não foi resolvido. Mas aqui está o que penso que podemos dizer: o significado de uma coisa para você está nas suas teias de associações, com base em toda a história das experiências da sua vida.
Imagine o seguinte: eu pego uma peça de tecido, coloco nela alguns pigmentos coloridos e a mostro para o seu sistema visual. É possível que isso estimule lembranças e acenda a sua imaginação? Provavelmente não, porque é só um pedaço de pano, certo?
Agora, imagine que esses pigmentos em um tecido seguem o padrão do desenho de uma bandeira nacional. É quase certo que essa visão estimule algo em você, mas o significado específico é único para a sua história de experiências. Você não percebe os objetos como eles são, mas como você é.
Cada um de nós tem uma trajetória própria, conduzida por nossos genes e nossas experiências. Como resultado, cada cérebro tem uma vida íntima diferente. Os cérebros são singulares como flocos de neve.
À medida que os seus trilhões de novas conexões se formam e reformam continuamente, o padrão característico implica que jamais existiu e jamais existirá alguém igual a você. A experiência da sua vigília consciente, neste exato momento, é única para você.
E, assim como a matéria física, estamos em constante transformação. Não somos imutáveis. Do berço ao túmulo, somos uma obra em progresso.
Imagem 2: Sua interpretação de objetos físicos tem tudo a ver com a
trajetória histórica de seu cérebro e pouca relação com os objetos em
si. Esses dois retângulos nada contêm além de arranjos de cor. Um cachorro não veria nenhuma diferença significativa entre eles. Seja
qual for a sua reação a isto, ela é pessoal e não está relacionada aos
objetos.