Cérebro: Uma Biografia
Então, quem está no controle?
Tudo isso pode fazer com que você se pergunte que controle realmente tem a mente consciente. Será possível que levemos a vida como marionetes, à mercê de um sistema que puxa as cordas e determina o que vamos fazer? Alguns acreditam que é assim e que a mente consciente não tem controle sobre o que fazemos.
Vamos explorar essa questão usando um exemplo simples. Você se dirige a uma bifurcação na estrada, onde pode entrar à direita ou à esquerda. Você não tem nenhuma obrigação de entrar em um ou outro caminho, mas hoje, neste momento, sente que quer entrar à direita e vai em frente. Mas por que você entrou à direita e não à esquerda? Porque teve vontade? Ou porque mecanismos inacessíveis em seu cérebro decidiram por você? Pense no seguinte: os sinais neurais que movem seus braços para girar o volante vêm do seu córtex motor, mas não têm origem ali. Eles são impelidos por outras regiões do lobo frontal, que, por sua vez, são impelidas por muitas outras partes do cérebro e assim por diante, em uma corrente complexa que entrecruza toda a rede cerebral. Jamais existe um tempo zero quando você decide fazer alguma coisa, porque cada neurônio no cérebro é impelido por outros neurônios; parece não haver uma parte do sistema que aja de forma independente em vez de reagir dependentemente. Sua decisão de virar à direita, ou à esquerda, remonta ao passado: segundos, minutos, dias, toda uma vida. Mesmo quando suas decisões parecem espontâneas, elas não existem de maneira isolada.
Assim, quando você vai até aquela bifurcação na estrada carregando a história de sua vida inteira, quem exatamente é o responsável pela decisão? Essas considerações levam à questão profunda do livre-arbítrio. Se rebobinássemos a história cem vezes, ela seria sempre a mesma?