Cérebro: Uma Biografia
Por que somos conscientes?
Então, por que não somos simplesmente seres inconscientes? Por que não andamos todos por aí como zumbis estúpidos? Por que a evolução construiu um cérebro que é consciente? Para responder a isso, imagine que está andando por uma rua do seu bairro, concentrado somente em você. De súbito, algo chama sua atenção: uma pessoa está mais à frente, vestida com uma fantasia de abelha gigante, segurando uma pasta. Se você observasse a abelha humana, notaria como as pessoas reagem quando a veem: interrompem sua rotina automática e olham-na fixamente.
A consciência é envolvida quando acontece o inesperado, quando precisamos entender o que faremos em seguida. Embora o cérebro tente operar o maior tempo possível no piloto automático, isso nem sempre é possível em um mundo cheio de surpresas.
Contudo, a consciência não é apenas uma reação a surpresas. Ela também tem um papel fundamental na resolução de conflitos dentro do cérebro. Bilhões de neurônios participam de tarefas que vão da respiração a andar por um quarto, de colocar comida na boca a dominar um esporte. Cada uma dessas tarefas é sustentada por vastas redes no mecanismo do cérebro. Mas o que acontece se houver um conflito? Digamos que você se veja estendendo a mão para pegar um sundae, mas, depois que o tiver terminado, vá se arrepender do que fez. Em tal situação, é preciso tomar uma decisão. Uma decisão que calcule o que é melhor para o organismo – você – e seus objetivos de longo prazo. A consciência é o sistema que tem esse ponto de observação singular, que nenhum outro subsistema do cérebro tem. Por esse motivo, a consciência pode ter o papel de árbitro dos bilhões de elementos em interação, subsistemas e processos em operação. Pode fazer planos e estabelecer metas para todo o sistema.
Penso na consciência como o diretor-executivo, o CEO de uma vasta corporação, com muitos milhares de subdivisões e departamentos que colaboram, interagem e competem de diferentes maneiras. As pequenas empresas não precisam de um CEO, mas, quando uma organização atinge porte e complexidade suficientes, requer um que se mantenha acima dos pormenores cotidianos e elabore a visão de longo prazo da empresa.
Embora tenha acesso a pouquíssimos detalhes da administração diária da empresa, o CEO sempre tem em mente a visão de longo prazo. O CEO é a visão mais abstrata que uma empresa tem de si. Em termos do cérebro, a consciência é um jeito de bilhões de células se enxergarem como um todo unificado, um meio de um sistema complexo colocar um espelho diante de si.