Cérebro: Uma Biografia

David Eagleman · Capítulo 36 de 71

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Cérebro: Uma Biografia

Quando a consciência se perde

 

E se a consciência não despertar e ficarmos perdidos no piloto automático por tempo demais?

Ken Parks, de 23 anos, descobriu isso em 23 de maio de 1987, quando adormeceu em casa vendo TV. Na época, ele morava com a filha de cinco meses e a esposa e passava por dificuldades financeiras, problemas conjugais e vício em jogos. Ele pretendia discutir seus problemas com os sogros no dia seguinte. A sogra o considerava um “gigante gentil” e ele se entendia muito bem com os pais da mulher. A certa altura durante a noite, ele se levantou, dirigiu 23 quilômetros até a casa dos sogros, estrangulou o sogro e matou a sogra a facadas. Depois, Ken foi à delegacia mais próxima e disse ao policial: “Acho que acabei de matar alguém.”

Ele não tinha lembrança do que aconteceu. Parece que, de algum modo, sua mente consciente esteve ausente durante o episódio terrível. O que houve de errado com o cérebro de Ken? A advogada dele, Marlys Edwardh, reuniu uma equipe de especialistas que ajudassem a entender o mistério. Logo começaram a suspeitar de que os eventos teriam alguma relação com o sono de Ken. Enquanto Ken estava na prisão, a advogada chamou o especialista em sono Roger Broughton, que mediu os sinais de EEG de Ken enquanto ele dormia à noite. O resultado registrado batia com o de um sonâmbulo.

Ao investigar mais a fundo, a equipe encontrou distúrbios no sono por toda a família ampliada de Ken. Como não havia motivo para o crime, nem formas de falsificar os resultados das análises feitas durante seu sono e considerando o extenso histórico familiar, ele foi absolvido da acusação de homicídio e libertado.