Cérebro: Uma Biografia
1 Quem sou eu?
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QUEM SOU EU?
Todas as experiências em sua vida, de uma simples conversa a toda a sua cultura, moldam os detalhes microscópicos de seu cérebro. Do ponto de vista neural, quem você é depende de onde você esteve. Seu cérebro muda incansavelmente, reescreve de modo constante os próprios circuitos – e, como as experiências que você tem são únicas, os padrões vastos e detalhados de suas redes neurais são igualmente singulares. Como essas redes mudam incessantemente por toda a sua vida, a sua identidade é um alvo móvel, que jamais atinge um ponto final.
Embora a neurociência faça parte de minha rotina, ainda fico assombrado sempre que seguro um cérebro humano. Depois de levarmos em conta seu peso substancial (um cérebro adulto pesa menos de 1,5 quilo, a estranha consistência (parece uma gelatina firme) e sua aparência enrugada (como vales profundos entalhados em uma paisagem inchada), o que impressiona é o mero caráter físico do cérebro. Este pedaço desinteressante de matéria parece estar em desacordo com o processo mental que cria.
Nossos pensamentos, nossos sonhos, nossas lembranças e experiências surgem desta estranha matéria neural. Quem nós somos encontra-se no interior de seus complexos padrões de descarga de pulsos eletroquímicos. Quando essa atividade cessa, você também para. Quando a atividade tem seu caráter alterado, seja por uma lesão ou pelo uso de drogas, o seu caráter também muda. Ao contrário de qualquer outra parte do corpo, se um pequeno pedaço do cérebro é danificado, é provável que você também mude radicalmente. Para compreender como isso é possível, vamos começar pelo princípio.