Cérebro: Uma Biografia
Maior do que a soma
Em 1714, Gottfried Wilhelm Leibniz argumentou que a matéria, sozinha, jamais poderia produzir a mente. Leibniz foi um filósofo, matemático e cientista alemão que às vezes é chamado de “o último homem que sabia tudo”. Para Leibniz, o tecido encefálico sozinho não poderia ter vida interior. Ele sugeriu um experimento de raciocínio conhecido hoje como o Moinho de Leibniz. Imagine um moinho grande. Se você andasse ao redor dele, veria as engrenagens, suportes e alavancas em movimento, mas seria ilógico sugerir que o moinho está pensando, sentindo ou percebendo. Como pode um moinho se apaixonar ou desfrutar de um pôr do sol? O moinho é apenas composto de peças e componentes. E o mesmo se dá com o cérebro, afirmou Leibniz. Se você pudesse expandir o cérebro ao tamanho de um moinho e andasse em volta dele, só veria os componentes. Evidentemente, nada corresponderia à percepção, tudo exerceria influência sobre todo o resto. Se você anotasse cada interação, não ficaria claro onde residem o pensamento, o sentimento e a percepção.
Quando olhamos o cérebro por dentro, vemos neurônios, sinapses, transmissores químicos, atividade elétrica. Vemos bilhões de células ativas, tagarelando. Onde você está? Onde estão seus pensamentos? Suas emoções? A sensação de felicidade, a cor do índigo? Como você pode ser feito de mera matéria? Para Leibniz, a mente parecia inexplicável por causas mecânicas.
É possível que Leibniz tenha deixado passar algo em seu argumento? Ao olhar os componentes individuais de um cérebro, ele pode ter perdido uma oportunidade. Talvez pensar em andar em volta do moinho seja o jeito errado de abordar a questão da consciência.