Cérebro: Uma Biografia

David Eagleman · Capítulo 59 de 71

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Cérebro: Uma Biografia

Aumento sensorial

A substituição sensorial é ótima para driblar sistemas sensoriais falidos – mas, além da substituição, e se pudéssemos usar esta tecnologia para ampliar nosso estoque sensorial? Com este fim, meus alunos e eu atualmente estamos acrescentando novos sentidos ao repertório humano para aumentar nossa experiência do mundo.

Pense no seguinte: a internet transmite petabytes de dados interessantes, mas atualmente só podemos ter acesso às informações olhando o telefone ou a tela do computador. E se você pudesse ter dados em tempo real transmitidos a seu corpo, de modo que se tornasse parte de sua experiência direta do mundo? Em outras palavras, e se você pudesse sentir os dados? Podem ser informações do tempo, do mercado de ações, dados do Twitter, da cabine de um avião ou sobre o estado de uma fábrica, tudo codificado como uma nova língua vibratória que o cérebro aprende a entender. À medida que você cumpre as tarefas diárias, pode ter uma percepção direta se o clima é chuvoso 150 quilômetros dali ou se vai nevar no dia seguinte. Ou pode desenvolver intuições sobre aonde vão os mercados de ações, identificando subconscientemente os movimentos da economia global. Ou você pode sentir qual é o assunto do momento no Twitter e assim tirar proveito da consciência da espécie.

 

O VEST

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Para proporcionar substituição sensorial aos surdos, meu aluno de pós-

graduação Scott Novich e eu construímos o VEST. Esta tecnologia

vestível captura o som do ambiente e o mapeia em pequenos motores

vibratórios por todo o tronco. Os motores ativam padrões de acordo

com as frequências sonoras. Desta forma, o som se transforma em

padrões móveis de vibrações.

No início, esses sinais vibratórios não fazem sentido. Mas, com

prática o bastante, o cérebro entende o que fazer com os dados. Os

surdos passam a traduzir os complicados padrões no tronco em uma

compreensão do que é dito. O cérebro deduz como revelar

inconscientemente os padrões, da mesma maneira com que um cego

passa a ler em braile sem esforço.

O VEST pode mudar a vida da comunidade de surdos. Ao contrário

de um implante coclear, não exige uma cirurgia invasiva e é pelo menos

vinte vezes mais barato, o que faz dele uma solução que pode ser

global.

A maior visão para o VEST é esta: além do som, ele também pode

servir como plataforma para qualquer tipo de informação transmitida

encontrar seu caminho para o cérebro.

Veja vídeos do VEST em ação em eagleman.com.

Embora isso pareça ficção científica, não estamos tão longe assim desse futuro, graças ao talento do cérebro para obter padrões, mesmo quando não estamos tentando. Esse é o truque que nos permite absorver informações complexas e incorporá-las em nossa experiência sensorial do mundo. Da mesma forma como a leitura desta página, a absorção de novos fluxos de dados acontecerá espontaneamente. Ao contrário da leitura, porém, o acréscimo sensorial seria uma forma de aprender novas informações sobre o mundo sem ter de conscientemente prestar atenção nelas.

No momento, não sabemos os limites – ou se eles existem – para os tipos de dados que o cérebro pode incorporar. Mas está claro que não somos mais uma espécie natural que precisa esperar por adaptações sensoriais numa escala de tempo evolutiva. À medida que avançamos para o futuro, projetaremos cada vez mais nossos próprios portais sensoriais no mundo. Nós nos conectaremos a uma realidade sensorial expandida.