Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 17 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Cirurgia plástica

Como? O cabelo não é pintado, ou, caso seja, é no tom natural, para reforçar a cor ou para esconder os fios brancos. É uma regra respeitada por todas, de forma geral: mantemos a cor que a mãe natureza escolheu para nós.

 

O cabelo não deve ser secado com secador (na verdade, você poderia jogar seu secador fora). Em vez disso usam-se recursos muito mais ecológicos: a brisa, no verão; e uma toalha, no inverno. Inclusive, lave o cabelo à noite, de preferência. Para não sair de casa com ele molhado.

 

Ir dormir com o cabelo ainda um pouco molhado fará com que ele acorde revoltoso pela manhã, o que não deixa de ser interessante. Não há necessidade, aliás, de lavá-lo todos os dias. Porque no dia seguinte da lavagem (ou até dois dias depois, dependendo da textura do cabelo) os fios ganham um peso que faz com que eles tenham um belo volume, quando presos em um coque.

 

Nenhuma necessidade de usar acessórios no cabelo: deve-se evitar presilhas e lenços, caso seja maior de idade. Esqueça joias para cabelo ou qualquer outro apetrecho chamativo.

 

À medida que os anos traçarem linhas em nosso rosto, os cabelos podem tornar-se mais ordenados, para manter o equilíbrio.

 

Enfim, bendizemos aquela época mágica do verão durante a qual nosso cabelo, banhado pela luz do sol e pela água do mar, torna-se simplesmente perfeito: um pouco áspero, um pouco mais claro, um pouco salgado.

 

E, claro, algumas gotas de perfume no cabelo, atrás das orelhas ou na nuca nunca fizeram mal a ninguém.

 

CIRURGIA PLÁSTICA

As parisienses não fazem cirurgia plástica, pois adoram pensar que é necessário saber aceitar o corpo que suas mães fabricaram com tanto cuidado e atenção. Não somente aceitar, mas também aprimorá-lo graças a um cansativo porém apaixonante trabalho de autoconhecimento. Bem, isso é o que elas querem que vocês — e os maridos delas — acreditem, mas é mentira.

 

Até pouco tempo, na França, a cirurgia plástica era considerada sintoma de dois problemas preocupantes: futilidade e depressão. O mundo evoluiu e, hoje, a maior parte das parisienses intervém no corpo ou no rosto. Mas, mesmo agora, elas o fazem de sua própria maneira, seguindo determinadas regras. O segredo é a moderação.

 

Como? Antes de mais nada, elas escolhem uma única coisa em que intervir, uma só operação. Aquela que realmente mais a incomoda. Pode ser o nariz, a boca, os seios ou a barriga...

 

Além disso, elas postergam o máximo possível o primeiro retoque nas rugas. É raro na França encontrar um rosto retocado com menos de 35 anos. Em geral, elas partem para a briga aos 40, quase sempre com ácido hialurônico ou botox (e a este, não se deve recorrer mais de uma vez ao ano, evitando o risco de ficar muito evidente). Tendo resistido pacientemente, graças a esses recursos preliminares, aos 50 é chegada a hora dos primeiros miniliftings, em locais estratégicos: nas pálpebras, nas bolsas sob os olhos, nas rugas do lado da boca. Depois, aos 60, pensa-se na possibilidade de fazer um lifting.

 

A cirurgia não é, como em alguns países, um sinal exterior de riqueza. Seu maior trunfo é ser imperceptível, e é por isso que não se comenta sobre isso em Paris. O principal é evitar qualquer intervenção que tire o movimento, que deixe a mulher parecendo uma estátua ou uma boneca.