Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
Apaixonada pelo amor
Imagine um graveto qualquer. Jogue-o em um lago congelado. Espere um pouco. Dia após dia, ele será coberto por uma fina camada de gelo. Seu graveto por fim terá um brilho luminoso, como uma pedra preciosa cintilante. Terá passado por um processo de “cristalização”. Com o amor, é igual. No momento do encontro, o objeto amoroso está coberto de um verniz de perfeição que o torna extraordinário. Pelo menos foi assim que Stendhal, o escritor do século XIX, descreveu o estado amoroso em seu livro intitulado Do amor. Segundo ele, a cristalização é um estado passageiro, semelhante à loucura obsessiva, no qual o outro é idealizado. Frequentemente, a situação se extingue em pouco tempo. Mas com as parisienses é diferente. A parisiense é apaixonada pelo amor. Enlouquecidamente. Toda sua vida gira em torno dos batimentos de seu coração.
A “cristalização” é seu desequilíbrio mental, que faz com que ela faça absolutamente qualquer coisa.
Escrever cartas que nunca serão enviadas. * Gastar uma fortuna em
lingeries que tampouco serão mostradas. * Amar com a mesma
violência três homens em uma semana. * Recusar uma reunião de
trabalho para esperar uma ligação que nunca será feita. * Viver com alguém na cabeça sem ao menos saber seu nome.
Eis o segredo da parisiense, o que mantém suas bochechas rosadas e o sorriso em seus lábios. Seu amor pelo amor. E ainda que o objeto amoroso mude, ainda que ela seja capaz de hoje amar um e, amanhã, outro: o sentimento perdura. Ela é completamente fiel, mas nem sempre ao mesmo homem.