Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 38 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

3. Cuide da aparência

- Mas você disse para ele nunca mais te ligar!

- Não acredito que ele levou a sério.

3

 

CUIDE DA APARÊNCIA

Look

 

24h

O

 

ESSENCIAL

 

A calça jeans. Sempre, em qualquer lugar, com qualquer coisa. Tire-a de seu armário e a parisiense se sentirá nua.

 

O sapato masculino. Simplesmente porque sempre te disseram que esse sapato chique e sem salto não era feito para as meninas e porque você tem o espírito rebelde. Essa, aliás, é a essência do seu estilo.

A bolsa. Não é um acessório, é sua casa, uma zona completa onde você acha tanto um trevo-de-quatro-folhas seco quanto uma conta de luz velha. E se ela é linda do lado de fora, é só para manter as aparências. E que ninguém ouse investigar o que tem dentro dela.

 

O blazer preto. Aquele que dá um estilo elegante a um jeans meio sujo (o que você usa o tempo todo), aquele que você veste nos dias em que não quer fazer nenhum esforço para se vestir bem, sem que o desleixo seja evidente.

 

As sapatilhas. Devem ser o equivalente ao par de chinelos que você nunca compraria. Você não negocia entre conforto e elegância. Para você, é os dois ou nada. Audrey Hepburn nunca foi vista com um par de sandálias papete.

 

O lencinho de seda. Ele tem mais do que uma função. Primeiro, confere um toque de cor a uma roupa escura, sem o risco de dar um passo fora da cadência na melodia da moda. Além disso, caso chova, você pode usá-lo para cobrir a cabeça, como Romy Schneider. E, às vezes, ele também serve para assoar o nariz da sua filha quando acabam os lenços de papel.

 

A blusa branca: ela é emblemática e atemporal.

 

O trench coat. Sim, ele não te protege tanto do frio quanto a doudoune, aquele casaco acolchoado à la boneco Michelin. Mas quando vestimos uma doudoune temos a impressão de acrescentar voluntariamente pneuzinhos em volta da nossa cintura.

 

O cachecol enorme. Justamente porque você não tem uma doudoune. E graças a toda essa sua mise-en-scène, você acaba ficando com frio.

O casaco comprido por cima dos ombros. Você usa na manhã depois da festa, como se estivesse enrolada em um edredom. Ele é macio como um ursinho de pelúcia, aconchegante como um ansiolítico, amplo como um biombo. Para os dias em que estamos de mal com nosso quadril.

 

Os óculos escuros básicos e enormes. Todos os dias, mesmo quando está chovendo, pois sempre há um bom motivo para usá-los: muita luminosidade, ressaca, choradeira, vontade de criar um ar de mistério.

 

A blusa larga. Você sempre abre um botão a mais e a deixa um pouco solta para que não fique com um ar sério demais. Em geral, você pegou emprestada do seu namorado, não devolverá nunca mais, e a usará mesmo quando, um dia, estiver nos braços de outro homem. Porque o amor passa, enquanto algumas modas persistem.

 

A camisetinha simples que custa caro. A contradição guia sua vida como a liberdade guia o povo. Você aceita ceder aos modismos mais populares, mas sem abrir totalmente mão do toque de luxo. Por isso você passa horas procurando a camiseta ideal cuja malha fina e um pouco transparente criará o efeito de uma caxemira.