Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 60 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Nudez

 

Ainda que ver seios na televisão francesa seja algo corriqueiro, ainda que isso não choque ninguém há muitos, muitos anos, a parisiense permanece pudica em relação à própria nudez. Não é porque um francês pintou “L’Origine du Monde” — um quadro realista representando a parte da anatomia feminina por onde saem os bebês — há 150 anos que podemos andar nuas por todos os lados.

 

A nudez deve permanecer uma aparição. Como um jogo amoroso: nunca acontece por acaso, e não deve ser nem banal nem presumida. Ela quer dizer algo.

 

Dessa forma, quando você caminha nua, você se permite ser vista e o outro sabe que isso é intencional. Você provoca excitação. Mesmo se está com a mesma pessoa há muito tempo, você não fica desleixada, você mantém a postura. Você aprendeu a se conhecer, a lidar com suas particularidades.

 

Você não é mais a mesma mulher quando está nua: quem não gosta dos próprios quadris anda de lado, de costas para a parede, mas mostra os seios. Quem tem as pernas curtas ou a coxa grossa demais fica na ponta do pé. Quem não gosta dos próprios seios encara o bisturi. Mas enquanto isso, cruza os braços e, na cama, prefere as posições de costas.

 

Em suma, você não cultua o corpo perfeito, mas faz o melhor com o que a natureza lhe deu.