Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 34 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Filhos: O que ela nunca confessa

FILHOS: O QUE ELA NUNCA

 

CONFESSA

 

A parisiense nunca contrata uma babá bonita demais, tendendo sempre a achar a feia muito mais competente.

 

Ela sempre comenta, como quem não quer nada, que está preocupada (o que é mentira) porque a filha é “muito precoce”. É o seu jeito de dizer que a filha é um gênio. É também o seu jeito de dizer que ela puxou à mãe.

 

Ela sempre usa doenças imaginárias dos filhos para escapar de jantares entediantes. Depois, sente-se culpada, com medo que algum Deus se vingue das suas mentiras fazendo seu bebê ficar de fato doente.

 

Ela troca fraldas sem torcer o nariz, mas nunca fala em público sobre diarreias ou gastroenterites. Mesmo no pediatra, ela hesita ao pronunciar essas palavras.

 

Ela não se sente obrigada a amamentar. Ela amamenta se quiser. E ai de quem tiver a audácia de opinar sobre o que ela deve ou não fazer com seus seios. Ainda mais se for um homem.

 

Ela deixa os filhos dormirem na sua cama, de vez em quando, principalmente porque isso é proibido por todos os livros sobre criação de filhos e ela adora ser do contra.

Ela ganha tempo para terminar a conversa que está tendo ao telefone com a melhor amiga dando balas para os filhos.

 

Entre os amigos dos filhos dela, tem uns que ela adora. E outros que ela acha uns malas. Ela não faz muito esforço para esconder o que pensa, considerando que mau exemplo é ser hipócrita.

 

Ela é capaz de passar horas inventando mundos imaginários com seus filhos, onde ela mesma adoraria morar para sempre, caso não tivesse que voltar às vezes a ser adulta e ganhar a vida.