Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
Filhos: O que ela nunca confessa
FILHOS: O QUE ELA NUNCA
CONFESSA
A parisiense nunca contrata uma babá bonita demais, tendendo sempre a achar a feia muito mais competente.
Ela sempre comenta, como quem não quer nada, que está preocupada (o que é mentira) porque a filha é “muito precoce”. É o seu jeito de dizer que a filha é um gênio. É também o seu jeito de dizer que ela puxou à mãe.
Ela sempre usa doenças imaginárias dos filhos para escapar de jantares entediantes. Depois, sente-se culpada, com medo que algum Deus se vingue das suas mentiras fazendo seu bebê ficar de fato doente.
Ela troca fraldas sem torcer o nariz, mas nunca fala em público sobre diarreias ou gastroenterites. Mesmo no pediatra, ela hesita ao pronunciar essas palavras.
Ela não se sente obrigada a amamentar. Ela amamenta se quiser. E ai de quem tiver a audácia de opinar sobre o que ela deve ou não fazer com seus seios. Ainda mais se for um homem.
Ela deixa os filhos dormirem na sua cama, de vez em quando, principalmente porque isso é proibido por todos os livros sobre criação de filhos e ela adora ser do contra.
Ela ganha tempo para terminar a conversa que está tendo ao telefone com a melhor amiga dando balas para os filhos.
Entre os amigos dos filhos dela, tem uns que ela adora. E outros que ela acha uns malas. Ela não faz muito esforço para esconder o que pensa, considerando que mau exemplo é ser hipócrita.
Ela é capaz de passar horas inventando mundos imaginários com seus filhos, onde ela mesma adoraria morar para sempre, caso não tivesse que voltar às vezes a ser adulta e ganhar a vida.