Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 35 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Gafes

 

* Você escreve uma mensagem falando mal de uma menina e, sem querer,

envia justamente para ela. Simplesmente porque estava pensando tanto nela, acabou selecionando o número errado.

 

* Pior: você se ouve pedindo desculpa para essa pessoa, que nem por um

segundo acredita na história que você inventou, e que continua escutando apenas pelo prazer de prolongar o vexame.

 

* É aquele cara gato que você encontra na noite pela segunda vez, sorri

quando se aproxima de você e diz: “Oi, Anne.” Sendo que seu nome é Audrey.

 

* É a meia-calça que rasga exatamente no momento em que você senta

para uma entrevista de trabalho. E esse furo ocupa um espaço tão grande nos seus pensamentos que se transforma em um furo na sua memória; ele cria, por sua vez, um furo na sua conta bancária por não ter, obviamente, conseguido o trabalho.

 

* É o porco assado que você preparou para receber um casal de amigos

muçulmanos para jantar.

 

* É o alarme que te lembra de tomar a pílula no meio de uma reunião de

trabalho, às 11h da manhã. Na melhor das hipóteses, vão pensar que é o

despertador.

 

* É o dia seguinte, quando você acorda com alguém do seu lado e lembra

que se esqueceu de tomar a pílula porque estava em reunião, ontem, às 11h da manhã.

 

* É quando seu pai envia sem querer para você uma mensagem erótica

destinada à amante. O que faz você superar seu complexo de Édipo imediatamente.

 

* É champanhe. Vodca. Champanhe. Vodca. Champanhe. Até que chega a

hora de tomar um café.

 

* É também a foto que se apagou da sua memória, mas que chega antes

de você — graças ao Twitter — no seu escritório.

 

* E o que é mais constrangedor: foi você mesma que postou.

 

* São as 456 mensagens não lidas na caixa de entrada do seu e-mail de

trabalho.

 

* É a mensagem de um headhunter que você recebeu há um ano,

esquecida entre as outras, e desperdiçada para todo o sempre.

 

* É o gerente do seu banco, primeira pessoa a ligar no dia do seu

aniversário.

 

* É o fiscal da receita, que liga em seguida, como se tivessem combinado.

 

* É uma espinha no bumbum no dia de um jantar romântico.

 

* Gafe. Todos esses pequenos momentos que fazem com que você nunca

se leve a sério demais.