Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 47 de 106

Páginas do PDF

Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Vista por um escritor americano

Vista por um

 

escritor americano

 

“Eles ziguezaguearam pela cidade, sob a luz favorável do entardecer. As parisienses já eram bonitas; agora, ainda mais. O restaurante aonde Claire os levou, nas ruelas estreitas do Quartier Latin, era pequeno e agitadíssimo, com paredes cobertas de azulejos marroquinos. Mitchell sentou de frente para a janela, olhando o fluxo de gente na rua. Em um dado momento, uma menina com cara de quem tinha vinte e pouquinhos, com um corte de cabelo Joana D’Arc, passou bem na frente da janela. Quando Mitchell olhou para ela, a moça fez uma coisa impressionante: ela devolveu o olhar. Ela encarou Mitchell com um comportamento abertamente sexual. Não que ela quisesse transar com ele, necessariamente. Só que ela não se incomodava de reconhecer, nesse entardecer de fins de verão, que ele era homem e ela, mulher, e que se ele a achava atraente, por ela tudo bem.”

 

A trama do casamento, de Jeffrey Eugenides, traduzido do inglês por

Caetano Waldrigues Galindo (Ed. Companhia das Letras, 2012)