Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 39 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Três centímetros, e nem um a mais

TRÊS CENTÍMETROS,

 

E NEM UM A MAIS

 

Zsa Zsa Gabor dizia: “A única profundidade que o homem busca na mulher é a do decote.”

Ela talvez estivesse certa, mas um decote profundo demais acaba com a curiosidade. Ele revela tudo muito rápido. Ele serve a sobremesa quando ninguém chegou a provar as entradas. Ele atropela o desejo. Revela uma falta de confiança. Ele não sabe que pode agradar sem se expor tanto. É como as meninas que falam tanto que ninguém ousa fazer uma pergunta.

 

A parisiense não revela quase nada. Ela segue um mandamento simples a esse respeito: três centímetros.

 

Uma saia que sobe até o início da coxa quando ela se senta no café. Uma camiseta com gola larga que deixa escapar o ombro quando ela acena para o garçom. Uma insinuação sutil dos seios quando ela abaixa para pegar a bolsa.

 

Três centímetros, e nem um a mais. Uma amostra.

 

E essa amostra é o combustível que incendeia a imaginação. Que deixa o homem com vontade de ver mais, interessado por sua história, querendo quebrar o silêncio, arrancar sua blusa. A parisiense lida elegantemente com esse mistério, não tem pressa para que alguém desvende o enigma de seu corpo nu. E muitos são os que se jogariam aos seus pés, ainda que somente para tirar seus escarpins. Três centímetros, nada mais.