Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
Três centímetros, e nem um a mais
TRÊS CENTÍMETROS,
E NEM UM A MAIS
Zsa Zsa Gabor dizia: “A única profundidade que o homem busca na mulher é a do decote.”
Ela talvez estivesse certa, mas um decote profundo demais acaba com a curiosidade. Ele revela tudo muito rápido. Ele serve a sobremesa quando ninguém chegou a provar as entradas. Ele atropela o desejo. Revela uma falta de confiança. Ele não sabe que pode agradar sem se expor tanto. É como as meninas que falam tanto que ninguém ousa fazer uma pergunta.
A parisiense não revela quase nada. Ela segue um mandamento simples a esse respeito: três centímetros.
Uma saia que sobe até o início da coxa quando ela se senta no café. Uma camiseta com gola larga que deixa escapar o ombro quando ela acena para o garçom. Uma insinuação sutil dos seios quando ela abaixa para pegar a bolsa.
Três centímetros, e nem um a mais. Uma amostra.
E essa amostra é o combustível que incendeia a imaginação. Que deixa o homem com vontade de ver mais, interessado por sua história, querendo quebrar o silêncio, arrancar sua blusa. A parisiense lida elegantemente com esse mistério, não tem pressa para que alguém desvende o enigma de seu corpo nu. E muitos são os que se jogariam aos seus pés, ainda que somente para tirar seus escarpins. Três centímetros, nada mais.