Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 61 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Turma de meninas

 

Vendo de fora, alguém pode pensar que as parisienses não se dão muito bem entre si. Porque, a priori, duas parisienses na mesma sala significa uma parisiense em excesso. No primeiro encontro, elas se olham de cima a baixo, se avaliam e se fuzilam com o olhar, dando à cena tons de um Velho Oeste moderno. Mas essa hostilidade nunca dura muito.

 

Difícil dizer se é por oportunismo, senso prático, um desdobramento do feminismo ou afinidade mesmo, mas o fato é que a parisiense sempre está em seu melhor estado quando está em grupo. Ela adora criar pequenos núcleos sólidos onde as qualidades de cada uma se agregam tanto e tão bem que o grupo em si torna-se muito mais desejável e sedutor do que um de seus membros isoladamente.

 

A parisiense, por mais autoconfiante que seja, entende que precisa de outras mulheres na sua vida. Amigas de infância que reencontra anos depois. Amigas de adolescência que testemunharam todas as suas primeiras vezes (primeiro beijo de língua, primeira vez que matou aula, primeiro bolo que levou, primeira vez, primeira pílula do dia seguinte). E, por último, as amigas-irmãs, aquelas com quem pode sempre contar. É a que bate na porta, de mala e cuia, quando acaba de levar um pé na bunda. É a que decide engravidar ao mesmo tempo, talvez pela impossibilidade de terem filhos umas com as outras.

 

A parisiense sem sua turma é uma mulher incompleta.