Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 41 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

A minissaia

 

V ocê pode combinar sua minissaia com uma camiseta branca, com uma blusa estampada, mas nunca, nunca deve usá-la com nada decotado ou vulgar. Sandália sem salto e maquiagem invisível. A minissaia, para ser digna do nome, deve ter um corte perfeito. Seja em jeans, algodão ou couro: ela é reta, extremamente simples.

 

Porque na França ela não representa uma vontade de seduzir. Não. Ela é um símbolo de liberdade. A minissaia surgiu em Paris muito antes da moda do swinging London ou pelo menos é nisso que as parisienses gostam de acreditar. A primeira foi encomendada a Jean Patou, um costureiro parisiense, no início dos anos 1920. A francesa Suzanne Lenglen, campeã de tênis, pediu a ele que desenhasse um modelo de saia para os Jogos Olímpicos de Inverno. Com a “moda Lenglen”, surgiu um novo gênero, a mulher forte, mas que não se masculiniza.

 

Dessa forma, a minissaia criou um jogo de vaivém, entre o que é mostrado e o que é oculto. É uma fenda no tempo: o momento entre o vestir-se e o despir-se. Nem nua, nem vestida. E sim em um estado intermediário.

 

“As pernas das mulheres são compassos que vagueiam pelo globo terrestre, em todas as direções, dando-lhe o seu equilíbrio e a sua harmonia.”

Do filme da Nouvelle Vague O homem que amava as mulheres,

de François Truffaut (1977)