Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
Azul-marinho
Nos anos 1980, uma música tocava sem parar nas rádios. “Eu toquei o fundo da piscina, usando meu casaquinho azul-marinho cheio de furos nos cotovelos, que eu nunca quis costurar.”
Nós crescemos ouvindo esse refrão, cultivamos a imagem dessa linda menina desenvolta, com um casaco com gola em V, um casaco da mesma cor dos seus olhos. Todas nós quisemos ter aquele casaco, pouco importava os furos, com a ideia de que assim a gente teria também aqueles olhos. Exagerando um pouco, poderíamos dizer que Isabelle Adjani inventou o azul-marinho. Ou melhor, que Serge Gainsbourg, o compositor dessa música cult, inventou por ela. Gainsbourg era um espirituoso apaixonado. Com alma de pintor, chegou ao ponto de corromper, para uma mulher, essa cor que até o momento, na França, era diretamente associada ao uniforme dos bombeiros. E, como quase sempre acontece, a parisiense concorda com Serge. Esse azul específico é o azul que ela adotou, o da sua calça jeans, do grande xale que ela joga em torno do pescoço durante o inverno, do trench coat que se alonga até o início das suas canelas, e das listras da sua blusa de marinheiro preferida. É o azul da noite profunda, um tom bem próximo do preto, esse preto do qual tanto gostamos. A ponto de desafiar um dos mandamentos absolutos da moda: nunca combinarás preto com azul. Uma rebelião discreta, ok. Mas a parisiense não liga, ela prefere o mistério ao manifesto. Ou, pelo menos, é assim que ela se consola de certa falta de imaginação. E assim como Adjani, ela se contenta em acrescentar um acessório a esse estilo um pouco sóbrio demais, e de coroar o look com “óculos escuros para mostrar tudo o que eu quero esconder”.