Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
A parisiense em um banco de praça
A PARISIENSE EM UM
BANCO DE PRAÇA
A parisiense tem sempre uma boa razão para
estar sentada em um banco de praça.
Quando ela não quer chegar cedo a um encontro para o qual saiu de casa meia hora antes do que deveria.
Quando ela precisa mexer na bolsa para encontrar o celular e, depois, as chaves do carro, e o controle da garagem, e as chaves de casa. E quando, depois de tudo isso, fica com preguiça e não quer mais voltar para casa.
Quando ela vai embora para sempre, batendo a porta com determinação, mas na verdade não tem a menor ideia para onde ir.
Quando ela quer beijar um cara antes de decidir se o convida para subir para a casa dela ou se desvencilha para sempre de um beijo esquisito.
Quando ela correu cem metros atrás de um ônibus que não conseguiu pegar e ficou sem fôlego em consequência desse esforço físico inesperado.
Quando ela faz um telefonema que não quer que ninguém na casa dela ouça.
Quando ela quer ler um livro e quer ser vista lendo um livro.
Quando ela quer imaginar como é ser velha em Paris e contar a vida para os pombos por não ter companhia.