Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
Salvar a pele
ocê lembra quando era adolescente e ouvia aquelas músicas românticas que evocavam a pele do ser amado? Mas, na época, sem querer, você entendeu V errado, e essa confusão demorou muito para ser esclarecida. É verdade: o que você não faria para salvar sua pele? De todos os preciosos tecidos que você tanto ama, a pele é sem dúvida o que mais te fascina. O que mais cuida e mais estima. Esse couro do qual é capaz de ler todas as linhas, como as de um pergaminho. A sua relação com a sua pele é fruto de uma boa educação.
A beleza na França é epidérmica. A maquiagem, pouco importa. O que conta é o que está acontecendo por debaixo dela. Sua mãe, aliás, deu-lhe de presente um espelho de maquiagem, daqueles que ampliam e acusam todos os detalhes, evidências do efeito do tempo em seu rosto. Ela não repetiu exaustivamente que você não deveria fumar, que não deveria beber demais. Ela simplesmente a convidou a constatar os efeitos de tudo isso em sua imagem refletida. Na pele, a memória de suas festas fica impressa. Sob seus olhos, ao lado dos lábios. Ela desta forma ensinou-lhe a não pecar pelo excesso.
Porque em Paris as regras são claras: prevemos o futuro, nos preparamos para quando ele chegar, mas nunca o corrigimos completamente. Faça o melhor com aquilo que a natureza ofertou para você. Tire o melhor partido possível da situação. É o que sua mãe lhe transmitiu, além da ciência dos cremes, similar à feitiçaria. Você nunca contou o número de potes e frascos em seu banheiro, mas sabe que há um para cada centímetro do seu rosto; ou melhor, um para cada centímetro do seu corpo, passando pelo pescoço, pelo busto, até a sola dos pés.
Findos os primeiros anos da juventude, você nunca mais pôs a cabeça no travesseiro sem tirar a maquiagem, para adormecer com um cheiro diferente daquele com que foi para a festa. Sim, você vai deitar um pouco mais tarde depois de todos esses cuidados. Mas é o preço que se paga para salvar a sua pele.