Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
A pele
A pele deve parecer natural. As sardas podem aparecer na primavera, junto dos primeiros raios de sol. Às vezes, as maçãs do rosto ficam rosadas, quando conta-se uma mentira. Ou as duas bochechas ficam rosadas, quando se está tímida. Não se deve abafar todas as histórias contadas pela cor natural da nossa epiderme.
E, portanto, a pele deve ser mostrada, revelada, despida.
Como? As francesas evitam usar base, que tem o mesmo efeito de uma mortalha. Ela unifica; logo, banaliza.
Para substituir a base, há uma infinidade de artifícios. Invisíveis, porém eficazes: funcionam como um verniz. Da mesma forma que os pintores “preparam” seus quadros antes de aplicar as tintas (essas preparações eram segredos tão bem guardados que muitas vezes morriam junto com eles), a pele do rosto deve ser tratada como uma tela.
Em vez da base, passe um creme hidratante, que os maquiadores profissionais utilizam como ponto de partida para toda maquiagem. Depois, disfarce as imperfeições (olheiras, o lado do nariz, espinhas) com um corretivo, como o Touche Éclat da Yves Saint Laurent, ou com um BB cream. Se você realmente não consegue abrir mão da base, então desenvolva o hábito de misturá-la com um pouco de creme hidratante, para atenuar o efeito.
Caso vá sair, passe um batom vermelho vibrante (Dior Addict) e aplique generosamente rímel tanto nos cílios de cima quanto nos de baixo (Hypnôse, da Lancôme). Isso realça o olhar e, ao mesmo tempo, disfarça as olheiras.
CUIDE DAS EXTREMIDADES
Ainda que a parisiense possa às vezes parecer desleixada, ela jamais negligencia os fundamentos universais da feminilidade: as mãos e os pés. O que isso significa? As unhas devem estar limpas, cortadas e, às vezes, pintadas — mas não sempre. Simplicidade em primeiro lugar. Aliás, a expressão “francesinha” é um enigma. Ela representa exatamente o contrário do chique francês. A parisiense não entende o porquê desse estilo de manicure e nunca o usaria. Ela é uma confissão do tempo dedicado à sofisticação.
Apesar de todos esses cuidados, a parisiense mantém pequenas imperfeições, das quais inclusive orgulha-se (uma pequena fenda entre os dentes, ou dentes um pouquinho acavalados, sobrancelhas proeminentes ou um nariz marcado). Eles são a marca de uma personalidade forte, e a autorizam a se achar bela, sem ser perfeita.