Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 80 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Noite de jogos

 

Em Paris, não há cassinos — a lei proíbe. Ainda assim, os parisienses adoram jogar quando se encontram, é uma verdadeira tradição. Jogam, normalmente, em volta de uma mesa, depois de um jantar ou quando encontram os amigos para beber (quanto mais pessoas melhor).

 

INSTRUÇÕES

 

“Eu nunca” (à moda francesa)

 

Número de jogadores: 2, no mínimo

Material: 2 copos cheios, a serem bebidos com ou sem moderação

 

O primeiro a jogar diz algo que nunca teria coragem de fazer. Por exemplo: “Eu nunca... transei com um desconhecido.” Caso seja verdade, ele não faz nada. Caso seja mentira, ele bebe um gole (de água, ou não), o que significa que ele está mentindo. Os outros jogadores devem fazer o mesmo. Ou seja, beber um gole caso tenham feito o ato supracitado. Depois, é a vez da pessoa ao lado, que deve também dizer um “eu nunca”... E assim por diante.

 

Em geral, a coisa esquenta bem rápido.

“O jogo do livro”

 

Número de jogadores: 2, no mínimo

Material: um livro

É uma brincadeira de clarividência.

 

Pega-se um livro, pode ser ficção ou não ficção, tanto faz. O primeiro a jogar se levanta e pede para um dos participantes fazer uma pergunta sobre sua própria vida, como se estivesse falando com uma vidente. Depois, pede para a pessoa escolher: “Do início ou do fim?”

 

Caso a pessoa escolha “do início”, o jogador folheia o livro, começando pela primeira página. Caso escolha “do fim”, inicia pela última página.

 

Quando a pessoa que fez a pergunta disser “para”, as páginas que estiverem abertas assim continuarão.

 

Depois, ele deve ainda escolher: “direita ou esquerda” para definir a página a ser lida.

 

E então escolhe um número de 1 a 30. Caso escolha 14, por exemplo, o jogador deverá ler em voz alta a linha 14 daquela página. A linha contém a resposta para a pergunta. A mensagem, quase sempre enigmática, é então analisada por todos os participantes. E recomeça-se com a pergunta de outra pessoa.

 

“Dicionário”

 

Número de jogadores: 4, no mínimo

Material: papel, canetas e um dicionário

 

O primeiro jogador escolhe uma palavra obscura no dicionário, que provavelmente ninguém conhecerá.

 

Ele a soletra em voz alta. Os outros jogadores devem então inventar o significado e escrevê-lo em uma folha, com o jargão de dicionário. O jogador que escolheu a palavra reúne todas as definições, inclusive a

verdadeira, escrita por ele em uma folha. Depois, ele lê todas elas, sem que ninguém saiba quem escreveu qual.

 

Os jogadores devem então votar, um de cada vez, na definição que acreditam ser a verdadeira.

 

Caso alguém tenha adivinhado o significado certo, ganha um ponto. O jogador que escreveu a definição mais votada recebe dois pontos. O vencedor é o que, no final do jogo, tiver somado mais pontos.

 

“O jogo do livro de ficção”

 

Número de jogadores: 4, no mínimo

Material: papel, canetas e vários livros de ficção

 

Funciona quase da mesma forma que o jogo do dicionário. Pega-se um livro e lê-se a primeira frase. Os jogadores devem inventar a última frase.