Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo
As verdadeiras armas
Baseado em uma fábula do
psiquiatra Milton Erickson
Milton Erickson (1901-1980) não tinha nada de parisiense. Era um grande psiquiatra americano, especializado em terapia comportamental, em hipnose e no tratamento de neuroses por meio da terapia de família.
Quando criança, presenciou uma cena que o marcou para sempre: alguns fazendeiros tentavam tirar um bezerro de dentro de uma cocheira. E o bezerro, por sua vez, não queria sair. Os fazendeiros o puxavam pelo rabo, inutilmente. O bezerro fazia força para o outro lado e não se mexia.
Até que os fazendeiros tiveram uma ideia.
Bastava que puxassem o rabo do bezerro no sentido contrário. O bicho mudou o plano imediatamente e correu para fora. Ele saiu da cocheira, sozinho.
Milton Erickson tirou uma verdadeira lição sobre a psicologia humana dessa experiência. A gente erra muitas vezes, insiste no erro, quando bastaria fazer exatamente o oposto para obter o resultado desejado.
As verdadeiras armas das parisienses em caso de conflitos amorosos:
AS LÁGRIMAS
Algumas mulheres pensam que os homens se emocionam com as suas lágrimas. Talvez elas ainda cultivem a ilusão de que isso tenha algum efeito, uma vez que funcionava quando eram crianças.
Não se engane, suas lágrimas não demonstram sua fragilidade. Aceite, elas não são comoventes. Chorar não é uma arma, é um ruído, muco, energia desperdiçada inutilmente.
A não ser que... você não chore nunca. Aí, nesse caso, quando você finalmente chorar, pode ter certeza que isso vai mexer com a cabeça dele.
Mas, cuidado, é uma oportunidade única. Escolha o momento certo, você não vai ter uma segunda chance.
O CIÚME
O ciúme é um estorvo para todos os envolvidos: para quem sente e para quem é objeto dele. Nesse jogo, não há vencedores.
Em vez de dar um piti, a parisiense se segura. E não cultiva o medo fantasioso, corta-o pela raiz. Ela poderia dizer: “Essa mulher, além de linda, é tão simpática e inteligente!” Eis a melhor forma de apagar o incêndio: reconhecer que o medo existe.
Caso, entretanto, o incômodo perdure, caso o risco seja maior do que o previsto, convide a adversária para jantar no domicílio conjugal. Levar o lobo para o meio do rebanho fará dele um cordeiro. Na pior das hipóteses, você vai ganhar uma nova amiga.
A DIFAMAÇÃO
Colocar o outro para baixo para deixá-lo à sua mercê: uma bela idiotice. Fazê-lo crer que ele não chega aos pés de qualquer cara aleatório que você encontra pelas ruas é inútil. As palavras cortantes, desagradáveis, não farão com que ele mude. Farão com que fuja. Por que ele deveria ficar com alguém que pensa tão mal dele? Em vez disso, cubra-o de elogios. Orgulhoso, com o ego massageado, ele vai querer uma só coisa: ser tão bom quanto a imagem que você pinta dele.
ACUSAR A FAMÍLIA DELE
Nunca, jamais, fale mal da família dele. Diga que sua sogra é uma mulher perfeita. Ele nunca vai se esquecer disso.
CARA FEIA
Na França, temos uma expressão para quem fica de cara feia na cama: l’auberge du cul tourné, ou seja, o albergue da bunda virada — quando um ignora o outro e dorme virado de costas.
O problema é que ficar emburrada é uma punição acima de tudo para você mesma. Cara feia é perda de tempo, energia desperdiçada que poderia ser utilizada de forma criativa. Em vez de fazer bico, pousar de mulher perfeita é uma arma de desestabilização muito mais eficiente. Fique alegre, sensual, brincalhona... Faça qualquer coisa, menos ficar emburrada. Ao se deparar com o que ele pode vir a perder, o pedido de desculpas vai surgir antes do esperado.
A troca de carícias (e não a troca de insultos) é o que ajuda um a entender as dores do outro.
CHANTAGEM OU SUICÍDIO
A chantagem emocional não serve para nada. Quanto à ameaça de suicídio, ninguém acredita que você teria coragem de verdade. Inútil engolir todo um frasco de bolinhas homeopáticas, a única coisa que isso atesta é que você não cumpre sua palavra.
Em vez de ameaçar desaparecer para sempre, desapareça de verdade. Tranquilamente, pegue sua bolsa, as chaves e, de boca fechada, atravesse a porta sem olhar para trás. Vá dar um passeio, seja por uma hora, ou por uma semana. Dê um tempo, desligue o telefone, desfrute o silêncio. Respire e sinta como é bom estar viva.