Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Anne Berest, Audrey Diwan, Caroline de Maigret, Sophie Mas · Capítulo 63 de 106

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Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo

Casamento à parisiense

 

De acordo com as estatísticas, os parisienses se casam pouco. Ainda que o casal esteja junto há muitos anos, mesmo depois de ter filhos.

 

O casamento não é uma tradição na capital francesa, já que as parisienses preferem “se sentir livres”, “não ter a necessidade de assinar um contrato como prova de amor”, “não ter que jurar ser fiel para sempre, sem saber se poderão cumprir”. Afinal, quem sabe o que o futuro reserva?

 

Dito isso, a verdade é que todas as parisienses sonham se casar. Por mais estranho que isso soe, o pensamento, o projeto, o sonho do “dia mais bonito de suas vidas” está permanentemente em suas mentes. Não podemos esquecer, no final das contas, que essa gente tem um gosto bizarro: consome escargots voluntariamente...

 

O PEDIDO DE CASAMENTO

 

Não é raro que a parisiense faça ela mesma o pedido de casamento. Ela, como todo mundo, quer que esse momento seja único e original. Mas, com medo de que seu futuro marido se engasgue ao engolir um anel escondido em um macaron, ela prefere uma mise-en-scène mais discreta.

 

— Qual é mesmo o seu segundo nome?

 

— Marcel e Jean, meus dois avôs, por quê?

 

— Eu estou no cartório. Estou reservando uma data de casamento.

Quer dizer, por você tudo bem, né?

 

A CERIMONIALISTA

 

Mulher madura que é capaz de vestir-se por conta própria, ter filhos por conta própria, dizer “merda” aos pais por conta própria, enfrentar doenças, chefes, injustiças e mil outras responsabilidades, tudo sozinha, a parisiense não tem nenhuma vontade de ter uma louca frustrada atrás dela dizendo como deve organizar sua própria festa de casamento.