O Circo dos Fantasmas

Barbara Ewing · Capítulo 30 de 52

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O Circo dos Fantasmas

Capítulo 29

 

 

FALE COM O MESMERISTA pode ter sido considerado um sucesso por alguns: os que

falavam.

Para Monsieur Roland e Cordelia, porém, a experiência foi um grande fracasso: um

terrível engano de proporções gigantescas. Tratou-se de um erro tão impressionante que

Monsieur Roland, ao cair do primeiro floco de neve do inverno, convenceu Arthur a

cobrir totalmente o presunçoso anúncio que Alfie fizera, para a decepção de alguns nova-

iorquinos que haviam aproveitado os serviços de FALE COM O MESMERISTA com muito

prazer pagando dois dólares por vez.

 

Monsieur Roland lera muitos livros, pensara muito e conversara bastante com Cordelia.

— O que realmente me interessa, as lembranças bloqueadas, não será óbvio no

começo, é claro — dissera ele. — E, em muitos casos, não será nem mesmo relevante, mas

não consigo imaginar nenhuma outra forma de começar, a não ser convidando as pessoas

para falarem conosco. Esse será um processo contínuo para podermos realmente ajudá-

los. Assim, talvez, ainda possamos aprender muitas coisas, mas vamos ver o que

acontece. Em um primeiro momento, tenho certeza de que falarão sobre as dores físicas

imediatas e talvez sobre os problemas atuais.

Nem mesmo esse homem sábio compreendera como estava certo.

O problema não foi que as pessoas que chegavam — os clientes, como Alfie as

chamava — não fossem sociáveis. Elas certamente eram. Tão sociáveis que quase afogavam

os mesmeristas em uma montanha de palavras, por vezes ditas em voz alta demais. Ainda

assim, os mesmeristas traçaram um plano (ou assim pensaram) com muito cuidado:

Cordelia, com seus cabelos curtos cobertos por um longo xale amarrado, e Monsieur

Roland com seu paletó antigo e bem-cuidado, sentariam cada qual em uma das duas salas

da rua Nassau, com um lampião a óleo em cada mesa de duas cadeiras. Em vez das antigas

palavras Entregue-se aos meus cuidados, que os mesmeristas usavam quando as pessoas

apresentavam dores de cabeça ou nas costas e mãos trêmulas, passaram a dizer: Existe algo

que poderá ajudar os passes do mesmerismo e lhe beneficiar de maneira mais proveitosa. Diga-

me como acha que a dor começou e como se sente. E, meu Deus, eles falariam como se sentiam, esses americanos: com riqueza de detalhes, sem parar, então, as horas passavam

e as vozes não cessavam, a não ser para tomarem mais fôlego.

— Sinto muito! — exclamara Cordelia, desesperada, para Monsieur Roland depois de

uma tarde particularmente difícil em suas salas recém-pintadas, mas junto com o

desespero veio um acesso de riso. Ela não conseguia parar de rir: lágrimas escorriam pelo

rosto. — Eles não param! Não param de falar! Não consigo fazê-los parar!

Foi quando ele respondeu:

— De fato, entendo o que quer dizer. — E ela ergueu os olhos e se deparou com a

expressão amarga e confusa e compreendeu: Monsieur Roland também não conseguia

fazer com que parassem.

Como Monsieur Roland predissera, as pessoas tinham problemas: algumas grandes,

outras pequenos; alguns se manifestando como verdadeira angústia física, outras

causando dor de cabeça ou queimação no estômago. Muitos dos problemas tinham a ver

com dinheiro. Monsieur Roland e Cordelia (que enfrentavam alguns problemas

financeiros) aprenderam rapidamente que, naquele país, com riquezas inimagináveis para

alguns, os que podiam pagar para falar com o mesmerista, para começar, provavelmente

possuíam dinheiro suficiente para sobreviver — no entanto, em geral, o problema não era

tão simples: eles queriam ganhar mais dinheiro —, muitas pessoas, quando ganhavam

muito dinheiro, desejavam ainda mais. Sentiam dores de cabeça ou desenvolviam

reumatismo porque havia mais dinheiro para se ganhar e não estavam conseguindo. E

havia também amor, morte, filhos, solidão e decepção. Se os praticantes estavam

procurando memórias bloqueadas, parecia que não encontrariam nada dessa maneira. O

experimento como um todo estava tão distante das ideias iniciais de Monsieur Roland

quanto poderia estar. O fluxo de conversa naquela terra de falantes não parava — afinal,

todos haviam sido convidados a falar, e ainda pagavam uma boa quantia para isso, não é

mesmo? Nada era mais fácil para essas pessoas do que contar seus segredos mais íntimos.

Como Monsieur Roland e Cordelia não haviam pensado em traçar parâmetros ou

cronometrar o tempo dos clientes — não tinham ideia de que precisariam disso nesse

estágio inicial do experimento —, então, uma tarde inteira poderia se passar, o frio chegar

e a noite cair e os americanos continuariam falando: todas as tentativas de silenciá-los

eram vãs. Algumas vezes, Monsieur Roland e Cordelia se davam conta de que escutavam

não uma, mas duas vozes: de cada uma das pequenas salas se escutavam vozes altas e

incessantes, contando seus problemas, um atrás do outro, para os mesmeristas, bem de

acordo com o convite que receberam. E o pior: agora que a conversa fazia parte do

processo, os clientes ainda costumavam fazer perguntas aos mesmeristas, “O que o

senhor acha da América?”, “Quantos anos o senhor tem?”, “O senhor é casado?”,

“Quanto o senhor ganha?”

Às vezes, quando finalmente chegavam em casa em Maiden Lane, Cordelia anunciava

que achava que Nova York era cheia de loucos; Monsieur Roland, mesmo com toda sua

experiência, não conseguiu se dar muito melhor e disse para Arthur:

 

— Preciso de você na entrada, para expulsar os clientes que não param de falar. É

— Preciso de você na entrada, para expulsar os clientes que não param de falar. É

muito difícil interrompê-los no meio de uma frase e cobrar os dois dólares quando chega

a hora do pagamento. Isso quando consigo definir a hora do pagamento! — E, embora

todos tenham rido, não conseguiram encontrar uma solução.

Alfie exclamou:

— Eu não disse? Falei que as pessoas poderiam falar até que sua cabeça explodisse.

Rillie sugeriu, sensata:

— Vocês deveriam ter uma campainha alta e tocá-la depois que certo tempo se

passasse.

Mas Cordelia tentou explicar uma vez mais: esses clientes tinham certas expectativas,

pagavam uma boa quantia para falarem e era impossível interrompê-los. Havia exceções, é

claro. No geral, porém, se aqueles americanos pagavam dois dólares para falar, eles

realmente falavam o tanto quanto quisessem e nada os faria parar.

Insistiram por vários meses, mas a verdade era que a América borbulhava com novas

ideias. Havia tantas placas e propagandas: mormonismo, shakerismo, batismo,

espiritismo, ocultismo, e o mesmerismo era algo do passado. Embora os clientes

aproveitassem os dois dólares gastos, seu número não cresceu de forma repentina: a

palavra mesmerista não tinha mais o poder de atrair as pessoas. FALE COM O

MESMERISTA não foi apenas um fracasso filosófico, mas também um desastre financeiro:

cobria o aluguel das salas em Nassau Street, mas não sobrava muito mais dinheiro.

— A culpa foi minha, minha querida — lamentou Monsieur Roland. — Agora vejo que

não pensei em todos os detalhes. Esse não é o caminho. Tenho certeza de que há algo

aqui, algo que está bem próximo. É claro que há, tem de haver, pois as pessoas parecem

ter uma necessidade de falar, mas este não é o caminho certo.

— E como eles aproveitam essa chance! — exclamou Cordelia. — Ao pagarem dois

dólares, acham-se no direito de falar até que todos os lampiões a gás da Broadway sejam

acesos! — Então, ela lembrou-se dos clientes contidos que costumava atender em

Londres, dos quais, às vezes, era difícil extrair qualquer palavra.

— Os americanos são uma nova geração — ironizou ele. — No final da tarde de ontem,

chegou um cliente com uma forte dor nos ombros. Ele me perguntou como eu investiria

os dois dólares que me pagaria e se poderia se tornar meu consultor financeiro.

Cordelia riu.

— E o que o senhor respondeu?

— Pensando em como nossa querida Rillie cuida com tanto desvelo do nosso

dinheiro e como faz com que dure por tanto tempo, respondi que eu investia em uma

mulher, e ele, imediatamente, começou um discurso com informações sobre especulações

em “tavernas com garotas” na Pearl Street. “O senhor tem interesse nessa área?”,

perguntou-me ele. “O senhor poderá ganhar uma fortuna.”

Cordelia ria, solidária.

— E os ombros do homem?

 

— Ele falou por mais de duas horas, sem parar. Posso dizer que agora aprendi

— Ele falou por mais de duas horas, sem parar. Posso dizer que agora aprendi

bastante sobre Wall Street e que um dia poderei usar esse conhecimento, mas não hoje.

De todas as lembranças que ele havia tido na vida, não deixei de descobrir nenhuma. Por

fim, consegui convencê-lo de que eu já possuía informações suficientes para mesmerizá-lo

e ajudar a aliviar a dor nos ombros. Ele se sentou, inquieto, e continuou falando. Precisei

de cada grama da minha concentração para realizar os passes, acalmá-lo e ajudá-lo. Ele me

agradeceu profusamente, afirmou que foi bom conversar comigo e que seus ombros

estavam ótimos! — Monsieur Roland suspirou. — Mas eu poderia ter aliviado a dor dos

ombros sem toda aquela conversa! Como já disse, isso tudo é minha culpa, Cordelia.

Mesmerismo, dinheiro, lembranças e monólogos combinados é um total e completo

fracasso. Ainda creio que existe alguma maneira de seguirmos adiante com os

ensinamentos do dr. Mesmer. E não estou falando de hipnose. Estou tentando descobrir

algum outro tipo de cura. De qualquer forma, creio que ambos concordamos que FALE

COM O MESMERISTA pode ser considerado um grande fracasso.

Cordelia apenas concordou, aliviada.

 

Alfie, relutante, mudou a placa na porta, pois sabia que precisavam pagar o aluguel das

salas e que tinham de trabalhar de alguma forma.

— Daqui a poucas semanas, você poderá esperar por cartas da Califórnia — informou

ele. — Mas não agora.

Alfie estava trabalhando na nova pintura da placa, que continuou um pouco grande,

mas, mediante a insistência de Monsieur Roland, as letras agora eram menores. Alfie

contraiu os lábios e meneou a cabeça, mas a placa anunciava simplesmente:

 

MESMERISTAS

Monsieur Roland

Sra. Cordelia Preston

 

Uma vez mais, Alfie implorou para incluírem alguns pontos de exclamação:

MESMERISTAS!!!! Ou ainda: HIPNOTIZADORES!!!!!! Monsieur Roland, porém, achou

que a palavra “hipnotizadores” não seria compreendida da forma correta.

— Nós, de fato, hipnotizamos. É isso que todo bom mesmerista tem feito nos últimos

anos, empenhando-se em unir as nossas energias com a energia do cliente, para usar o

termo que o senhor usa, Alfie. Mas a palavra hipnose já está deveras associada a

charlatanismo e golpes baratos. Pelo menos algumas pessoas sensatas sabem que o

mesmerismo é uma ciência séria, mesmo que seus dias de glória tenham ficado no

passado. — Mas encurvou os ombros ao dizer isso. Estava mais abatido pelo fracasso do

que poderiam compreender.

 

E todos sabiam que, mesmo com Rillie agora trabalhando para La Grande Celine, as

E todos sabiam que, mesmo com Rillie agora trabalhando para La Grande Celine, as

finanças da família já não eram tão sólidas e as economias estavam diminuindo

rapidamente. Arthur Rivers se preocupava bastante; fosse ele religioso, teria rezado para

que Charlie não perdesse o emprego na Companhia de Água em Londres.

Preciso ganhar dinheiro de alguma forma, pensou Cordelia.

 

Então, certa manhã, encaminhou-se, apressada, ao Estúdio de Daguerreotipia do Sr.

Prince na Broadway, olhou a janela com cuidado e viu que o anúncio ainda estava lá:

MINISTRAMOS AULAS DE DAGUERREOTIPIA: INFORME-SE AQUI.

Nos últimos apavorantes e cômicos dias de FALE COM O MESMERISTA, enquanto

Cordelia observava os rostos dos americanos falantes, pensava: meu trabalho sempre

envolveu observar rostos. Mesmo há muito tempo, quando ainda era atriz, aprendi a minha

arte de encenação observando os rostos de outras pessoas. Lembrou-se do rosto louco e

maravilhoso do ator Edmund Kean, em sua interpretação de Rei Lear, quando ela

representava a filha mais nova: a homônima Cordelia. Lembrou-se do começo da sua

carreira como freno-mesmerista, quando procurava na expressão do rosto dos primeiros

clientes pistas sobre o que gostariam de ouvir. Lembrou-se ainda da primeira operação

médica da qual participou como mesmerista: apavorou-se ao ver os cirurgiões com

aventais impermeáveis e serras, mas, quando olhou para a mulher pálida deitada embaixo

do lençol também impermeável, compreendeu, de repente: aquela mulher também olhava

para o cirurgião e estava muito mais apavorada do que Cordelia, pois eles iriam usar a

serra para lhe remover o seio. Ao observar o rosto daquela paciente, Cordelia entendeu

claramente seus sentimentos e encontrou dentro de si a coragem para ajudá-la. Creio que

meu trabalho me fez compreender, algumas vezes, o rosto das pessoas. Talvez eu possa aprender

a capturar expressões de forma permanente.

Apressou-se em entrar no estúdio de daguerreotipia. Usava seu lindo chapéu.

O Sr. Prince a reconheceu imediatamente: a mulher com uma mecha branca de cabelo

e rosto inesquecível.

— Bom dia, Sra. Preston — saudou ele. — Como está sua linda filha? A senhora veio

para uma nova sessão?

— Gostaria de ter aulas — respondeu ela.

Ele ficou bastante surpreso (certamente, ela era velha demais, além de ser mulher). No

entanto, negócios eram negócios.

— Dez aulas de meio período custam cinquenta dólares. Ao final desse tempo, a

senhora será capaz de fazer um daguerreótipo.

Já havia planejado tudo com Rillie: tenho de tentar ganhar dinheiro e gostaria de

aprender isso, o que você acha, Rillie?

— Tenho o dinheiro aqui — afirmou Cordelia.

— Nesse caso, me chame de Larry — disse o Sr. Prince.

 

Cordelia retirou o chapéu: era melhor vê-la naquele momento do que mais tarde. Mas

Cordelia retirou o chapéu: era melhor vê-la naquele momento do que mais tarde. Mas

na verdade ele disse:

— Ora, ora. Ouvi dizer que existem novos estilos de cabelo.

Com a anuência de Monsieur Roland, Cordelia marcou algumas consultas de

mesmerismo na parte da tarde. Todas as manhãs, ela se apresentava a Larry Prince, o

daguerreotipista. Havia quatro alunos, Cordelia não só era a mais velha como a única

mulher. Toda manhã, Larry reiterava aos pupilos os princípios mais importantes da

daguerreotipia: trata-se de uma ciência com base em dois elementos vitais, um químico e

um óptico.

— E se vocês não possuírem uma intuição para a luz e a sombra, estão perdendo o

dinheiro de vocês e fazendo com que eu perca o meu tempo. Eu fui à Inglaterra. Vi a nova

fotografia, sei que podem fazer cópias, mas os retratos não são tão belos. Ainda creio que

a daguerreotipia seja a melhor maneira de se conseguir um bom retrato.

Sr. Prince sempre pedia a Cordelia, e não os jovens cavalheiros, para limpar a poeira

dos retratos da galeria de recepção todas as manhãs: o que ela fez sem reclamar,

observando tudo. Não era de se estranhar que Larry falasse tanto sobre a luz: a primeira

coisa que fazia ao chegar de manhã era correr para o estúdio, no andar superior, e

observar a luz do dia entrando pela grande claraboia, estudar a luz, discutir a luz e

lamentar quando o dia estava cinzento. Observou como Larry era paciente e meticuloso,

como movia os espelhos repetidas vezes até que ficasse satisfeito e convencido de que

aquela era a melhor forma possível de iluminar o rosto do cliente antes de tirar o retrato.

Ele é como Silas Swift, pensou Cordelia. Ele usa a luz para obter um efeito.

Logo ela não estava apenas tirando a poeira dos retratos, como também polindo as

lâminas que eram usadas nas daguerreotipias: folhas finas de cobre revestidas em prata;

lâminas inteiras, meias-lâminas e outras menores.

— Quanto mais polidas as lâminas, melhor será a imagem capturada — explicou Larry

aos alunos. Ele tinha uma sala escura onde cobria as lâminas com ingredientes “secretos”.

— Todos nós temos nossos segredos para melhorar as imagens e tornar a lâmina mais

sensível à luz — continuou. — Somos como os pintores de antigamente. O próprio

Michelangelo tinha seus segredos. — Então ele colocava a lâmina finalizada no suporte e

permitia que um dos alunos a utilizasse na grande câmera que aguardava de pé no

estúdio. Ali todos aguardavam ansiosos, afofando os cabelos.

O tempo real de captura da imagem (Larry dizia, orgulhoso, que agora podia fazer isso

em dez segundos) era a etapa que levava menos tempo de todo o processo. Enquanto o

cliente aguardava na nobre recepção no andar de baixo junto aos retratos limpos nas

paredes, Larry, ou um de seus alunos, aperfeiçoava a imagem sobre o vapor do mercúrio

aquecido.

Depois das dez aulas, Cordelia foi autorizada a fazer seu primeiro retrato, como

prometido. Arthur, sob protestos, posou para ela, com a cabeça presa no apoio.

— Mas você não deve sorrir, Arthur!

 

— Eu não vou sorrir — respondeu Arthur, sério, em consideração à esposa.

— Eu não vou sorrir — respondeu Arthur, sério, em consideração à esposa.

Permaneceu totalmente imóvel por dezessete segundos.

— Nada mal, companheira! — elogiou Larry quando Cordelia desceu à galeria de

recepção com o daguerreótipo finalizado em uma pequena moldura. Até mesmo Arthur

percebeu que o trabalho estava bom. Havia algo no rosto, algo gentil, mas também havia

algo mais, talvez os dilemas de sua vida refletidos ali. Talvez nem mesmo Cordelia tenha

compreendido o que havia capturado.

— Ora, ora, ora — disseram Rillie e Celine admiradas.

— Você capturou a alma de Arthur — declarou Monsieur Roland.

 

Certo dia Larry Prince fez um daguerreótipo de Cordelia.

A luz capturou seus olhos negros, os ossos de seu rosto pálido e o estranho corte de

cabelo. Seus cabelos ficaram tão destruídos que mal cresciam: quase sempre envolvia a

cabeça com um longo xale, cujas pontas caíam sobre os ombros conferindo-lhe um ar

alegre e garboso.

— Eles não me assustam — declarou ela. — Minha filha está segura longe daqui.