O Circo dos Fantasmas

Barbara Ewing · Capítulo 35 de 52

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O Circo dos Fantasmas

Capítulo 34

 

Era quase noite.

Gwenlliam estava sentada, com seu manto dobrado ao lado dela, dentro de uma velha

cesta de madeira em um dos píeres de São Francisco. Nos fins de tarde, ela costumava

sentar aqui para ver os navios que chegavam e partiam do porto. Gostava de assistir às

atividades do cais, navios descarregando e carregando mercadorias e sempre esperava

pelos lindos clíperes. Eram eles que lhe davam mais prazer de ver quando o vento enchia

suas velas e eles pareciam voar. Um dia talvez eu voe de volta para casa em um desses lindos

e rápidos veleiros. Naquela noite, não havia nenhum clíper, mas no convés de uma pequena

escuna próximo a ela um marujo estava sentado de pernas cruzadas costurando uma vela

e assoviando enquanto o dia escurecia. Os lampiões começaram a ser acesos, um a um, a

bordo dos navios.

Quase todos os dias, grandes navios e pequenos barcos desapareciam em direção à

Golden Gate e ao nevoeiro. Se tivesse escrito uma carta recente para a família a imaginava

atravessando o oceano Pacífico, passando pelo Panamá e chegando a Nova York e, por

fim, a Maiden Lane. E se avistasse bandeiras acenando em Telegraph Hill, o que significava

que o navio dos correios estava chegando, correria e entraria na fila da agência junto com

todas as pessoas de São Francisco. Toda a sua família escrevia para ela. As cartas de Regina

a faziam rir e sua mãe era a que mais escrevia, contando novidades sobre as pessoas a

quem ela queria bem e de quem sentia tanta saudade, dando a Gwenlliam amor e

segurança.

Gwenlliam observava a agitação à sua volta. Naquela noite, havia barcos, navios de dois

mastros, uma escuna e vários navios a vapor. E mesmo que houvesse um clíper, ela não

poderia subir a bordo: Silas não queria nem pensar em deixar a Califórnia; ainda estavam

ganhando muito dinheiro para irem embora. E mesmo sabendo que isso era verdade,

havia uma sensação entre a trupe do circo de que as coisas haviam mudado. Tudo estava

mais difícil e cruel, eles viam coisas que os perturbavam e o silêncio do cacique Great

Rainbow falava mais do que tudo. Todos queriam voltar para casa.

Gwenlliam respirou o ar frio e fresco e se virou para voltar ao circo.

E quando ela se virou quase colidiu com um cavalheiro de beleza extraordinária que

deveria estar bem próximo a ela.

 

— Boa noite, Srta. Preston — cumprimentou ele, em tom grave. — Um lugar com

— Boa noite, Srta. Preston — cumprimentou ele, em tom grave. — Um lugar com

muitas atividades!

E ele inclinou a cabeça em uma breve saudação, como apenas os ingleses faziam, e

retirou o chapéu.

Gwenlliam já estava acostumada a pessoas saberem o seu nome: a maior parte da

população de São Francisco já tinha ido pelo menos uma vez ao circo do Sr. Silas P. Swift.

Ela sorriu para o atraente inglês.

— Os navios costumam trazer cartas da minha família — informou ela. — Adoro

imaginá-los descendo a costa da Califórnia.

— Onde está sua família? — perguntou educadamente o cavalheiro.

— Nova York. Dizem que uma viagem até lá pode ser feita em menos de cem dias em

um clíper. Eles quase voam!

— A senhorita voa, em minha opinião, como um lindo pássaro! Perdoe-me por falar

com tanta familiaridade, Srta. Preston. — (Ela quase riu: será que ele não sabia que agora

vivia na terra da amizade?) — Mas eu já fui diversas vezes ao circo e admirei as suas

habilidades. A senhorita parece maravilhosa quando voa pelo ar. Por favor, permita-me

me apresentar: sou o Sr. James Doveribbon e cheguei há pouco a São Francisco.

— O senhor veio em busca de ouro?

O Sr. Doveribbon deu um sorriso muito atraente.

— De certa forma, eu vim em busca de ouro — respondeu ele. — Mas, Srta. Preston,

não conheço muita gente em São Francisco e pensei em ir uma vez mais ao circo do Sr.

Silas P. Swift esta noite. Será que posso acompanhá-la ao seu destino?

— É claro — respondeu Gwenlliam.

Então, Preston e Doveribbon, se afastaram do porto, um lindo casal, e seguiram

caminho para o local onde os lampiões brilhavam e a luz suave fazia São Francisco

parecer uma cidade menos enlameada, feita de tábuas de madeira, para onde as pessoas

iam em busca de ouro e mais uma cidade de riqueza e sonhos, como diziam as

propagandas.