O Guardião

Daniel Polansky · Capítulo 21 de 49

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O Guardião

Capítulo 21

A notícia de Marieke reduziu pela metade a velocidade de meus pensamentos e demorou um pouco para eu entender por que Garrincha não conseguia ficar quieto com aquele horrível casaco de lã. Quando me dei conta já estávamos quase de volta à Cidade Baixa. Detive meu passo. Depois de um momento o garoto fez o mesmo.

- Quando você pegou isso? - perguntei.

Ele pensou em mentir para mim, mas sabia que eu o havia desmascarado.

- Quando você foi se despedir.

- Deixe-me ver.

Ele tirou a corneta, entregou para mim e encolheu os ombros.

- Por que você roubou isso?

- Porque eu quis - respondeu. Seus olhos não diziam nada. Não era a primeira vez que eu o pegava roubando nem a primeira vez que ele caía do cavalo. Fazia parte do jogo e ele o jogaria até o fim.

Então decidi tomar outro caminho.

- Eu imagino que isso seja um motivo - disse eu.

- Ele está cheio de bugiganga. Ele não precisa disso.

- Não, eu suponho que não precise.

- Você vai me bater.

- Você não vale o transtorno. Tenho mais coisas pra me preocupar do que ensinar ética a um cão vadio. E também já está tarde pra você aprender. Você nunca vai ser muito mais do que já é.

Ele apertou a boca furiosamente e estava tão envenenado pelo ódio que achei que ele fosse me dar um soco. Mas não o fez. Ao invés disso, ele cuspiu no meu pé e saiu correndo pela rua.

Esperei ele desaparecer antes de inspecionar o teor do saque.

Foi uma escolha inteligente. Era pequeno o bastante para esconder confortavelmente e, apesar de somente um artista ser capaz de fazer a mágica funcionar, era um artigo bem feito. Poderia render um ocre na casa de penhores certa. Na minha primeira vez no Ninho eu fiz uma escolha muito mais idiota. Peguei uma bola de quartzo do tamanho da minha cabeça. Era tão pesada que quase podia me arrastar sozinha. Além disso, estava tão claro que era um artigo de magia que nenhum desavisado tocaria nela. Ela passou dois anos escondida em um sucateiro perto das docas antes de eu criar coragem para devolvê-la.

Guardei a corneta na sacola e peguei minha garrafinha de Sopro de Fada. O vapor limpou tudo o que havia se passado na última hora, a pequena traição de Garrincha e a revelação de Marieke.

Eu precisava me concentrar em qual seria meu próximo passo, caso contrário eu acabaria tropeçando nos meus próprios pés.

Eu precisava ver Beaconfield. Se o talismã de Célia estivesse certo e ele tivesse envolvimento nesse negócio com as crianças, então eu precisaria tentar descobrir sua intenção. E se não tiver sido ele, eu ainda devo um carregamento a meu novo cliente predileto. Dei outra cheirada e depois segui para o leste para ver o kiren.

Uns dois quilômetros depois eu parei no Dragão Azul. O dono do bar, obesamente mórbido e ainda por me dizer seu nome depois de três anos à frente do estabelecimento, estava em alerta no balcão. Além dele, o salão estava quase vazio, pois sua clientela convencional ainda estava encerrando o turno de trabalho nas fábricas que funcionavam ali perto.

Peguei um lugar no balcão. De perto, a pele do taberneiro parecia ondular de um jeito particularmente repulsivo, como uma montanha de gordura levantando e subindo de acordo com sua respiração cansada. À exceção da respiração forçada, ele não se movia. A apatia abria ranhuras em seu rosto.

- Qual a boa nova? - comecei, sabendo que minha afabilidade não ganharia resposta. E não ganhou mesmo. Às vezes é chato estar certo o tempo inteiro. - Eu preciso de um carregamento - disse então. Uma das melhores coisas de negociar com os kirens é que você não precisa falar em códigos. Nenhum desses hereges trabalha para a fraude e um homem branco dentro de um bar é considerado simplesmente um homem branco dentro de um bar cheio de kirens.

Os olhos dele piscaram como se fosse o bater das asas de um beija-flor. Interpretei aquilo como um sim.

- Preciso de meia garrafa de mel de daeva e seis talos de raiz de uróboro. Houve uma extensa pausa, durante a qual o rosto do homem não deu a menor pista de ter entendido meu pedido. Isto se seguiu por um sutil desvio de seus olhos na direção da porta dos fundos.

Eu e os Dragões Azuis já fizemos um monte de negócios juntos. Não havia a necessidade de ver o chefão apenas para pegar alguns ocres de narcóticos.

- Agora não. Preciso ir pra outro lugar. Diga a Ling Chi que eu virei mais tarde.

Mais um intervalo interminável até mais uma olhadela para o mesmo lado. Parece que eu ia ter que ver Ling Chi mesmo.

Atrás da porta havia uma pequena sala ocupada por dois kirens segurando machados meia-lua e parecendo igualmente ameaçadores e entediados. Eles guardavam uma segunda porta, tão simples quanto a primeira. O que estava à esquerda curvou-se educadamente quando passei.

- Por favor, deixe suas armas sobre a mesa. Elas serão devolvidas depois de sua reunião - disse ele com um leve sotaque, mas a gramática e a dicção eram perfeitas. Seu parceiro bocejou e coçou o nariz por dentro. Deixei meus armamentos em um banco no canto e passei para a sala seguinte.

O guarda à direita tirou a mão do rosto e ergueu seu machado de modo ameaçador. Olhei para o parceiro dele, aparentemente o cérebro por trás da dupla.

- Nós lamentamos insistir em revistá-lo - disse ele, sem dar nenhum sinal de que realmente lamentava.

Aquilo foi inesperado e, como qualquer acontecimento inesperado em uma transação criminosa, sinistro. O Clã do Dragão Azul vinha me abastecendo de produtos havia três anos, desde que assumira o controle do território do Rato Morto. Durante aquele período, nós desenvolvemos um relacionamento mutuamente benéfico, fundamentado na confiança e na constância, como em qualquer relacionamento. Nada positivo poderia derivar da alteração da rotina.

Não deixei nenhum sinal de preocupação emergir em meu rosto. Os hereges são como os cães: qualquer sinal de medo e você está perdido. Ergui os braços e o guarda que estava cutucando o nariz me fez uma revista rápida, mas completa. O outro abriu a segunda porta e fez sinal para que eu entrasse.

- Nós agradecemos a nosso estimado convidado por aceitar o insulto com boa-vontade.

Em absoluto contraste com tudo o que cercava seu campo, cada centímetro da ala privada de Ling Chi era envolvida por características ostensivamente ricas que representam o máximo do bom gosto entre os hereges. Lanternas de madeira laqueada vermelhas iluminavam parcamente o recinto ao mesmo tempo em que criavam sombras estranhas e grotescas nas paredes. O chão era recoberto de tapetes kiren intrincadamente tecidos, com figuras em tamanho real consistindo em milhares de tranças avançando para o fundo da sala. Nos cantos, braseiros com a forma de estranhos semideuses meio animais expeliam a fumaça de intermináveis incensos, preenchendo o interior com um forte perfume almíscar.

Ling Chi estava no meio de tudo isso, reclinado em um divã de seda, enquanto uma beldade estonteante massageava seus pés. Um homem no início da meia-idade, pequeno até mesmo para um kiren, mas projetando uma presença de causar inveja a alguém com o dobro de seu tamanho. Seu rosto era uma máscara de pó de arroz, interrompida somente por um par de marcas falsas, e seu cabelo era elaboradamente penteado, uma crina negra atravessada por um arame de ouro que subia por sua cabeça como se formasse um halo. Ele me observava com o mais discreto dos sorrisos, com as mãos juntas enquanto as pontas de suas unhas longas tamborilavam ritmadamente.

Por mais que ele desempenhasse o papel do déspota degenerado, havia algo naquele homem que me fazia pensar o quanto daquilo era fingimento. Eu jamais deixaria de ter a sensação de que, assim que eu botasse os pés na rua, ele mandaria a servente embora e calçaria um par de chinelos e substituiria aquele aparelho maluco em sua cabeça por um chapéu decente.

Depois novamente vinha a sensação de que talvez não.

Nenhum estrangeiro jamais poderia entender um herege, não de verdade. Mas, mesmo que sua imagem fosse fabricada, sua posição era mais que merecida: Ling Chi, a Morte que Vem por Mil Cortes, cuja palavra é a lei de Kirentown até os muros da cidade. Os boatos diziam tanto que ele era o filho bastardo do Imperador Celestial como que era o filho de uma imigrante prostituta que morreu no parto. Se eu fosse apostar, colocaria meu dinheiro na segunda opção. A nobreza tende a carecer do ímpeto necessário para a manutenção de uma atividade tão vasta.

Em menos de uma década ele transformou uma gangue de bairro em uma das mais poderosas entidades criminais de Rigus, e o fez tendo diante de si os entrincheirados interesses do submundo. Sua liderança durante a Terceira Guerra do Crime Organizado fez de seu grupo um dos raros a saírem daquele negócio sangrento mais forte do que entrou, unificando grupos kirens menores em uma tribo vigorosa o bastante para disputar lado a lado com as gangues de tarasaihgns e rouenders. Atualmente ele controla metade das docas e tem participação em praticamente todos os negócios ilícitos de seus compatriotas dentro dos limites da cidade.

Ele também é um louco completo, totalmente desprovido de qualquer daquelas qualidades como empatia ou consciência que podem se transformar em um obstáculo para a expansão ou para a consolidação de uma organização criminosa. A história diz que o ano seguinte a sua ascensão ao poder foi o melhor para os pescadores de águas rasas em cinquenta anos, o que teria acontecido pela quantidade de carne humana que Ling Chi despejou no porto.

Ele sorriu para mim com o dente pintado de preto à moda kiren:

- Meu amado amigo voltou depois de tão longa ausência.

Eu me curvei discretamente: - Meu mais íntimo confidente me deixa honrado por notar minha ausência.

- Um pequeno reconhecimento diante de tantos bons serviços fornecidos por meu amado aliado - disse ele enquanto a escrava pegava uma pedra de polir e passava suavemente pelas unhas, erguendo um pouco seus pés. O rosto de Ling Chi não ofereceu a menor pista de que ele tenha notado a ação dela. - Muita coisa aconteceu com o mais próximo de meus amigos desde a última vez que conversamos.

Esperei para ouvir aonde ele queria chegar.

- Há algumas semanas meu irmão pediu permissão para entrar em meu território. Fiquei grato por poder fazer a tão querido parceiro um favor. Meu irmão entrou, meu irmão fez perguntas. Um homem, um homem kiren, morreu. Depois, agentes reviraram a casa dele. Disseram que o homem morto era um assassino de crianças. Disseram que ele matou uma menina branca. Agora meu povo fala de coisas negras que se escondem nas sombras e perseguem crianças nas Terras Veneráveis. Também falam dos policiais de seu novo lar, que ficam felizes que isso aconteça - prosseguiu Ling Chi. E, enquanto ele dizia isso, as pontas de suas unhas douradas continuavam a tamborilar, click, click, click.

- Glória ao Imperador Celestial, cujos caminhos são sutis, mas corretos, e que retribui toda a maldade com o bem. Abençoados somos nós, que seguimos firmes no Caminho dos Céus, cujos passos são observados pelo mais Alto de seus Pastores. Talvez nossas palavras possam ser pronunciadas sem mentiras e nossas ações resultem na glória de sua Majestade Eterna - eu disse. Quero ver ganhar dessa seu bastardo cara-de-pau, pensei.

Ling Chi gargalhou, um som frágil como o estridular de um gafanhoto, e fez um sinal para o canto. Um garoto aproximou–se do trono com um cachimbo de quase um metro de extensão, cuidadosamente trabalhado para lembrar a figura de um dragão esticado, e o levou à boca de seu amo. Ling Chi tragou e despejou no ar uma asquerosa mistura de tabaco e opiáceos. Ele ofereceu para mim com um sinal de sua comprida unha, mas recusei e ele mandou o menino de volta para as sombras.

- A devoção de meu sócio é uma fonte de inspiração perpétua. No entanto... - o olhar dele tornou-se sombrio, com suas encolhidas pupilas negras rodeadas por um anel avermelhado - muitos são os demônios da iniquidade à espera no caminho para a iluminação, e sinuoso é o caminho. Nada satisfaz mais aos Senhores do Vício que a distorção dos trabalhos de um homem correto para seus próprios propósitos obscuros.

- As palavras de meu colega soam doces para meus ouvidos e enobrecem meu espírito - respondi.

Suas garras continuaram seu ritmo monótono.

- Somos uma comunidade pobre e ignorante, lutando para sobreviver em terra estrangeira. Esse negócio nojento, os atos terríveis de uma mente turva e pervertida, ameaça perturbar o delicado equilíbrio entre nosso pequeno cardume e o mar repleto de tubarões no qual nadamos.

Eu não respondi e depois de um momento ele continuou.

- Eu sou o ancião cujos compatriotas, perdidos no caos de seu país, procuram em busca de orientação e proteção. A pequena estima que ganhei evaporaria como o orvalho numa manhã de verão se eu fosse incapaz de defendê-los dos ataques injustificados de quem o atormenta.

- Gratos somos nós pelas ações do assassino terem sido descobertas e pelas ameaças aos filhos do Imperador estarem acabadas.

As unhas dele pararam de tamborilar.

- Não estão acabadas - disse ele, e eu temi que nosso encontro fosse terminar em violência. Mas sua perda de compostura foi momentânea e tudo sucedeu tão rapidamente que eu mal podia ter certeza de que tinha realmente acontecido. Suas unhas retomaram a cadência e durante algum tempo tudo o que se ouvia era o eco de suas batidas na sombria solidez da câmara. - Mais uma criança foi encontrada. Um acontecimento terrível. Logo seus companheiros pedirão revanche contra os hereges. Eles já clamam por represálias.

Concentrei-me em parecer impenetrável. Os hereges são um alvo útil para os de olhos grandes, mas o medo da violência é parte do que mantém o povo de Ling Chi na linha. Do que ele estava se lamuriando?

Ling Chi acenou para seu servente, que trouxe o cachimbo pela segunda vez. Ele posicionou os lábios para tragar e depois expeliu uma impressionante nuvem de vapor úmido.

- Estou terrivelmente preocupado com minha segurança íntima hoje.

- É um elogio para mim que tão exaltada pessoa possa considerar o meu bem-estar digno de nota.

- Hoje pela manhã eu fui informado por um olheiro que meu amigo foi preso por Agentes da Coroa - prosseguiu ele, estalando a língua de forma a parecer pesaroso. Foi uma coisa grotesca e antinatural, como uma loba dando de mamar a um bebê recém-nascido. - Terrível foi o desespero em minha casa. Ordenei a meus serventes que se vestissem de branco e iniciassem quarenta dias de luto pela morte de um estimado companheiro - disse Ling Chi, baixando a cabeça entre os ombros simulando pesar, respeitando um minuto teórico de silêncio.

- Eis que algo extraordinário aconteceu - prosseguiu ele, abrindo um sorriso nos lábios, mas que não chegou aos olhos. - Eu recebi outra mensagem. Meu aliado havia saído da casa da justiça! Grande foi a alegria com que a notícia da sobrevivência de meu irmão foi recebida! Ordenei que pavios de crisântemos fossem queimados e que um galo preto fosse sacrificado em sua homenagem -contou Ling Chi, curvando a cabeça com ar contemplativo. - Mas no meio de uma alegria pura, não pude me furtar às pontadas da curiosidade. De tudo que ouvi sobre tantos homens levados aos subterrâneos da Casa Negra, nunca chegaram aos meus ouvidos palavras de que algum tenha sido autorizado a sair.

- A visita de meus antigos empregadores foi uma surpresa, assim como minha libertação. Terríveis são os atos de um governo desarmonizado com o paraíso.

- Antigos empregadores...

- A sensibilidade de audição de meu sócio é comparável somente à perfeição de seu entendimento.

- Astutos são os servos de sua Rainha, misteriosos os seus objetivos. Grande deve ser a preocupação de qualquer um que se veja envolvido nas intrigas da Casa Negra.

As peças se juntaram e finalmente eu percebi o motivo daquele interminável interrogatório. Ling Chi achava que o Comandante estivesse movendo suas peças contra ele, que o kiren morto fosse seu gâmbito de abertura, que eu estivesse envolvido nisso e que minha detenção fosse uma desculpa para o encontro. A impossibilidade de um esquema assim seria de pouca utilidade contra as navalhas dos subalternos de Ling Chi caso ele decidisse agir com base em suas suspeitas.

- Qual interesse teriam os cidadãos honestos nos atos das autoridades da lei, por mais turva que seja a visão?

- Estou certo de que meu irmão tem a verdade a seu lado. Além disso, sou um homem simples - disse ele, parando para dar tempo para que a falta de lógica se dissipasse em meio à fumaça. - Eu converso com meus irmãos francamente. Eu não sei dos problemas que afligem a Cidade Baixa, mas não posso deixar de observar que, desde a intrusão do meu sócio, os de olhos grandes uivam pelo sangue dos meus e a Casa Negra fareja o meu lar.

Não havia mais sentido em dar continuidade àquela discussão.

- As palavras de meu honrado aliado são como água em solo árido.

Ling Chi fechou os olhos e colocou uma das mãos na testa, suficientemente habilidoso para fazer o teatro.

- Verdadeiramente, as preocupações de linhagem pesam muito sobre minha testa. Muitos são os dias em que penso como devo seguir adiante. Muitas são as noites que eu desejo que o Imperador me chame para ficar a seu lado. Meu único consolo é saber que meu aliado oferece ajuda a meu corpo frágil e conforto a minha mente senescente.

- Olho pelo meu mentor com uma visão que nunca se turva.

- E eu não esperaria menos de tão vigoroso amigo. Os itens estão no bar e eu lhe darei um desconto de um quarto em retribuição aos preciosos momentos proporcionados a mim por meu irmão. Quanto aos outros assuntos...

- Ling Chi parou e inclinou o corpo para frente de modo a permitir que a servente continuasse massageando seus pés. - Lembre-se do que eu disse. Não desejo antagonizar a Casa Negra, mas eles não podem operar em meu território. Serei forçado a responder a qualquer interferência de modo... - ele parou e sorriu, um sorriso feio, os dentes negros à vista mesmo no escuro - nada amistoso.

Saí do esconderijo de Ling Chi o mais rápido que o decoro permitiu. Tudo naquela situação foi exagerado. Havia tanta fumaça em meus pulmões que eu achei que pudesse vomitar. No bar, o gordo me entregou meu pacote sem mexer seus olhos mortos. Saí pela porta sem olhar para trás.