O Guardião

Daniel Polansky · Capítulo 47 de 49

Páginas do PDF

O Guardião

Capítulo 47

Entrei no bar fazendo o máximo possível de silêncio. Eu precisava de tempo para pensar, para descobrir onde meu raciocínio havia falhado.

De um jeito ou de outro, Garrincha continuava desaparecido e ele não estava mais seguro só porque não era o Espada que o tinha em seu poder. Assim que subi peguei uma ampola de Sopro de Fada em meu estoque e a levei ao nariz. Minha audição estava retornando lentamente e depois da primeira cheirada eu não conseguia perceber nada além dos batimentos do meu coração, acelerado pela droga.

A carta de Grenwald continuava sobre a penteadeira. Eu a abri com os dedos moles e cortei o polegar na pressa de confirmar meus crescentes temores, untando de vermelho o pergaminho branco.

O cabeçalho do documento era idêntico ao do que Crispin havia conseguido, mas a parte de baixo não estava rasgada. A página listava todos os participantes envolvidos na Operação Ingresso. Reconheci os nomes de Brightfellow e Cadamost.

Então reconheci mais um nome, bem no fim da lista, abaixo do rasgo que prejudicou minha conclusão inicial.

Vesti a camisa, peguei a navalha que repousava no fundo de minha bolsa e a abri. Todo o peso dos meus pecados começou a pesar sob minhas costas e, em um momento de autoindulgência, pensei em onde enfiar a navalha para obter o melhor efeito.

Então fiz uma incisão superficial sob a safira em meu ombro, retrocedendo de dor enquanto o fazia.

Cinco minutos depois eu corria pelas ruas da Cidade Baixa, sangrando por baixo do curativo apressado que havia feito com uma camiseta.

Por todos os Daevas, eu esperava que ainda tivesse tempo para deter aquilo.