O Guardião
Capítulo 34
Fiquei no Conde durante algumas horas, bebendo café com canela enquanto a tempestade sepultava a cidade em uma espessa camada de neve. Perto do fim da tarde fumei uma mistura de vinonífera enquanto via Adolphus e Garrincha construírem uma fortaleza de neve que, na minha avaliação, carecia de princípios saudáveis de arquitetura. Minha estimativa provou-se correta quando um pedaço de uma das paredes laterais desabou, oferecendo uma avenida decisiva para a entrada de uma força invasora.
Eles estavam curtindo a companhia um do outro. Eu estava com mais dificuldade para entrar no espírito da estação. Pelas minhas contas, havia pelo menos um grupo de pessoas tentando me matar, mas o número total podia chegar a três. Além disso, a certeza de que o prazo do Comandante era onipresente, como um cristal posicionado bem diante de meus olhos. Eu não conseguia parar de fazer contas: sete dias menos três dava quatro, sete menos três dava quatro, quatro dias, quatro dias, quatro dias.
Se tudo desse errado eu poderia fugir da cidade. Já havia feito um plano de contingência para situações similares, vidas que eu levaria em regiões remotas para onde faria as malas para nunca mais retornar. Mas com o Comandante envolvido eu não podia ter certeza de que nenhum daqueles planos daria certo.
Nenhum lugar de Rigus seria remoto o bastante se ele colocasse a cabeça que iria me apagar. Eu teria que escolher, oferecer tudo o que pudesse para a Néstria ou para as Cidades Livres em troca de ser acomodado em alguma província distante. Eu ainda sabia onde muita sujeira estava escondida para poder interessar para alguém, esperava eu. Mas aquilo significaria que eu teria que fazer provisões para Adolphus e Adeline, e agora também para Garrincha. Eu não os poderia deixar na mão.
Lide com isso quando for a hora, eu dizia a mim mesmo e começava a repassar tudo de novo na cabeça, na esperança de desta vez pensar em algo diferente. Juntei as peças em minha mente, uma de cada vez, reconstituindo como Beaconfield passara de um amador a um assassino em massa.
Ele acorda certo dia e percebe que não tem dinheiro suficiente em mãos para pagar seu alfaiate e começa a pensar em um jeito de corrigir essa situação. Provavelmente Brightfellow não foi sua primeira opção. É provável que ele tenha tentado primeiro outras coisas que não deram certo. Em algum momento ele entra em contato com o feiticeiro e os dois começam a conversar. Ele não foi sempre um esfarrapado, fazendo truques para as classes mais abastadas. Ele já foi um praticante de verdade e deve ter algo em mente, algum final feliz na manga, desde que o duque não tenha melindres em relação aos meios.
O duque não tem. Eles encomendam Tara a um kiren, algum conhecido de Brightfellow, mas escolhem mal, o homem estraga o serviço e eles precisam matá-lo antes que sua trilha possa ser seguida. Eles deixam a operação em suspenso por alguns meses e a reformulam. Nada mais de repassar os trabalhos para outros. Os sequestros serão realizados por eles mesmos. Primeiro Caristiona, depois Avraham, roubados e sacrificados, depois desovados onde seus corpos não podem ser rastreados.
Era raso, muito raso. Eu tinha o motivo e os meios, mas nada além disso. O que ligava as crianças? Por que as últimas duas foram infectadas com a peste? Perguntas demais e evidências concretas de menos. O nome de Brightfellow em um pedaço de papel que nem estava mais comigo, perdido durante meu mergulho no canal. Algumas ameaças durante uma conversa com o Espada que ele negaria ter feito. Eu sabia que Beaconfield era culpado, mas um pressentimento não seria o bastante para o Comandante e agir contra Beaconfield não resultaria em nada bom para mim se eu não conseguisse ficar em linha com a Casa Negra.
Agora eu lamentava não ter aproveitado a oportunidade de extrair mais do Espada durante nossa última conversa, na qual acabei preferindo marcar pontos. O Comandante costumava me esculhambar por causa disso, ainda na época que eu estava sob seu abrigo, por eu não conseguir controlar meu temperamento. Ele dizia que era por isso que eu jamais seria tão bom quanto ele, porque eu permitia que o ódio encontrasse seu caminho pela minha boca. Ele era um doente filho da puta, mas provavelmente estava certo.
Eu precisava falar com Guiscard, precisava encontrar Afonso Cadamost, precisava descobrir com o que estava lidando. Eu não estava tão preocupado com os homens que Beaconfield poderia reunir, mas o que dizer do animalzinho blasfemo de Brightfellow? Ele poderia ser direcionado a mim? De que distância?
Como eu poderia me defender dele e, o mais fundamental de tudo, como eu poderia matá-lo?
Todas essas eram perguntas para as quais eu queria ter tido as respostas antes de declarar guerra total contra o Espada Sorridente.
Eu estava sentado de frente para o fogo, lendo a História da Terceira Campanha Isocrata, de Elliot, quando um mensageiro entrou vestindo um casaco pesado e chamando meu nome. Eu acenei e ele veio me entregar uma carta.
- Está ruim lá fora? - perguntei.
- Está piorando.
- É assim que costuma ser - atirei uma prata para ele de gorjeta. Imaginei que aquela moeda não fosse fazer falta no meu fundo de aposentadoria, mas ele quase desencaixou meu braço pelo entusiasmo com que me agradeceu.
O envelope era feito de um pergaminho cor-de-rosa fino com um “M” maiúsculo estilizado na face posterior.
Achei nossa primeira conversa tão cativante que empenhei todas as ações necessárias para tentá-lo a uma segunda.
Isto quer dizer que obtive mais informações que podem ser de seu interesse. Você retornaria à minha cabana, vejamos, às onze?
Aguardando impacientemente por sua chegada.
Mairi
Eu reli a mensagem mais duas vezes antes de jogá-la no fogo.
Fiquei vendo o papel rosa ser consumido pelas chamas e desaparecer rapidamente. Aparentemente, Mairi achava que o que quer que tivesse a me dizer ficaria melhor na calada da noite.
Voltei para Elliot e à tolice dos grandes homens.
O público do Conde foi pequeno durante a maior parte da noite. A forte tempestade atrapalhou até mesmo a vinda dos frequentadores das vizinhanças. Peguei o de sempre da torneira de Adolphus, ganhando tempo, tentando não pensar na pele bronzeada e nos olhos negros da Mairi, mais ou menos com sucesso na melhor das hipóteses.
Saí por volta das dez, depois de ter certeza de que Adeline e o garoto estariam nos fundos. Depois de dois minutos debaixo da tempestade eu tinha certeza de que aquilo seria um erro. Eu já não era mais um jovenzinho para sair na neve seguindo cheiro de boceta. O que quer que Mairi tivesse para me dizer poderia esperar até a manhã seguinte. Mas depois que começava alguma coisa, eu era teimoso demais para voltar atrás. O tempo estava tão ruim que eu preferi ir reto por Brennock ao invés de seguir pelo canal para o norte.
Eu estava no meio do caminho quando percebi que tinha companhia, o que foi fácil porque eles não estavam tentando se esconder. Provavelmente imaginaram que o número em que estavam seria vantagem suficiente, mas a experiência os teria ensinado a nunca ajudar o inimigo, por mais certa que a vitória possa parecer.
Apesar da exuberância infantil, eles armaram a emboscada de um jeito bem profissional. Na hora que a dupla atrás de mim chamou minha atenção, seus outros camaradas já haviam completado o cerco à minha frente. Uma rápida olhada foi suficiente para eu saber que não estava sendo atacado por uma gangue de valentões de rua enfrentando o frio. Por baixo de seus pesados casacos negros eu percebi flashes de caxemira. Cada um deles usava uma meia-máscara da mesma cor de suas capas como disfarce, feitas para cobrir a parte inferior do rosto como se fosse a face de um animal selvagem.
Eu não estava dando muita atenção para aquilo, imaginando que a falta de regularidade de meus horários seria proteção suficiente. Mas será que o convite era falso, pensava eu agora, forjado pelo Espada para me tirar do esconderijo? Não parecia ser isso, mas também não era impossível imaginar Mairi e seus lindos olhos negros virando as costas e me vendendo no momento em que a porta se fechou atrás de mim.
Guardei aqueles pensamentos na pilha de coisas que teria que avaliar melhor se estivesse vivo depois de mais cinco minutos e me enfiei numa viela, dando um pique pelo gelo esburacado. Por trás de mim eu podia ouvi-los gritando, como animais atrás de sua caça. Os prédios daquela área eram todos fábricas de roupas construídas no novo estilo: longas filas de trabalhadores em máquinas implacáveis, mas todas fechadas desde a guerra comercial do ano anterior com a Néstria. De canto de vista eu percebi a entrada lateral de uma delas e lancei meu ombro contra a porta, arrombando a fechadura podre que a mantinha trancada.
Entrei em uma estrutura cavernosa de uns bons cem metros de tamanho. As janelas quebradas deixavam entrar luz suficiente para o deslocamento entre as imensas máquinas de costura que envelheciam no interior. Perto da parede do fundo vi uma escada de metal e acima um par de escritórios abandonados havia muito tempo. Corri para os degraus. A passagem levava a uma segunda escada e a outra porta fechada, mas que não era nenhum grande empecilho, assim como a porta de baixo.
Saí em um teto plano de tábuas tortas e traiçoeiras. A vista da cidade surgiu diante de mim, um cenário de podridão cívica cortado pela imensa chaminé industrial que saía pelo alto da fábrica.
Minha tática havia rendido apenas alguns segundos e saquei minha espada para lidar com um que tinha vindo atrás de mim.
A máscara dele era entalhada na forma de um bico estreito, como o de um tentilhão, e ele gargalhava, gargalhava e sacava sua arma, uma espada de esgrima fina que mais se parecia com um brinquedo de criança do que com um meio de se cometer assassinato. Ele começou a dizer alguma coisa, mas eu estava sem tempo para brincadeiras e avancei rápido, na esperança de derrubá-lo e dar sequência a minha fuga.
Ele era rápido e mais jovem que eu uns bons dez anos, mas uma vida inteira de esgrima não era um bom preparativo para o que estava acontecendo. A neve prejudicava seu trabalho de pés e seu estilo, desenvolvido em circunstâncias menos letais, desenvolvido sob medida à tendência natural que se adota quando o maior prejuízo causado por um erro de cálculo é a perda de um jogo. Eu o pegaria em um momento. Mas não tinha um momento. Já podia ouvir seus colegas na escada e sabia que, se não acabasse rapidamente com ele, descobriria como é difícil respirar com uma lâmina de aço enfiada nas vísceras. No passo seguinte dele eu simulei um tropeço, caindo sobre um dos joelhos na esperança de que ele mordesse a isca.
A ideia de me acertar provou-se irresistível e ele avançou para tentar um golpe fatal. Eu então me ajoelhei um pouco mais, quase enfiando o rosto na superfície do telhado, e a espada dele passou por meu ombro sem me ferir. Apoiando o braço esquerdo na madeira congelada eu me levantei e acertei minha espada em seu braço, arrancando-o. Ele deu um grito e eu passei uma fração de segundo impressionado com o tom agudo de sua voz antes de meu golpe seguinte quebrar seu pescoço. Ciente dos homens que vinham logo atrás, corri por cima do cadáver dele e segui em frente.
Subi uma escada de ferro forjado de mais de três metros que levava ao topo da chaminé. Chegando ao alto, agachei-me e olhei para baixo para observar meus perseguidores, quando me ocorreu que se qualquer um deles tivesse levado um arco eu estaria morto. Nenhum tinha levado. Dois ficaram parados me olhando, segurando suas espadas com firmeza, enquanto o terceiro conferia o parceiro morto. Eu gargalhei, tomado pela euforia que acompanha a violência.
- O sangue azul escorre como qualquer outro - gritei, com a secreção pingando da ponta de minha arma. - Venham me pegar se tiverem colhões.
Dei três passos rápidos, saltei no ar e encolhi os braços enquanto atravessava os vidros do prédio de escritórios adjacente. Caí de um jeito desengonçado e não sem me machucar. Depois de me levantar, corri para a sala ao lado e tomei posição no interior escuro, com a esperança em que meus perseguidores fossem idiotas o bastante para seguir pelo mesmo caminho que eu havia feito.
Cerca de meio minuto havia se passado quando ouvi um grito juvenil e vi dois deles caírem no chão. A roupa que usavam aparentemente não impedia o sucesso da manobra. O salto não deixou nenhum de meus dois perseguidores caído por muito tempo.
Eles logo saíram a me procurar, cientes dos perigos da hesitação.
Atirei uma adaga na direção do primeiro através da porta, mirando o peito, mas lancei alto demais e a lâmina o atingiu na garganta, em um raro dividendo da incompetência. Ele caiu no chão. Seus últimos segundos foram de dor. Não perdi tempo velando a morte dele e parti para cima do que vinha atrás. Entre a morte de seu camarada e a parca iluminação do local, ele não duraria muito. Houve um momento de terror enquanto eu o empurrava na direção das janelas quebradas e o derrubava com uma série de golpes.
Fiquei em pé na beirada e pensei em saltar a altura de dois andares e desaparecer na noite, mas não tinha muita certeza de que meu tornozelo suportaria uma nova queda. E verdade seja dita, eu queria pegar o último, queria ver sua cara quando percebesse o que eu havia feito com os outros dois, queria botar as mãos em alguém depois de dias perambulando na escuridão.
Então corri para o local de pouso do segundo andar bem a tempo de vê-lo arrombar a porta. Em algum ponto do caminho ele havia tirado o capuz, mas não o bico preto que ocultava sua identidade. Ele era maior que seus camaradas e, em vez das espadas de duelo dos outros, ele ostentava um longo sabre com uma espessa empunhadura de bronze.
Busquei em minha bota pela outra adaga, mas ela não estava mais ali. Devia ter caído em algum momento daquela confusão.
Inclinei o punhal até as costas da mão, com a parte mais grossa já encostando em meu antebraço. Faríamos aquilo à moda antiga. Nós dois nos encarávamos com cuidado, estudando um ao outro, até que ele ameaçou um golpe em meu peito e eu me concentrei no choque entre as lâminas.
Ele era bom e sua arma era bem adequada para lidar com a grossa extremidade da minha arma. A dor no meu tornozelo não estava facilitando as coisas e percebi que estava com dificuldade para manter meu ritmo. Eu precisava fazer alguma coisa para melhorar minhas chances. Quando se trata de choques mortíferos, três para um não é uma boa marca.
Travamos nossas espadas, joguei meu peso sobre ele e cuspi um escarro espesso em seu rosto. Ele teve a presença de espírito de não tentar limpar a escarrada, mas eu pude sentir que aquilo o havia abalado.
Dei alguns passos atrás e disse:
- Aqueles que eu matei eram seus amigos?
Ele nada respondeu, encurtando a distância que eu havia criado entre nós e me deixando desconfortavelmente ciente do pouco espaço que havia para manobras. Tentei atingir sua cabeça, mas ele se esquivou sem dificuldade e contra golpeou de um jeito que quase arrancou a minha. Pelo Primogênito, como ele era rápido. Eu não conseguiria aguentar por muito mais tempo.
- Aposto que eram. Amigos desde os tempos da escola, eu aposto.
Nós voltamos a nos atracar e mais uma vez me restou a pior parte. Um corte no meu braço livre indicava sua vantagem em termos de velocidade. Continuei provocando, fazendo o máximo que podia para fazer parecer que não estava preocupado com o ferimento.
- Não se esqueça de conferir se a mão daquele primeiro estará junto na hora do enterro, se não ele vai passar a eternidade maneta.
O cheiro do sangue o acendeu e ele veio para cima de mim dando um rugido. Enfiei a mão livre rapidamente no bolso e agarrei meu soco-espinhado, escapando por pouco de um feroz ataque com as duas mãos que teria afundado meu crânio se tivesse acertado. Quando ele perdeu o equilíbrio, eu ataquei duas vezes, desfechando um par de ganchos em seu corpo. Cada um dos golpes empapou minha mão de sangue. Uma das mãos dele caiu e acertei um soco firme em sua boca, atravessando a máscara e acertando a carne sob ela. Ele gritou, o som vazando pelos dentes quebrados e pelo tecido mutilado. A seguir atingi seu peito com minha espada, num golpe marcado pelo barulho de ossos partindo em seu peito. Ele gritou novamente e caiu.
As roupas e as armas já seriam evidências suficientes, mas eu precisava do máximo de provas do envolvimento de Beaconfield que conseguisse. Com o rosto dele descoberto, reconheci o homem morrendo a meus pés como o adjunto do Espada no duelo daquela manhã.
Agachei-me ao lado dele. Gotas de seu sangue pingavam de minha arma.
- Por que o Espada está matando crianças? Ele sacudiu a cabeça e tossiu uma resposta:
- Vá se foder!
- Responda as minhas perguntas e você pode ser enfaixado. Caso contrário, vou te fazer sofrer.
- Bobagem - a palavra tinha três sílabas, marcadas por sua fala ofegante.
- Não vou morrer me rebaixando.
É claro que ele estava certo. Não havia meios de eu levá-lo a um médico depois que o espírito saísse de seu corpo. Eu não acabaria com ele pelo mesmo motivo. E, de qualquer modo, acho que não faz parte de mim torturar alguém daquele jeito.
- Posso tornar isso mais fácil para você.
Ele teve dificuldade para mexer a cabeça e dizer:
- Vai logo.
Aquela arma não era talhada para uso frontal, mas eu a usaria daquela forma. Escorreguei a ponta dela pelo peito. Ele arfou e levantou as mãos instintivamente, cortando as palmas no metal.
Então morreu. Puxei a arma de suas costelas e me levantei.
Eu não matava ninguém fazia três anos. Machucar, com certeza, mas o Lábio Leporino e os capangas dele ainda estavam vivos. Se não estivessem, não tinha sido por minha causa.
Maus negócios por todos os lados.
Eu havia subestimado o Espada. Ele havia agido com rapidez e segurança. Ainda que sua abordagem tenha carecido de sutileza, por pouco não compensou por sua eficácia brutal. Mas ele também me subestimou, e os cadáveres espalhados de seus companheiros eram um atestado disso. Eu duvidava da possibilidade de Beaconfield organizar outro ataque, mas ainda parecia imprudente voltar para o Conde. Eu pararia em algum dos apartamentos que tinha espalhados pela cidade e voltaria no dia seguinte.
Com a diminuição do calor do combate, meu corpo começou a se lembrar de seus ferimentos. Meu tornozelo doía por causa da queda e o ferimento em meu braço começava a incomodar de maneira desagradável. Limpei minha arma com um pedaço de pano sobressalente e comecei a sair. Brennock era um centro fabril e eu achava improvável que alguém tivesse ouvido os gritos, mas eu não me importava em esperar um pouco para ver minhas suspeitas confirmadas. Ao passar pela porta arrombada e sair para a noite, descobri que a neve acumulara-se novamente, ainda mais forte do que antes, e saí andando, sabendo que qualquer pegada que eu deixasse logo estaria coberta pela tempestade.