Uma Questão de Segundos
capítulo 11
O POSTO DE ENFERMAGEM ficava no meio de dois corredores. Havia quartos dos dois lados. Três minutos depois da minha tentativa de entrar no quarto com a borboleta na porta, Colherada surgiu no canto oposto ao da enfermeira que me impedira de entrar.
– Enfermeira! Preciso de um carrinho de reanimação! Stat!
– Ahn?
– Stat – repetiu Colherada. – Quer dizer “rápido”.
– Sei o que significa, mas...
– Enfermeira, sabe a origem do termo stat? É a forma abreviada de statim, que é o termo em latim para “imediatamente”.
A enfermeira estreitou os olhos.
– Quantos anos você tem?
– Vinte e sete.
Ela franziu a testa.
– Está bem, eu tenho 14. Mas sou um daqueles meninos prodígios sobre os quais você já leu.
– Ahã. E por que no bolso da sua roupa está bordado “Dr. Feelgood”?
– Esse é o meu nome! Algum problema com isso? – Ele arqueou uma sobrancelha. – A propósito, você é muito atraente.
– O que disse?
– Nós, médicos, sempre cantamos as enfermeiras, não sabia? Aposto que agora você se sente muito lisonjeada. – Colherada flexionou um braço tão musculoso quanto uma alga. – Quer sentir o meu muque?
Duas outras enfermeiras se aproximaram.
– Esse garoto está dando trabalho? – perguntou uma delas.
– Para você sou o Dr. Garoto, enfermeira. – Ele arqueou de novo uma sobrancelha. – A propósito, você é muito atraente.
Agora eu estava perto da porta com a borboleta. Todos os olhares estavam voltados para Colherada. Eu estava prestes a estender a mão para a porta quando uma das enfermeiras, talvez pressentindo algo, começou a se virar na minha direção.
Ah, isso não era bom.
Eu ia me abaixar... mas do que adiantaria? Eu estava bem à vista. A enfermeira já estava quase me vendo quando Ema gritou:
– Kevin! Onde você está? Kevin!
A enfermeira se voltou para o outro lado enquanto Ema corria até Colherada.
Hora de me mexer.
Abri a porta com a borboleta e entrei no escuro. Ainda ouvi Ema acrescentando:
– Kevin, você devia estar na ala psiquiátrica. Sinto muito. Ele é meu irmão e fugiu. Vou levá-lo daqui...
A voz dela e todas as outras desapareceram quando a porta se fechou atrás de mim.
Antes que eu olhasse para a cama, ouvi alguém dizer:
– Mickey? Como você entrou aqui?
Lá, sentada, estava Rachel.