Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 33 de 53

Páginas do PDF

Uma Questão de Segundos

capítulo 33

EMA E EU CONVERSAMOS MAIS um pouco. Sugeri que tentássemos nos encontrar mais tarde na casa de dona Morcega para ver se conseguíamos descobrir um modo de entrar na garagem e nos túneis. Ema não tinha certeza de que poderia ir.

– Quando minha mãe não está por perto é fácil dar uma fugida. Mas quando está, como agora...

– Entendo.

– Mickey?

– Sim?

– Realmente lamento muito o que aconteceu em relação ao time de basquete.

– Obrigado.

É engraçado como a mente às vezes segue caminhos estranhos. Você já começou a pensar em algo esquisito e ao tentar descobrir o que o levou até lá, viu que o processo foi bem tortuoso? Foi isso o que aconteceu, e este foi o rumo que meu cérebro seguiu: quando Ema mencionou o basquete, tentei afastar o pensamento, mas a única coisa que me ajudaria a evitar o sofrimento de ser expulso do time seria... jogar basquete. Isso me fez lembrar a última vez que joguei, o que, por sua vez, me fez pensar na partida do dia anterior, em Newark, em Tyrell Waters e no que ele devia estar fazendo, e no pai dele, o detetive Waters, e na minha volta para casa junto com ele, e em duas coisas sobre o Sr. Waters: ele estava combatendo o tráfico de drogas em Kasselton e sabia que o primeiro nome do Sr. Caldwell era Henry.

Como sabia disso? Esses dois elementos estavam relacionados?

De fato, o detetive Waters me fizera um monte de perguntas sobre os Caldwells, tentando parecer casual. Na hora, achei que ele tinha curiosidade sobre os tiros. Mas agora lembrava que Tyrell havia dito que o pai dele talvez me interrogasse se não estivesse “trabalhando numa região com tráfico de drogas”.

– O que foi? – perguntou Ema.

Falei rapidamente sobre o detetive Waters. Ema, como sempre, logo entendeu.

– Você tem que fazer mais perguntas a ele.

Concordei, mas estava ficando tarde. Enviei um torpedo para Tyrell para saber se ele estava nas quadras. Ele respondeu que não porque a equipe de sua escola, a Weequahic High, começara a treinar naquele dia. Então Tyrell acrescentou: vc consegue chegar aqui rápido? precisamos de jogadores pra um amistoso.

Droga, não daria tempo. Mesmo se eu corresse para o ponto de ônibus, ele sairia dali a meia hora e ainda tinha a viagem até lá.... Eu estava mostrando a mensagem para Ema quando de repente ouvi passos descendo a escada em nossa direção. Ema se retesou. Por um momento, achei que ela ia mandar que eu me escondesse, mas, quando o som ficou mais próximo, seu rosto se suavizou.

– Srta. Emily?

Reconheci o sotaque inglês. Era Niles, o mordomo.

– Estou aqui, Niles.

Ele entrou na sala. Era um daqueles caras que provavelmente nunca deixavam o rosto demonstrar qualquer emoção, mas olhou para mim como se um elefante em pé sobre duas patas tivesse se materializado no porão.

– Niles, este é o meu amigo Mickey.

– Nós já nos conhecemos – disse eu, levantando-me.

Quando a surpresa desapareceu do rosto do mordomo, ele pareceu bem satisfeito.

– Uma visita!

Ema franziu a testa.

– Sim, Niles.

– Que maravilha! Não recebemos muitas visitas, não é, Srta. Emily?

– Você não precisa parecer tão chocado, Niles.

– Não é choque, Srta. Emily. É alegria. Nosso convidado ficará para o jantar?

– Não. Mas, Niles, posso lhe pedir um grande favor?

– É claro.

– Pode nos levar de carro até Newark?