Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 43 de 53

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Uma Questão de Segundos

capítulo 43

QUANDO ENCERREI O TELEFONEMA com Rachel, liguei para Ema e lhe falei sobre o plano. Queria saber das últimas notícias sobre Colherada, mas não sabia para quem ligar e não queria perder o foco. Colherada deixara claro que não havia nada que eu pudesse fazer por ele. Tinha que me concentrar em descobrir a verdade.

Eu tinha oito horas antes de pormos em prática a ideia de Rachel – um tempo de inatividade de que eu precisava desesperadamente. Meu corpo estava dividido entre o sono e a comida e, como sempre, a comida venceu. Quando me dirigi à cozinha, vi que tio Myron assistia ao noticiário.

– Posso fazer um sanduíche ou alguma coisa para você? – perguntou ele.

– Não, eu mesmo faço.

Abri a geladeira. Tio Myron tinha comprado peru, queijo suíço, alface, tomate e bisnagas. Ótimo. Fiz o sanduíche em cerca de quarenta segundos. Peguei água gelada e comecei a voltar para o porão quando algo na televisão me fez parar no meio do caminho.

Myron percebeu.

– Mickey?

Eu o ignorei, mantendo meus olhos na tela. Myron se calou.

O âncora, com uma gravata muito verde, anunciou em um tom grave:

“Um triste aniversário se aproxima. Amanhã de manhã haverá uma cerimônia em memória de Dylan Shaykes, assinalando 25 anos desde que o pequeno Dylan, na época com 9, foi raptado no playground de sua escola e nunca mais foi visto.”

Olhei para a imagem na tela. Ah, não, pensei. Não pode ser...

“A história do pequeno Dylan rendeu manchetes internacionais. Sua fotografia foi posta em caixas de leite. Várias pessoas alegaram tê-lo visto em diversos lugares dos Estados Unidos e até mesmo na Europa. Na época, a polícia suspeitou seriamente de seu pai, mas William Shaykes nunca foi preso pelo crime. O sangue do jovem Dylan foi encontrado em um bosque próximo, mas nesses anos todos o corpo nunca foi encontrado. Portanto, o mistério permanece.

O jornal continuou a mostrar a fotografia de Dylan Shaykes com 9 anos. O menino tinha cabelos cacheados e olhar triste. Eu tinha visto aquela foto – aquela mesma foto – no corredor de dona Morcega. Havia outra foto de Dylan, tirada algum tempo depois do seu desaparecimento, na mesa de cabeceira de dona Morcega.

Outra apresentadora balançou a cabeça e comentou:

– Uma história triste, Ken.

– Sim, Diane. E sem uma nova pista depois de todos esses anos, provavelmente nunca saberemos o que aconteceu com o pequeno Dylan Shaykes.

Mas ele estava errado. Porque agora, olhando de novo para a fotografia, eu sabia.