Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 40 de 53

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Uma Questão de Segundos

capítulo 40

HAVIA TUBOS, MÁQUINAS E BIPES. Havia cortinas, cheiro de antissépticos e monitores com luzes verdes. Não vi nada disso. Tudo o que vi quando entrei no quarto foi meu amigo deitado no meio daquela horrível parafernália.

Colherada parecia muito pequeno naquela cama. Pequeno e frágil como um pássaro ferido.

A voz da Sra. Spindel – Ah, eu sei que foi culpa sua – ainda ecoava em meus ouvidos.

A médica, uma mulher alta com cabelos puxados para trás, pôs uma das mãos em meu ombro.

– Normalmente eu não permitiria isso, mas ele está muito agitado. Preciso que você seja breve e o mantenha calmo.

Assenti e andei devagar na direção da cama de Colherada. Minhas pernas pareciam de borracha. Parei um instante porque as lágrimas começavam a surgir. Virei-me, mordi meu lábio com força e me recompus o suficiente. Ficar histérico não ajudaria Colherada em nada. Eu sabia que para mantê-lo calmo precisava estar calmo.

Quando cheguei à cama, tive vontade de pegá-lo no colo, levá-lo para casa e de algum modo voltar no tempo, para o dia anterior. Tudo estava muito errado, com meu amigo deitado ali naquele hospital.

– Mickey?

Colherada pareceu tentar se mover. Pareceu aflito. Abaixei-me, aproximando-me dele.

– Estou bem aqui.

Colherada ergueu sua mão e eu a tomei. Ele tentava falar.

– Shh – fiz. – Apenas melhore, está bem?

Colherada balançou a cabeça fracamente. Aproximei meu ouvido de sua boca. Ele demorou alguns segundos, mas enfim disse:

– Rachel ainda está em perigo.

– Não, Colherada. Você salvou todos nós. Acabou.

O rosto de Colherada ficou tenso.

– Não, não acabou. Você não pode ficar sentado aqui sem fazer nada. Tem que salvá-la. Você não pode desistir até descobrirmos a verdade.

– Fique calmo, está bem? Aqueles dois caras que atiraram nela estão na cadeia.

Vi uma lágrima escorrer por seu rosto.

– Eles não fizeram isso.

– É claro que fizeram.

– Não, me escute. Saia daqui e a ajude. Prometa para mim que vai fazer isso.

Colherada estava ficando mais agitado. A médica veio rapidamente e me avisou:

– Acho que já basta. Espere na outra sala.

Ela começou a pôr algo no tubo intravenoso, talvez um sedativo. Tentei soltar a mão de Colherada, mas ele a apertou com mais força.

– Vai ficar tudo bem, Colherada.

As enfermeiras também foram para o lado da cama. Tentaram mantê-lo deitado e me afastar.

– Rachel levou um tiro na casa dela – conseguiu dizer Colherada.

– Eu sei, Colherada. Está tudo bem. Acalme-se.

Mas ele de repente adquiriu uma nova força em seu braço. Puxou-me para perto, desesperado.

– Você falou que eles perguntaram qual era a casa de Rachel. Lembra? Quando os viu pela primeira vez na rua?

– Sim. E daí?

A médica acabou de injetar a medicação. O efeito foi imediato. Colherada afrouxou a mão. Eu estava prestes a me afastar, mas agora...

Aquela é a casa dos Caldwells?, ouvi na minha mente a voz de Scarface. Colherada ergueu os olhos para mim e me fez o mesmo questionamento que eu me fazia:

– Se aqueles dois caras já tivessem estado na casa, por que perguntariam isso?