Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 45 de 53

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Uma Questão de Segundos

capítulo 45

NÃO ESPERAMOS RACHEL ENCONTRAR um jeito de sair da casa dos Taylors. Ela era crescida. Descobriria um sozinha. Além disso, eu tinha coisas a fazer antes de me encontrar com ela.

 

– E aí? – perguntou Ema. – O que você descobriu?

– Tenho que refletir sobre isso.

Ema balançou a cabeça.

– Sério, sabe como é irritante quando você diz coisas assim?

– É, acho que sei.

– Então reflita conversando comigo.

Eu não queria fazer isso, portanto apenas lhe contei o que tinha visto. O celular dela vibrou. Ema olhou para a tela.

– É minha mãe.

Ainda parecia muito estranho a “mãe” dela ser uma das mulheres mais glamourosas do mundo.

Ema pegou o telefone com um suspiro e falou muitos “Estou bem, mãe” antes de desligar e se virar para mim.

– Seu tio está com ela. Os dois querem que a gente vá para casa imediatamente.

Por mim tudo bem. Queria ficar um pouco sozinho. Queria refletir sobre aquilo e pensar bem em meu próximo passo. Acima de tudo, queria que Ema estivesse em um lugar seguro e longe de mim. Já havia feito um amigo levar um tiro. Não gostava da ideia de pôr outro em risco.

Então Ema e eu seguimos caminhos separados. Fui para casa, ainda perdido em meus pensamentos. Eu tinha entendido o que acontecera na casa dos Caldwells. Pelo menos a maior parte. Estava tendo dificuldade em fazer todas as peças se encaixarem. Sabia que só havia um modo de obter as respostas de que precisava. Isso envolveria me pôr em mais perigo. Também não gostava disso. Havia uma linha tênue entre ser audaciosamente corajoso e estupidamente suicida – e eu não estava disposto a descobrir o quão tênue ela era.

Mas que escolha eu tinha?

Quando cheguei em casa, desci ao porão e enviei uma mensagem de texto para Rachel: saiu?

Rachel: estou saindo da casa de troy agora.

Que bom. Não me dei o trabalho de responder. Sabendo que ela não estaria lá, liguei para o telefone da casa de Rachel. Ao fazer isso, a porta da frente se abriu e Myron entrou.

– Mickey?

Coloquei minha mão sobre o fone.

– Um segundo – respondi.

No terceiro toque, um homem atendeu:

– Alô?

– Sr. Caldwell, aqui é o Mickey Bolitar.

– Ah, oi, Mickey. Rachel não está aqui agora.

– Não telefonei para falar com ela.

– Não?

– Sei o que aconteceu com sua ex-esposa e sua filha.

Agora havia uma estranha tensão na voz dele.

– Então você deveria contar imediatamente para a polícia.

– Quer dizer, o chefe Taylor?

– Sim, é claro.

– Bem, acho que eu poderia contar para ele, mas nós dois sabemos que ele encobriria a verdade.

Houve uma pausa. Pude ouvir a respiração do Sr. Caldwell pelo telefone.

– O que está tentando dizer, Mickey?

– Que nós dois precisamos nos encontrar.

– Então venha à minha casa.

– Prefiro que o encontro seja em outro lugar. Joga basquete, Sr. Caldwell?

– Essa é uma pergunta estranha.

– Eu o encontrarei nas quadras ao ar livre no centro da cidade. Ah, vá com roupas de basquete. Short e camiseta sem mangas.

– Por quê?

– Porque dessa vez quero ter certeza de que o senhor não está armado.