Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 27 de 53

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Uma Questão de Segundos

capítulo 27

QUANDO CHEGUEI AO REFEITÓRIO, a Sra. Owens, a professora de quem eu menos gostava (um modo gentil de dizer que eu não gostava dela ou até mesmo a detestava) me olhou de cara feia.

 

– Você tinha permissão para estar fora da sala de aula? – questionou.

Eu entreguei o papel para ela. A Sra. Owens o examinou como se eu fosse um terrorista portando um passaporte falso. Depois de um bom tempo, ela relutantemente me deixou entrar. Dirigi-me à mesa de sempre. Colherada e Ema já estavam lá, embora houvesse duas cadeiras entre eles.

– Onde você estava? – perguntou Ema.

– O Sr. Grady queria me ver.

– Você está encrencado? – indagou Colherada.

– Não. Justamente o contrário.

Enquanto eu falava sobre o teste para o time principal, avistei Troy e Buck. Eles haviam trocado de mesa e agora estavam sentados apenas com garotos – mais especificamente, garotos do time principal de basquete. Perguntei-me se sabiam que eu me juntaria a eles no teste. Meus olhos se fixaram naquela mesa por um tempo um pouco longo demais.

– Seus futuros companheiros de equipe – declarou Colherada.

– É.

– Você conhece Buck e Troy, é claro. E os outros?

– Não.

– Bem, Troy é o capitão. O outro é Brandon Foley. Ele está na ponta da mesa. É o jogador mais alto do time. Tem mais de 2 metros.

Eu já vira Brandon nos corredores, e frequentemente ouvia a voz dele nas chamadas de manhã.

– Ele é presidente do grêmio estudantil – informou Colherada.

– E – acrescentou Ema – o melhor amigo de Troy. Eles moram na mesma rua desde que nasceram e começaram a jogar juntos quando usavam fraldas, o que no caso deles pode ter sido no ano passado.

Excelente.

Brandon se virou e me viu observando a mesa. Esperei o olhar zombeteiro de praxe, mas não foi o que aconteceu. Ele certificou-se de que eu estava olhando para ele e então fez um sinal afirmativo com a cabeça de um modo gentil e quase de apoio.

Troy estava sentado perto dele. Voltou-se para ver o que o amigo fitava e eu desviei rapidamente o olhar.

– Você está bem? – perguntou Ema.

– Sim, mas tenho notícias realmente importantes.

Contei-lhes sobre o incêndio na casa de dona Morcega. Eles me ouviram boquiabertos. Quando mencionei as fotografias no corredor, Colherada falou pela primeira vez:

– É óbvio – disse ele.

– O quê?

– Essas fotos. Era uma galeria das crianças que o Abrigo Abeona salvou.

Falei sobre como havia sido algemado e como tio Myron apareceu e Angelica Wyatt me salvou. Ema pareceu irritada com isso.

– Espere, como seu tio conhece Angelica Wyatt?

– Ela é tão quente que solta fumaça – acrescentou Colherada.

Nós olhamos para ele.

– Estou falando sobre Angelica Wyatt – explicou Colherada.

– É – retrucou Ema –, nós entendemos. – Ela se virou de novo para mim. – Então?

– Eu não sei. Myron é segurança dela ou algo do gênero.

– Achei que ele era um agente esportivo.

– Ele é. Também não entendo, mas Angelica Wyatt conhece minha mãe.

– Do que você está falando? – Havia uma rispidez na voz de Ema agora. – Como ela poderia conhecer sua mãe?

– Elas eram celebridades muito amigas quando jovens. Minha mãe era uma grande estrela do tênis e Angelica, uma atriz iniciante. Acho que elas saíam juntas. Que diferença isso faz?

Ema apenas franziu a testa.

– Estou pensando em uma coisa – disse Colherada.

Ema lhe lançou um olhar de desaprovação.

– Mal posso esperar para ouvir.

– Esse cara louro. Vamos chamá-lo de Carniceiro, está bem?

– O que tem ele?

Colherada empurrou os óculos para cima.

– Ele tentou matar você. Não faz sentido que também tenha tentado matar Rachel?

Silêncio.

– E nesse caso, talvez, apenas talvez, não poderia estar tentando matar todos nós?

Mais silêncio.

– Detesto admitir – declarou Ema –, mas Colherada tem razão.

– Obrigado. Sabe, não sou apenas um colírio para os olhos das mulheres.

– Precisamos tomar um cuidado extra – afirmei.

– Alguém teve notícias de Rachel desde que entramos naquele hospital? – perguntou Colherada.

Então ali estávamos nós. Eu podia mentir para eles ou trair a confiança de Rachel. Tentei um meio-termo.

– Eu tive – respondi, e por sorte o sinal tocou. – Mas por enquanto não posso contar mais nada.

– Como assim? – perguntou Ema.

– É – concordou Colherada. – Não estamos nisso juntos?

– Apenas... apenas confiem em mim. – Lembrei-me da minha programação: visita a Rachel, testes de basquete. Hum. Os dois ainda estavam olhando para mim, esperando saber mais. – Que tal nos encontrarmos depois dos testes? Então acho que poderei lhes contar mais.