Uma Questão de Segundos

Harlan Coben · Capítulo 41 de 53

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Uma Questão de Segundos

capítulo 41

COLHERADA TINHA RAZÃO.

Fui empurrado para fora do quarto. O Sr. e a Sra. Spindel estavam no corredor. Eles passaram às pressas por mim e entraram no quarto. Demorou alguns minutos, mas Colherada voltou a ficar estável de novo. Pensei ter ouvido uma das enfermeiras dizer algo sobre as pernas dele não se moverem, mas de imediato afastei esse pensamento. Não podia lidar com isso. Não agora.

Quando voltei para a sala de espera, puxei Ema pelo braço. Nós encontramos um canto quieto longe da televisão.

– O que aconteceu? – perguntou Ema. – Ele está bem?

Expliquei rapidamente o que Colherada dissera.

– Não sei, talvez estivessem apenas lhe pregando uma peça – arriscou Ema.

Franzi a testa.

– Uma peça?

– Brincando.

– “Aquela é a casa dos Caldwells?” – imitei Scarface. – Isso parece uma brincadeira?

– Não sei. Talvez estivesse escuro quando eles foram lá pela primeira vez.

– E daí?

– Talvez não soubessem ao certo qual era a casa de dia.

Franzi ainda mais a testa.

– Improvável, não é? – perguntou ela.

– Muito – respondi. – Há um portão lá. Se você tivesse conseguido entrar antes e atirar em duas pessoas, não acha que se lembraria de onde era a casa?

Ema assentiu devagar, agora entendendo.

– Além disso, por que atirariam nelas? Em tese, esses dois caras queriam recuperar a sacola de ginástica. Sei lá, eles não tentariam arrancar a informação das duas? Do que adiantaria apenas atirar?

– Exatamente. E se você entrasse lá para recuperar o pacote, não reviraria o lugar? Eles queriam o dinheiro e as drogas de volta. Por que não procurar o pacote? Por que apenas atirar nas duas pessoas que podiam dizer onde estava?

A conclusão da polícia já não fazia sentido.

– E tem mais – continuei.

– O quê?

– Por que o Sr. Caldwell estava todo amigável com eles quando os vi na casa? Quero dizer, o Sr. Caldwell sabia que eles haviam acabado de atirar na ex-esposa e na filha dele, certo?

– Certo. – Ela balançou a cabeça. – Temos que considerar outra possibilidade.

– Qual?

– Vamos recapitular? O pai de Rachel é um traficante de drogas. Ele quis manter a ex-esposa trancafiada durante anos para se proteger. Agora ela está de volta. Rachel dá à mãe o benefício da dúvida e rouba o dinheiro e as drogas do pai.

Ema parou de falar. A verdade estava bem ali na nossa cara, mas nenhum de nós queria dizê-la.

– Ele não atiraria na própria filha – afirmei.

– Tem certeza?

– Não consigo acreditar nisso.

– O homem sacou uma arma para você.

– Para protegê-la. Porque estava preocupado com ela.

Ponderamos sobre isso por um tempo.

– Pode ter sido um acidente – arriscou Ema.

– Como assim?

– Pense em todo o cenário. O pai de Rachel descobre que o dinheiro e as drogas dele sumiram. Volta para casa e, para seu espanto, a ex-esposa está lá. Eles discutem. Ele saca uma arma. Talvez haja uma briga. Rachel os surpreende. Ele pode ter atirado em Rachel acidentalmente.

Aquilo fazia sentido. Ainda assim...

– Tem mais uma coisa – falei.

– O quê?

– Qual é a do chefe Taylor? Por que ele tem se encontrado com Henry Caldwell? Por que fica se preocupando com o que Rachel dirá sobre os tiros? É apenas uma coincidência ele ter sido o primeiro a chegar à cena do crime?

– Espere – pediu Ema, erguendo as mãos para que eu parasse. – Sei que temos problemas com ele e Troy, mas você está sugerindo...?

– Não sei bem. Mas Colherada tem razão. Precisamos sair daqui. Estaremos em perigo enquanto não descobrirmos quem atirou em Rachel.