A Revelação de Rama

Arthur C. Clarke e Gentry Lee · Capítulo 22 de 56

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A Revelação de Rama

Capítulo 8

Archie sabia fazer todo tipo de truques com as bolas coloridas. Pegava duas bolas de repente e jogava-as em direções diferentes; jogava com seis bolas simultaneamente usando quatro dos seus tentáculos, pois só precisava dos outros quatro no chão para manter o equilíbrio. As crianças adoravam quando Archie rodava as três ao mesmo tempo no ar, e ele parecia nunca se cansar de brincar com elas.

No início é claro que as crianças tiveram medo do seu visitante alienígena. Embora Ellie garantisse que Archie era amigo, a pequena Nikki ficava muito preocupada, pois lembrava-se do terror que havia sido o seqüestro da mãe. Benjy foi o primeiro a aceitar Archie como companheiro de brincadeiras. Os gêmeos Watanabe ainda não tinham coordenação suficiente para brincadeiras complicadas, e Benjy ficou feliz quando percebeu que Archie gostaria de brincar com ele de pegar ou de outros jogos de bola.

Max e Robert ficaram perturbados com a presença de Archie. Aliás, uma hora depois da chegada dos quatro humanos e da octoaranha, Max foi ver Richard e Nicole no quarto deles.

— Eponine me disse — falou ele com raiva — que essa maldita octoaranha vai viver aqui conosco. Vocês todos ficaram malucos?

— Pense em Archie como um embaixador, Max — explicou Nicole. — As octos querem estabelecer uma comunicação regular conosco.

— Mas foram essas mesmas octoaranhas que seqüestraram sua filha e a minha namorada, e as detiveram contra sua vontade por mais de um mês... E você está me dizendo que devemos ignorar tudo isso que elas fizeram?

— Houve sobejas razões para esses seqüestros — replicou Nicole, olhando ligeiramente para Richard. — E as mulheres foram bem tratadas... Por que você não conversa com Eponine sobre isso?

— Eponine só faz elogiar as octoaranhas — falou Max. — É como se tivesse sofrido uma lavagem cerebral... Pensei que vocês dois seriam mais razoáveis.

Mesmo depois que Eponine contou a Max que as octoaranhas a tinham curado do RV-41, ele continuou cético.

— Se isso for verdade — disse ele —, é a melhor notícia que recebo desde que aqueles robôs apareceram na fazenda e confirmaram que Nicole tinha chegado sã e salva a Nova York. Mas tenho muita dificuldade em aceitar esses monstros de oito patas como nossos benfeitores. Quero que o doutor Turner examine você com cuidado. Se ele disser que você está curada, então eu acredito.

Robert Turner foi abertamente hostil a Archie desde o começo. Nada que Nicole ou até mesmo Ellie dissessem podia neutralizar a raiva que ele sentia desde o seqüestro de Ellie. Seu orgulho profissional também foi gravemente atingido com a aparente facilidade com que Eponine havia sido curada.

— Você espera demais, como sempre, Ellie — disse Robert na segunda noite que passaram juntos. — Você chega, com notícias maravilhosas sobre esses alienígenas que a afastaram de Nikki e de mim, e espera que a gente os abrace imediatamente. Isso não é justo. Preciso de tempo para compreender e digerir tudo o que está me contando... Você não percebe que Nikki e eu ficamos traumatizados com o seu seqüestro? Temos cicatrizes emocionais profundas causadas por essas mesmas criaturas que você agora quer que eu veja como amigas... Não posso mudar de opinião da noite para o dia.

Robert também ficou perturbado com a informação de Ellie sobre as mudanças genéticas no esperma de Richard, embora isso explicasse por que o genoma de sua mulher não se encaixava na classificação dos testes que seu colega Ed Stafford fizera no Novo Éden.

— Como pode ficar tão calma sabendo que é híbrida? — perguntou a Ellie. — Você não compreende o que isso significa? Quando as octoaranhas alteraram o seu DNA para melhorar sua resolução visual e fazer com que você aprendesse a língua delas mais depressa, elas adulteraram um forte código genético que veio evoluindo naturalmente ao longo de milhões de anos. Quem sabe que doenças, suscetibilidades, enfermidades ou até mesmo mudanças negativas de fertilidade poderão aparecer em você ou nas gerações subseqüentes? As octos podem inconscientemente ter condenado todos os nossos netos.

Ellie não conseguiu apaziguar seu marido. Quando Nicole começou a trabalhar com Robert para pesquisar se Eponine estava na verdade curada do RV-41, notou que Robert se irritava toda vez que ela fazia um elogio a Archie ou às octoaranhas.

— Precisamos dar mais tempo a Robert — disse Nicole para a filha uma semana depois que voltaram. — Ele ainda acha que foi violado pelas octos, não só porque seqüestraram você, mas também porque contaminaram os genes da sua filha.

— Mamãe, há também outro problema... Sinto que Robert tem um ciúme muito especial. Ele acha que passo muito tempo com Archie... E não aceita que Archie só possa se comunicar com alguém através de mim.

— Como eu disse, precisamos ser pacientes. Com o tempo, Robert vai aceitar a situação.

Mas pessoalmente Nicole tinha suas dúvidas. Robert estava determinado a encontrar algum resquício do vírus RV-41 em Eponine; quando os testes feitos com seu equipamento portátil, relativamente sem sofisticação, não mostraram qualquer patogenia no sistema dela, continuou a apelar para outros procedimentos. Como profissional, Nicole era de opinião de que não havia necessidade de mais testes. Embora houvesse uma remota probabilidade de que o vírus os tivesse iludido e continuasse em algum lugar dentro de Eponine, Nicole achava que era praticamente certo que ela estivesse curada.

Os dois médicos entraram em conflito um dia depois de Ellie ter confidenciado à mãe que Robert estava com ciúmes de Archie. Quando Nicole sugeriu que parassem de fazer testes em Eponine e a considerassem curada, ficou chocada ao ouvir o genro dizer que pretendia abrir a cavidade torácica de Eponine para fazer uma biópsia dos tecidos que circundavam seu coração.

— Mas Robert — disse Nicole —, você já teve algum caso em que os testes não tivessem apresentado vírus, mas que ainda houvesse patogenia ativa na região cardíaca?

— Só com morte iminente, e com o coração deteriorado — admitiu Robert. — Mas isso não impede que a mesma situação possa ocorrer mais cedo no ciclo da doença.

Nicole ficou pasma. Não discutiu com Robert, pois sabia, pela rigidez de seus músculos, que ele já havia decidido o que fazer em seguida. Mas uma cirurgia extracorpórea é sempre um risco, mesmo realizada por mãos hábeis, pensou Nicole. Neste ambiente, qualquer tipo de acidente poderia ser fatal. Por favor, Robert, seja razoável. Caso contrário, serei forçada a ficar contra você em favor de Eponine.

 

Max pediu para falar com Nicole em particular logo depois que Robert recomendou a cirurgia cardíaca.

— Eponine está assustada — contou Max —, e eu também... Ela voltou da Cidade de Esmeralda mais cheia de vida do que nunca. Robert primeiro me disse que os testes terminariam em uns dois dias... Eles já duram quase duas semanas, e agora ele vem com essa de fazer uma biópsia do tecido do coração dela...

— Eu sei — disse Nicole com ar sombrio. — Ele me falou na noite passada que ia recomendar uma cirurgia extracorpórea.

— Por favor, me ajude — disse Max. — Quero ter certeza de que compreendi os fatos direito. Você e Robert examinaram o sangue de Eponine várias vezes, e também vários tecidos do seu corpo que às vezes mostram quantidades mínimas de vírus, e todos os espécimes foram negativos, sem sombra de dúvida.

— Isso mesmo, Max — falou Nicole.

— E não é verdade que quando Eponine era examinada, desde que contraiu o RV-41 anos atrás, seus exames de sangue indicavam a presença do vírus?

— É — respondeu Nicole.

— Então por que Robert quer operar Eponine? Será que não quer acreditar que ela está curada? Ou está sendo excessivamente cuidadoso?

— Não posso responder por ele.

Nicole olhou para o amigo e os dois perceberam qual seria a próxima pergunta dele e como ela a responderia. Há decisões difíceis de serem tomadas na vida, pensou ela. Quando eu era mais moça, tentava conscientemente evitar me colocar numa posição em que fosse forçada a tomar decisões assim. Agora compreendo que, se elas forem evitadas, alguém terá de decidir por mim. E às vezes a decisão é errada.

— Se você fosse a médica encarregada do caso, Nicole — perguntou Max — operaria Eponine?

— Não — respondeu ela com cuidado. — Acredito que é quase certo que Eponine tenha sido curada pelas octoaranhas e que o risco de uma cirurgia não se justifica.

Max sorriu e beijou a amiga na testa.

— Obrigado — disse.

 

Robert ficou ofendidíssimo. Lembrou a todos que passara mais de quatro anos de sua vida estudando essa doença específica e tentando encontrar uma cura para ela, e que sabia muito mais sobre o RV-41 do que todos eles juntos. Como podiam ter mais fé numa cura alienígena do que na sua habilidade cirúrgica? Como sua própria sogra, cujo conhecimento do RV-41 limitava-se ao que ele lhe ensinara, tivera a coragem de emitir uma opinião diferente? Robert não tinha o apoio de ninguém do grupo, nem mesmo de Ellie, de quem acabou se afastando depois de várias discussões desagradáveis.

Durante dois dias, Robert recusou-se a sair do seu quarto. Não respondia nem mesmo à filha Nikki quando ela lhe desejava boa noite. Sua família e seus amigos ficaram profundamente preocupados com o tormento de Robert, mas não sabiam como poderiam confortá-lo. A questão da estabilidade emocional de Robert foi abordada em várias discussões. Todos concordaram que ele parecia deslocado desde que fugira do Novo Éden, e que seu comportamento havia se tornado cada vez mais imprevisível depois do seqüestro de Ellie.

Ellie contou à sua mãe que Robert tinha agido de forma "estranha" desde que ela voltara.

— Ele não me procurou como mulher nenhuma vez — disse, com voz triste. — Como se achasse que eu estava contaminada com a minha experiência... Ele fica dizendo coisas como: "Ellie, você queria ser seqüestrada?"

— Tenho pena de Robert — falou Nicole. — Ele tem uma carga emocional muito grande, que vem desde do tempo do Texas. E isso tudo foi demais para ele. Nós devíamos ter...

— Mas o que a gente pode fazer por ele agora? — perguntou Ellie.

— Eu não sei, querida. Não sei mesmo.

Ellie tentou superar aqueles tempos difíceis ajudando Benjy a aprender a língua das octoaranhas. Seu meio-irmão era absolutamente fascinado com tudo o que dizia respeito aos alienígenas, inclusive com a pintura hexagonal trazida da Cidade de Esmeralda. Benjy olhava para o quadro várias vezes por dia, e nunca perdia uma chance de fazer perguntas sobre as espantosas criaturas retratadas no quadro. Através de Ellie, Archie respondia pacientemente a todas as perguntas dele.

Benjy tinha decidido, logo depois que começou a brincar regularmente com Archie, que queria aprender a reconhecer pelo menos algumas frases do vocabulário das octoaranhas. Observou que Archie sabia fazer leitura labial, e queria mostrar-lhe que até mesmo um "humano retardado", se adequadamente motivado, podia aprender um pouco da língua alienígena para manter uma conversação simples.

Ellie e Archie começaram a ensinar o fundamental para Benjy. Ele aprendeu as cores das octoaranhas para "sim" e "não", "obrigado" e "por favor" sem dificuldade alguma. Os números também foram muito fáceis, pois tanto os cardinais quanto os ordinais eram essencialmente uma combinação de seqüências de duas cores básicas, vermelho vivo e verde-malaquita, usadas de forma binaria e assinaladas na seqüência da frase por uma esclarecedora cor de salmão. O que deu mais trabalho a Benjy foi compreender que as cores individuais em si não significavam nada. Uma faixa castanho-avermelhada, por exemplo, representava o verbo "compreender" caso fosse seguida de uma faixa malva e um esclarecedor; porém, se a combinação castanho/malva fosse seguida de um vermelhão, a palavra de três faixas significava "planta em flor".

As cores individuais também não faziam parte do alfabeto, em estrito senso. Às vezes, a largura das cores, quando comparada com outras na seqüência mais longa que definia uma única palavra, mudava o sentido completamente. A combinação castanho/malva só significava "compreender" se as duas faixas de cor fossem aproximadamente da mesma largura. A palavra definida por um castanho-siena estreito seguido de um malva com o dobro da largura significava "capacidade".

Benjy lutou com a língua, fazendo todas as repetições que lhe exigiam com extrema aplicação. Sua ânsia para aprender serviu de consolo para Ellie, que estava muito amargurada, sem saber como solucionar sua crise com Robert.

 

No início do terceiro dia do auto-exílio de Robert no seu quarto, o trem do metrô chegou, como sempre, com seu suprimento de meia semana de comida e água. Só que dessa vez chegaram também duas octoaranhas, que desembarcaram e foram conversar com Archie. A família reuniu-se, esperando ouvir alguma notícia incomum.

— As tropas humanas estão de novo em Nova York — contou Archie — e estão se preparando para quebrar a tranca da toca de vocês. Dentro de pouco tempo, eles descobrirão os túneis do metrô.

— Então, o que devemos fazer? — perguntou Nicole.

— Nós gostaríamos que vocês viessem viver conosco na Cidade de Esmeralda — disse Archie. — Minhas colegas previram essa possibilidade e já terminaram o projeto de uma parte especial da cidade só para vocês, que pode ficar pronta em poucos dias.

— E se não quisermos ir? — perguntou Max.

Archie conversou rapidamente com as duas outras octoaranhas.

— Então podem ficar aqui esperando as tropas. Nós mandaremos o máximo de comida que pudermos, mas vamos começar a desmontar o metrô assim que tivermos evacuado todas as nossas associadas na parte norte do mar Cilíndrico.

Archie continuou a falar, mas Ellie parou de traduzir. Pediu que as frases seguintes fossem repetidas várias vezes, e enfim virou-se para sua família e seus amigos, muito pálida.

— Infelizmente — traduziu ela —, as octoaranhas têm de se preocupar com o seu bem-estar. Portanto, se algum de vocês decidir não vir conosco, terá sua memória a curto prazo bloqueada, e não poderá lembrar-se com detalhes de nenhum acontecimento ocorrido nas últimas semanas.

Max deu um assobio.

— Isso é que é comunicação e amizade! — disse ele. — Na hora do aperto, todas as espécies funcionam do mesmo jeito.

Ele andou até Eponine e segurou sua mão. Eponine olhou-o intrigada quando Max a empurrou para junto de Nicole e perguntou:

— Você pode nos casar? Nicole ficou aturdida.

— Neste instante? — perguntou ela.

— Neste exato instante — respondeu Max. — Eu amo esta mulher que está ao meu lado e quero ter com ela uma fantástica lua-de-mel lá no iglu antes que as coisas por aqui virem um inferno.

— Mas eu não tenho qualificação para... — protestou Nicole.

— Você é a mais qualificada para isso aqui — interrompeu Max. — Vamos, pelo menos faça uma coisa o mais aproximada possível. — A noiva estava muda e sorridente.

— Você, Max Puckett, aceita esta mulher, Eponine — disse Nicole hesitante — como sua legítima esposa?

— Aceito, e já deveria ter feito isso há meses — respondeu Max.

— E você, Eponine, aceita este homem, Max Puckett, como seu legítimo esposo?

— Aceito, Nicole, com muito prazer.

Max puxou Eponine e beijou-a apaixonadamente.

— Agora, Ar-chi-bald — disse, enquanto ele e Eponine dirigiam-se para a escada —, caso lhe interesse saber, a francesinha e eu pretendemos ir com você para a Cidade de Esmeralda da qual ela tanto fala. Mas não estaremos por aqui nas próximas vinte e quatro horas ou talvez mais um pouco, dependendo da energia de Eponine, e não queremos ser perturbados.

Max e Eponine foram depressa para a escada cilíndrica e desapareceram. Ellie quase terminara de explicar a Archie o que estava se passando quando os recém-casados acenaram do patamar no alto da escada. E todos riram quando Max puxou Eponine para trás na direção do corredor.

 

Ellie sentou-se sozinha ao lado da parede, na luz sombria. É agora ou nunca, pensou. Preciso tentar mais uma vez.

Lembrou-se da cena ocorrida algumas horas antes.

— É claro que você quer ir com seu amigo, a octoaranha Archie — disse Robert com ironia. — E está pensando em levar Nikki com você.

— Todos vão aceitar o convite — explicou Ellie, sem tentar esconder as lágrimas. — Por favor, venha conosco, Robert. Elas são uma espécie gentil, com muito senso moral.

— Elas fizeram lavagem cerebral em vocês todos. De alguma forma levaram vocês a crer que elas são melhores do que sua própria espécie — disse Robert, olhando para Ellie com certa repugnância. — Sua própria espécie! Isso é uma piada. Pois acho que você é tão octoaranha quanto humana.

— Isso não é verdade, querido — disse Ellie. — Eu já disse várias vezes que elas só fizeram pequenas mudanças em mim... Sou tão humana quanto vocês...

— Por quê, por quê, por quê? — gritou Robert de repente. — Por que me deixei convencer a vir para Nova York? Devia ter ficado lá, onde estava cercado de coisas que eu compreendia...

Apesar das suas súplicas, Robert foi inflexível. Ele não iria para a Cidade de Esmeralda. E parecia até mesmo estar contente por sua memória recente ser bloqueada pelas octoaranhas.

— Talvez — disse ele rindo com amargura — eu não guarde lembrança alguma da sua volta. Assim não vou me lembrar que minha mulher e filha são híbridas, e que meus amigos íntimos não têm respeito pela minha capacidade profissional... É, vou poder me esquecer deste pesadelo das últimas semanas; vou me lembrar apenas de que foi roubada de mim, como a minha primeira mulher, quando eu ainda amava você desesperadamente.

Robert andava em volta da sala com um ar de fúria, e Ellie tentava acalmá-lo e confortá-lo.

— Não, não! — gritou ele, evitando o carinho da esposa. — Agora é tarde demais. Estou sofrendo muito. Não agüento mais.

No final da tarde, Ellie foi pedir conselhos à sua mãe, mas Nicole não conseguiu dar nenhum alívio à filha. Disse que Ellie não devia desistir, mas lembrou à filha que nada no comportamento de Robert indicava que ele tivesse mudado de opinião.

Por sugestão de Nicole, Ellie aproximou-se de Archie e pediu-lhe um favor. Se Robert insistisse em não partir com eles, será que Archie ou uma das outras octoaranhas poderia levar Robert de volta para a toca deles, onde seria encontrado depressa pelos outros humanos? Archie respondeu hesitante que sim.

Eu te amo, Robert, disse Ellie a si mesma, quando finalmente desistiu. E Nikki também te ama. Nós queremos que você vá conosco, pois você é meu marido e pai dela. Ellie respirou fundo e entrou no seu quarto.

 

Até mesmo Richard ficou com lágrimas nos olhos quando Robert Turner, depois de dar um último abraço na esposa e na filha, foi andando com passos hesitantes atrás de Archie até o metrô, a vinte metros de distância. Nikki chorava baixinho, mas não percebia bem o que estava acontecendo. Ela ainda era muito pequena.

Robert virou-se, deu um rápido adeus e entrou no trem. Em poucos segundos o trem enfiou-se pelo túnel, e, menos de um minuto depois, o grupo sombrio animou-se com os gritos de alegria ouvidos do patamar da escada.

— Olá, pessoal — gritou Max —, é melhor vocês se prepararem para uma grande festa.

Nicole olhou para cima, por baixo da cúpula, e mesmo a distância, na luz mortiça, viu os sorrisos radiantes dos recém-casados. É isso aí, pensou ela, ainda com o coração doído pela perda sofrida pela filha. Tristeza e alegria. Alegria e tristeza. Por onde haja seres humanos. Na Terra. Em novos mundos além das estrelas. Agora e para sempre.