Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 11 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 11

 

VERÔNICA

 

O PAI PASSA de volta para o quarto e me dá um beijinho de boa noite, como costumava fazer quando eu era menina. Digo boa noite de volta. Logo sinto o delicioso aroma do café vindo lá da cozinha e deixo todos os maus pensamentos de lado, exceto o bonitão da Luxus e o quanto ele tem sido gentil e atencioso comigo nos últimos dias. O mais importante é: ele não parece ter segundas intenções, afinal de contas, poderia ter se aproveitado da situação e me agarrado no carro ou algo do tipo.

Fico pensando no momento em que estivemos juntos e que não hesitou em me trazer em casa, mesmo imaginando que uma garota como eu provavelmente moraria em algum lugar da Zona Norte ou Zona Oeste. Por falar nisso, espero que tenha voltado para o hotel em segurança. Um carro como aquele é, sem dúvidas, muito visado na rua.

Pego o meu celular e aliso a tela do visor, mordendo meu lábio inferior e pensando se devo ou não mandar uma mensagem para ele, ainda que seja só para dizer: espero que tenha chegado bem. Acabo me decidindo em escrever e enviar.

A mãe volta da cozinha, trazendo dois copos de café e me ajeito no sofá, me sentindo um pouco mais relaxada. Foi só chegar em casa, ver o meu pai bem e a minha mãe tranquila que tudo muda. Eles são tudo pra mim. Mas tenho que admitir que pensar em Jonas também me deixou melhor.

— Aqui está, filha — a mãe diz, me entregando um copo.

Pego o copo de café recém passado e imediatamente o levo à boca.

— Está uma delícia, como sempre.

— Obrigada. Nada melhor que um cafezinho fresco numa noite como essa — se senta ao meu lado e sorri — Mas me diga uma coisa, Cidão ficou chateado por ver você com outro rapaz? Você comentou no celular que um amigo estava te trazendo pra casa. É alguém do trabalho?

— Na verdade, não — repouso o copo na mesinha de centro — Ele é um hóspede do hotel.

A mãe franze um pouco a testa antes de dar o primeiro gole no seu café.

— Mas eu pensei que o hotel fosse de luxo e frequentado apenas por pessoas de grandes posses.

— E é. Mas o Jonas... bom, ele é generoso, atencioso, gentil...

Seus lábios se esticam em um sorrisinho.

— O que foi, mãe? — pergunto, toda sem graça, diminuindo meu sorriso, imaginando que eu tenha sido muito exagerada na forma de falar sobre o Jonas.

— Nada, querida — diz — é que o seu rosto se iluminou todinho quando você estava falando desse rapaz.

— Bom — bebo mais um gole do café, tentando disfarçar o meu desconforto. Eu não devia estar empolgada com outro homem, mas é mais forte que eu — admito que ele é bonito, sedutor e maravilhoso, mas já tenho alguém. E mesmo que não tivesse, duvido que eu teria alguma chance. Quero dizer, ele é um cara muito conhecido no meio dos negócios. Há milhares de mulheres bonitas o cercando. A verdade é que sou apenas a camareira, mãe.

Ela desfaz o sorriso e vejo o quanto ficou triste por mim.

— Não pense assim, filha — pega minhas mãos e as coloca entre as dela — Você é mais que uma camareira, filha. Você é muito especial. Qualquer homem que valha a pena verá isso e nunca duvidará. Hum, você sabe como foi que descobri que o seu pai me amava?

— Aposto que ele fez o pedido de casamento, mas você não aceitou na primeira nem na segunda — sorrio.

— Eu tinha muito medo de me arrepender. Éramos muito jovens e inexperientes. Além do mais ele tinha o sonho de ser jogador de futebol.

Damos risadinhas e a mãe leva a mão à boca para se conter porque já é bem tarde e o pai e a Vanessa estão dormindo.

— Então um dia ele me falou que se eu aceitasse casar, ele esqueceria o futebol e a fortuna que um jogador poderia ter, que tudo o que importava era eu.

— Oh, que lindo... aí você disse sim?

— Não, só na quinta vez.

Damos outras risadinhas. Depois de rirmos bastante e de terminarmos o café, me encara e decreta:

— Ainda vai aparecer um homem maravilhoso que vai fazer seus olhos brilharem como brilhou minutos atrás. E esse homem não é o Cidão, Verônica, e você já sabe.

Não digo nada, mas já não rio mais porque sei que ela tem razão.

— Eu quero o melhor pra você, querida. E isso não tem nada a ver com dinheiro e posses. Só quero que tenha um rapaz que cuide de você, que te respeite, te ame, te dê o valor que merece e que te faça feliz.

— Obrigada, mãe.

— Vá deitar agora. Você precisa descansar.

Dou-lhe um beijo no rosto, depois me levanto do sofá e caminho para o quarto enquanto penso em tudo o que me falou. Empurro a porta e mesmo não acendendo a luz, noto que Vanessa está adormecida em sua cama ao lado da minha. Tiro as sandálias dos pés e me deito. De repente o visor do meu celular ilumina e vejo que há uma mensagem recém chegada.

Estou bem. Eu faria tudo de novo. Jonas.

Meu coração acelera e se enche de algo que não sei explicar o que é.

JONAS

 

VOLTO PARA A COBERTURA e encontro tudo silencioso. A festa já acabou, os convidados já foram embora. Afundo no sofá, suspirando e pensando em tudo o que aconteceu e em como me esforcei para controlar o desejo de beijá-la e levá-la para a cama ainda esta noite. Com um esforço sobre-humano me contive e não forcei a barra. A garota precisava de meu conforto e não dos meus assédios. Depois de tudo o que passou essa noite eu seria um grande cafajeste se a assediasse. E acabaria com todas as minhas chances. Mas não quero isso.

De repente alguém surge atrás de mim e pelos passos, sei que é uma mulher. Não preciso me virar para saber que é Julia.

— Oi, gato, por onde andou? — se vira, entrando na minha frente, expondo sua boca bem vermelha.

Não respondo, mas gosto de vê-la quase nua, usando apenas uma camisola preta transparente, deixando seu corpo violão à mostra. Julia é aquele tipo que todo cara pega. Eu já peguei, meus amigos já pegaram e toda a torcida do Flamengo. A gente se conheceu anos atrás porque ela sempre trabalhou como secretária na Santinelli, a empresa do Luiz Miguel. Ela não é só a secretária dele. É também a amante do pai dele.

Quando a vi pela primeira vez, a desejei e Julia foi fácil. Mesmo estando com o Sr. Santinelli, se encontrava comigo esporadicamente. Nossas transas eram sempre selvagens e avassaladoras, no entanto, não é a mesma coisa agora. Não a culpo de nada. Sou eu que enjoo muito rápido das coisas. E das mulheres também. Não me contento com uma quando posso ter todas que quiser.

— Jonas? — me chama.

— E o velho? — provoco, a encarando.

— Ele não se importa, você sabe — sorri, satisfeita porque não neguei fogo — E quanto à Paula?

— Ela está em Miami — eu a puxo pela cintura e afundo meu rosto em seu pescoço branco de porcelana.

— Você é um verdadeiro safado, Jonas Malta — zomba entre risadinhas e gemidinhos.

— E você gosta quando sou safado — afasto meu rosto de sua pele e deslizo meu dedo por seu queixo. Julia sorri, logo se agacha em minha frente, sabendo o que quero, e abre o zíper do meu jeans. Em segundos meu pau está em sua boca vermelha suculenta.

— Eu preciso disso essa noite, baby... — sussurro, meus olhos fechados, adorando a sensação de sua boca quente engolindo meu pau. Seguro seu cabelo loiro com força, levando-a me chupar do jeito que gosto. Julia é muito boa nisso. Toma o meu membro e lambe como um picolé, toma a cabeça, a glande, depois volta a pô-lo todo na boca. Passo a empurrar com rapidez e força... ah, caralho, vou gozar. Vou lambuzá-la toda. Gozo bem forte em sua garganta. Julia geme. Seguro sua cabeça com firmeza para que não fuja. Julia engole tudo e sorri, satisfeita.

— Você é tão gostoso, Jonas...

— Eu sei disso, baby... — guardo minhas calças e fecho o zíper do jeans.

Julia acendeu o fogo em mim. Isso é bom porque preciso tirar outra mulher da minha cabeça. Nunca fiquei tanto tempo assim me concentrando em uma só presa quando posso ter todas, e isso me deixa um pouco irritado. Quero Verônica, mas não gosto da ideia de estar demorando para tê-la. Bato na bunda de Julia, incentivando-a a correr para o meu quarto. Vou atrás. Eu a encontro na minha cama, já livre da camisola e ficando de quatro. Julia é bem safada. Gosta de oral e de anal. Curte o que você quiser. Me livro da camisa e do jeans. Pego a camisinha, deito-me na cama atrás de Julia e ponho a camisinha no meu membro ereto. Seguro sua bunda, separando as bandas. Ponho a cabeça do meu pau no fundo de sua bunda. Ela geme e começa a rebolar na minha frente, falando coisas safadas. Vou entrando devagar, vou forçando passagem, enfiando lentamente, deslizando por sua bunda.

— Ah, que gostoso, Jonas... — sussurra enquanto rebola e pede por mais — Ai, vai... não pare... por favor...

Começa a gemer alto, suplicando por mais, choramingando por mais.

— Você é tão bom nisso...

— Sou bom em tudo, querida... empina mais esse rabo gostoso pra mim...

Julia faz o que mando. Geme mais alto. Enfio em sua bunda com mais vontade e força até finalmente gozar. Puxo seu cabelo com brutalidade. Beijo sua nuca macia. Em seguida tiro a camisinha cheia de esperma, me levanto da cama, vou ao banheiro, jogo tudo no vaso sanitário e dou descarga. Volto para o centro do quarto, ponho meu jeans.

— Jonas! — eu a ouço chamar quando já estou abrindo a porta para sair do quarto. Já estou saciado. Julia desce da cama, ainda nua, segurando suas roupas.

— Vou chamar um táxi pra você — aviso.

— É sério que vai me dispensar logo depois de me comer? Nossa, como é cretino. Aliás, todos vocês são cretinos. Não sobra um. Velho ou novo, todos iguais — sei que está se referindo aos meus amigos e também ao pai de Luiz Miguel, que a enrola num relacionamento de quase sete anos.

— Se sabe que não prestamos, por que ainda insiste, Julia? Você pode tomar as rédeas de suas escolhas. Acredite, você é mais que uma boa foda.

— Assim fala o homem que acabou de me foder — zomba, vestindo-se novamente.

Eu a ignoro. Se ela não se importa de ser a grande vagabunda, o problema não é meu. Deixo o quarto e vou para a sala. Caminho até a janela ampla da cobertura e fixo meus olhos na vista lá fora. A praia de Ipanema - linda e serena agora. Gosto de sentir a brisa em meu rosto. Julia já está na sala também, resmungando atrás de mim.

— Não gosto de quebrar seu coração, Julia, mas não sou esse príncipe encantado que vai salvá-la e levá-la para um castelo.

Sei que minhas palavras a machucam porque é justamente tudo o que deseja: um homem que vai lutar por ela e assumi-la, afinal todos os que encontra só querem usá-la e jogá-la fora.

— Sou mais um dos caras de quem você precisa ficar longe — me viro para ela, fitando-a — De todos, sou o pior. Não há salvação pra mim.

Julia fica me olhando, perplexa com tudo o que falei, seus lábios vermelhos e carnudos trêmulos, seus olhos azuis lacrimejando.

— Ei, Jonas, não fale isso — vem para cima de mim e joga seus braços em volta de meu pescoço — Não é possível que esse coração não se abra pra ninguém — pressiona os lábios carnudos e vermelhos em meu peito e fica mordiscando-me, até eu afastar seus braços gentilmente de meu pescoço e dizer:

— O táxi chegou. Vá.

Ela se afasta de mim como se eu tivesse lhe dado um tapa. Resmunga, magoada. Em fração de segundos pega as coisas e vai embora, batendo a porta. Sigo até o bar e encho um copo de uísque. Estou precisando disso. Subitamente Augusto aparece e começa a recolher as garrafas de bebida vazias e a arrumar a bagunça da festa.

— Não perca seu tempo com isso — resmungo a ele — Uma equipe de limpeza cuidará disso amanhã. Vá dormir — digo, mas sei que o homem é disciplinado demais e continuará arrumando o que puder.

— A festa foi boa, senhor?

— Mais ou menos — suspiro antes de levar mais um gole de uísque à boca — O desgraçado do Moreira quase estragou tudo, mas algo positivo saiu: levei a garota pra casa esta noite.

— A camareira? — me encara, surpreso e chocado. Provavelmente não esperava que eu levasse alguma mulher simples como aquela em casa. No máximo eu chamaria um táxi como fiz a pouco tempo com a Julia. Ou talvez esse olhar arregalado signifique que Augusto já esteja me vendo como alguém obcecado.

— Ela parece ser uma boa moça, senhor.

Penso em suas palavras. Penso em como foi estar com Verônica, em como foi bom me aproximar mais dela.

— Não quero que volte a procurá-la tão cedo — digo e Augusto me encara. Há em seus olhos um pouco de esperança de eu desistir de vez dessa história que para ele é bizarra e imoral — Calma, ainda não desisti dessa mulher. Não é o que pensa. Acontece que a garota já passou por um episódio traumático esta noite. Moreira tentou agarrá-la no meu quarto e se eu não tivesse chegado a tempo, não sei o que poderia ter acontecido.

— Santo Deus...

— Ela precisa de um tempo. Especialmente agora que está acostumada a me ver com bons olhos. Não quero me tornar um monstro de uma hora pra outra. Será que me entende?

— Sim, senhor.

— Ótimo. Está liberado agora. E pode tirar o dia de folga amanhã. Boa noite.

— Boa noite, senhor. E obrigado.

O homem gira o corpo e vai embora da minha cobertura. Repouso o copo na mesinha de centro, deito-me no sofá. Meus olhos estão no teto, mas minha mente está em Verônica. Vejo uma mensagem não lida em meu celular. Me surpreendo quando vejo que se trata dela.

Espero que tenha chegado bem.

Um sorrisinho se estica em meus lábios. Penso no que escrever de volta. Escrevo:

Estou bem. Teria feito tudo de novo.

Envio para ela. Queria poder escrever tantas outras coisas. Ou melhor, queria poder fodê-la agora mesmo.