Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 45 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 45

 

 

VERÔNICA

— OLHA SÓ VOCÊ de novo! — soa uma voz atrás de mim.

Viro-me imediatamente e dou de cara com Cássio.

— Oi — intrigada, o avalio.

Permanece com o sorriso no canto dos lábios, o olhar enigmático, mas, dessa vez, não sorrio de volta para ele. Apenas o observo. O rapaz deve ter percebido que estou mais séria agora, já que logo tenta se explicar:

— Desculpe, não estou seguindo você ou coisa do tipo. Deve estar me achando um chato, não é? Mas não quero perturbá-la. A bem da verdade é que o destino parece nos querer juntos, pelo menos, esta noite. Eu simplesmente saí pra resolver um problema no estacionamento e, quando voltei, avistei você.

— Tudo bem.

— Desculpe parecer um pouco indiscreto, mas é que estou começando a achar estranho ver uma mulher tão bonita como você passar todo o tempo da festa sozinha.

— Eu não estou sozinha — suspiro, dessa vez achando que Cássio está indo longe demais.

Não dei essa confiança toda a ele para falar esse tipo de coisa para mim. Mas a minha irritação pode também significar o quanto tem razão.

— Meu namorado é uma pessoa muito ocupada. Muito popular... por conta disso por onde passamos, sempre existe alguém querendo conversar com ele, e isso não me incomoda. De maneira alguma. E o fato de estar sozinha aqui não significa que eu esteja disponível.

— Entendo.

Seu olhar desce até meu pescoço e se mantém fixo nele. Só então lembro-me que ainda estou usando o colar de diamantes. Passo meus dedos sobre a joia.

— Vendo mais uma vez você com o Aurora, só posso supor que seu namorado seja realmente alguém muito importante.

Não respondo. Não consigo entender aonde quer chegar. Além do mais não gostei da forma como ficou olhando o colar. Sei que não é nenhum ladrão ou algum criminoso, mas não gosto da ideia de que pode estar me usando para atingir o Jonas.

— Acho melhor ir agora. Com licença...

— Espere — segura meu braço, me impedindo de ir. E por mais que me segure gentilmente, não gosto de saber que teve a ousadia de fazer isso.

Eu o fito, sinto meus olhos arregalados.

— Não precisa ir — diz — Não se for por minha causa. Desculpe se fui inconveniente, mas se estiver incomodada com a minha presença, eu mesmo posso sair...

Encaro seus olhos claros e por um momento tenho vontade de dizer que foi um erro encontrá-lo e mais ainda ter aceitado dançar momentos atrás com ele.

— O que diabos está acontecendo aqui? — uma voz masculina muito profunda soa atrás de nós dois, surpreendendo-nos e fazendo-nos olhar na direção do dono dela.

Jonas.

Está sério, o ar desconfiado, os olhos sobre as mãos de Cássio, que solta meu braço imediatamente, murmurando um pedido de desculpas.

Eu me afasto de Cássio e caminho para perto de Jonas.

— Cássio Fontana — ouço Jonas falar de um modo tão frio que é até impossível distinguir a intenção —, faz tempo que a gente não se esbarra por aí.

— Como vai, Jonas?

— O que acha? Não gostei de saber que estava assediando minha acompanhante. Isso não me deixa nenhum pouco feliz.

— Foi um mal-entendido. Não quis ser estúpido com ela. Verônica sabe que não tentei fazer nada que a ofendesse.

Jonas estreita os olhos e posso ver o quanto está sombrio. Divide o olhar entre nós dois.

— Ah, então já se conhecem?

— Nos conhecemos um dia desses no clube — respondo — E hoje nos reencontramos por acaso.

— Sei — Jonas afunda as mãos nos bolsos da calça preta e volta a fulminar Cássio com os olhos — Sabe qual é o problema, Fontana? Me incomoda ver homens como você agir desse modo grosseiro quando estão sozinhos com uma mulher. Elas não são objetos.

Cássio dá um sorrisinho cínico e meneia a cabeça.

— Não achei que ela tivesse dono, Jonas. E nem que fosse de ouro. Apesar de estar com este lindo diamante. No entanto isso é apenas uma joia. Você não concorda?

Jonas franze a testa e estreita os olhos azuis.

— Estamos falando do Aurora ou da minha namorada? Estou confuso.

Cássio não responde. Pisca. Por um momento parece sem resposta. Um silêncio paira sobre os dois. Toco o colar em meu pescoço, aliviada por ele ainda estar ali preso. Pouso minha mão gentilmente no ombro de Jonas e murmuro em seu ouvido:

— Já está tarde... vamos embora agora?

Jonas consulta a hora no relógio de ouro. Não me responde.

— Boa noite pra vocês. A gente se vê por aí — Cássio diz antes de girar o calcanhar e se afastar de nós.

Jonas permanece o observando ir embora. Sei que está puto da vida e já tenho certeza de que as diferenças dos dois, de fato, existe para ambos lados.

Em seguida Jonas concorda em ir embora também. Sigo em direção ao estacionamento e sei que está logo atrás de mim. Ele não diz mais nada sobre o episódio. Eu também não.

Quando chegamos ao local, há um universo de carros. Não faço ideia de qual seja o dele, embora saiba que é um preto lindo. Eu o observo ir em direção a um carro preto. Em seguida, aciona o controle remoto e destrava a porta.

Já dentro do automóvel, permanecemos em silêncio. Eu o observo de soslaio, mas Jonas continua concentrado na direção. Não fala sequer uma palavra sobre o acontecido.

— Tudo bem? — pergunto quando o silêncio entre nós começa a ficar constrangedor.

— Sim. Tudo ótimo.

Um novo silêncio.

— Vou viajar amanhã cedo. Irei pra São Paulo — anuncia de repente, sem tirar os olhos da estrada à nossa frente — Surgiu um compromisso. Adoraria poder levá-la comigo, mas infelizmente não vai ser possível. Serão infindáveis reuniões, almoços de negócio... esse tipo de coisa. Você provavelmente vai se divertir muito mais em casa.

— Bem, posso ir e fazer companhia a vo...

— Não é necessário — soa tão frio e seco, que começo a ficar preocupada.

Jonas passou a maior parte do tempo longe de mim na festa. Depois, quando me encontrou, me viu na companhia de Cássio. Agora está me tratando com frieza, mas antes de chegarmos à festa, era o cara mais apaixonado do mundo. O que aconteceu? O que mudou? Por que seu humor mudou de uma hora para outra? Por que está me evitando agora? Ele está com raiva de mim? Por que não quer que eu o acompanhe até São Paulo? Pisco, sentindo uma sensação estranha. Está claro que Jonas não quer a minha companhia na viagem. Não duvido nada que já tenha se cansado de mim. Lembro-me do que a mãe dele falou, dias atrás, quando descobriu que ele já havia rompido com a ex. Respiro fundo. Calma, Verônica, está tudo bem, não surte. Se ele não quiser você na viagem, tudo bem. Se entre vocês dois não der mais certo, tudo bem também. Você não vai se perder por esse homem, por mais gostoso e maravilhoso que ele seja!

— Tudo bem? — é ele que pergunta agora, me tirando dos devaneios.

— Sim.

— Certo. Pretendo voltar antes da sexta — comenta. — No sábado podemos ir ao cinema ou fazer algo diferente, se você quiser.

— Pode ser.

Após mais um longo silêncio, é a sua vez de me olhar rapidamente e me avaliar.

— Tudo bem mesmo? — quer saber.

— Está — forço um sorriso, mesmo achando que há algo estranho nessa história de viajar a São Paulo.

Talvez devesse perguntar a ele, mas pensando bem, não quero parecer desesperada. Nunca corri atrás de homem nenhum e não vai ser agora que começarei a fazer isso. Além do mais, se estamos juntos - e, sim, estamos, inclusive, ele me tratou como namorada quando falou com Cássio, então devo confiar nele.

Jonas está novamente olhando para a frente, concentrando na direção.

— Enquanto eu estiver fora, pode convidar alguém de sua família ou mesmo uma amiga para te fazer companhia. Podem aproveitar a piscina.

— Seria ótimo.

— Então faça isso.

Algum tempo mais tarde, quando chegamos ao casarão, já no nosso quarto, Jonas trata de se livrar logo do smoking preto e o larga em cima da poltrona. A primeira coisa que faço é tirar o colar com cuidado do meu pescoço e guardá-lo na caixa de veludo. Depois afundo na cama e começo a tirar os saltos. Com eles já fora dos meus pés, é a vez do vestido. Eu o tiro com cuidado.

Subitamente mãos fortes tocam minha cintura e lábios mornos se apoderam da pele dos meus ombros. Sorrio quando seu corpo duro cola no meu e suas mãos largam minha cintura para descerem até a minha bunda. As duas mãos de Jonas agora entram pelo meu vestido e erguem o tecido.

— Ah, porra... você é tão gostosa... — rosna em meu ouvido, me fazendo esquentar e estremecer na hora. — Quero você... agora.

Fecho os olhos, meu corpo já em chamas. Gemo quando me puxa para mais perto, fazendo nossos corpos grudarem. Suas mãos tocam minha calcinha.

Gemo baixinho com a sensação se sua barba pinicando meu queixo, depois meu pescoço, meu ombro.

Deito-me na cama e Jonas enfia o rosto entre minhas pernas abertas. Gemo mais alto quando começa a me tocar enquanto minhas mãos agarram seu cabelo macio e puxa seus fios com força, sentindo muito tesão. Ele fica um bom tempo assim, me chupando, me proporcionando momentos incríveis.

Seu corpo pesa sobre o meu e sinto sua boca tomando a minha, exigindo tudo, chupando a minha língua.

Após vários beijos intensos e selvagens, se afasta um pouco só para retirar a camisa social. Sento na cama e meus lábios vão até seu peito rígido e com pelos. Agarro-me a ele e mordisco cada pedaço de sua pele.

Jonas geme e rosna, segurando com força meu cabelo. Em seguida se livra do restante de sua roupa. E eu me livro do vestido amarelo de cetim. Depois da calcinha minúscula.

Jonas me pega e me carrega até a penteadeira. Afasta minhas pernas e se ajeita entre elas. Suas mãos me puxam mais para si e arqueio minha cabeça para trás, sentindo meu cabelo descer como uma cascata pelas minhas costas. Volto a gemer quando começa a me penetrar com força, com firmeza, com loucura, com paixão, com desespero. A gente fica assim, se amando, se tocando e se beijando, trocando palavras sujas e quentes. Ele diz que me quer, eu digo que o quero também. Nós dois ficamos assim até explodir juntos e depois cair na cama.