Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 33 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 33

 

 

JONAS

ESTOU SENTADO ATRÁS da enorme mesa, arremessando bolinhas de basquete numa cesta pregada à parede. Estou tentando me distrair com alguma coisa enquanto meus pensamentos insistem em remeter-se à Verônica.

Havia chegado em minha sala na Luxus dez minutos atrás. Antes disso havia duelado com Luiz Miguel em um jogo de tênis. Neste momento, acerto a última cesta e, então, abruptamente a porta se abre e a loira aparece na minha frente.

— Paula?

Para, sem dizer uma única palavra. Está com um vestido preto e óculos escuros estilo gatinho no rosto. Admiro seu par de belas pernas bem delineadas e cuidadas, então me ponho de pé. Eu a vejo se aproximar rapidamente em minha direção.

— Eu quero dizer que o perdoo... — murmura, já agarrando meu pescoço. — Eu o perdoo por tudo... pensei bastante e decidi que quero dar uma nova chance ao nosso amor...

Confuso, deixo-me abraçar por ela, lembrando de como é bom sentir sua pele macia outra vez. Bom, talvez seja o momento para relembrar os velhos tempos e não para raciocinar. Eu a beijo. Um beijo ardente, louco, de tirar o fôlego. Paula geme baixo quando apalpo sua bunda. Em seguida, cambaleamos até a mesa cheia de papéis. Afastando tudo rapidamente com uma das mãos, suspendo Paula e a pouso sobre o tampo de madeira grossa. Após mais beijos e carícias, levanto seu vestido, puxa sua calcinha, abro minhas calças e a penetro ali mesmo na minha mesa de escritório.

VERÔNICA

SUSPIRANDO, afundo no simples sofá da sala. Tento não pensar no Jonas, mas isso é praticamente impossível. Foram muitos momentos marcantes juntos. Por um segundo, observo os móveis simples de minha casa e me lembro do luxo e conforto com os quais vivi durante as últimas semanas ao lado de Jonas. É assustador o contraste. Por falar em assustador, levo um susto quando, de repente, meu celular vibra e olho o nome dele no visor. Meu ar fica suspenso por alguns segundos e então, respiro fundo. É ele, Jonas, do outro lado do telefone. Mordendo meu lábio inferior, penso no que fazer. Talvez seja melhor deixar tocar... não, você quer ouvir a voz dele outra vez, Verônica, não se engane. Quer vê-lo outra vez, sentir seu cheiro... sabe que quer...

Levo meu celular imediatamente ao ouvido.

— Alô? — digo.

A voz demora um pouco para soar do outro lado. Espero.

— Eu tenho pensando em você. — sua voz grave faz meu coração bater sem parar.

— Jonas? — me faço de desentendida, mas estou tremendo como uma adolescente apaixonada e estúpida.

— Você sabe que sou eu, doçura.

— Oi... Jonas.

Meu coração dispara, e apesar de ainda não ter me acostumado com a ideia de ser sua mera dama de companhia, no fundo, sei que os dias em que estive com ele foram alguns dos melhores da minha vida.

— Quero que jante comigo esta noite — diz, sem rodeios.

— Jantar?

— Estou muito a fim de você. Preciso de você... — afirma, a voz quente, aveludada.

Respiro fundo.

Certo. Estou sendo paga para isso. E, no fundo, bem lá no fundo, eu quero.

— Como quiser — tento controlar as minhas emoções, não deixá-lo notá-las — Irei ao seu encontro, Jonas.

Ele parece ficar satisfeito, do outro lado.

— Ótimo. Quero vê-la, sentir seu cheiro, sua pele, seus lábios carnudos, seu corpo macio... você me enlouquece, doçura...

Estou sem palavras. Fecho os olhos, imaginando sua voz rouca e aveludada falando desse jeito em meu ouvido enquanto sua mão poderosa me toca. Minha nossa, estou ficando louca por esse homem.

— Vou mandar o motorista pegá-la às sete.

Ele desliga.

***

Cerca de uma hora mais tarde, diante da entrada da mansão, fico encantada com o que contemplo. O jardim que dá acesso ao portão principal é imenso e bem projetado. Olho em redor e avisto árvores e plantas vistosas, que, sem dúvidas, são bem cuidadas. Enquanto caminho, percebo que estou sendo observada por alguém a metros de distância. Por um momento, me imagino como a Chapeuzinho Vermelho indo em direção à casa da Vovozinha, só que, na realidade, tenho a consciência de que estou seguindo ao encontro do Lobo Mau. Observo os lindos arbustos à minha frente e consigo avistar uma imensa piscina ao lado direito da casa. Quando chego mais perto, sinto o azul de seus olhos percorrerem meu corpo. Com as mãos afundadas nos bolsos do jeans escuro e o sorriso característico no canto da boca, Jonas está perfeito dentro de uma camiseta branca que valoriza seus músculos. Está vigoroso, está mais sedutor. Fitando-o, paro já bem próxima a ele na porta. Evito sorrir para não parecer ansiosa demais. Jonas, então, sai da porta e traz seus passos lentamente até onde estou, como um felino.

— Seja bem-vinda — sussurra ao pé do meu ouvido, enquanto sua grande mão me puxa pela cintura e me traz para ainda mais perto de seu peito — Senti saudades... — enterra o rosto no meu cabelo, aspirando o meu cheiro.

Viro o rosto enquanto Jonas beija meu pescoço aqui mesmo na frente da casa. Por um momento tento ficar indiferente, mas a verdade é que o cheiro e o toque desse homem são mais intensos do que posso suportar. É praticamente impossível me manter fria. Sentindo Jonas beijar meus lábios, entreabro a boca lentamente para ceder ao beijo.

— Venha — diz, finalmente me puxando pela mão. — Quero que conheça a casa.

Percorremos a imensa e ampla sala de estar. Ele me faz um sinal com os olhos, me indicando que devo me sentar. Agradeço, educada, e não posso deixar de reparar nos detalhes à minha frente. Seu confortável sofá é mil vezes mais macio que o da minha casa. As paredes impecáveis são de pedras, os móveis brilham. Pigarreio, um pouco desconfortável, e ajeito-me, enquanto Jonas dá alguns passos em direção a uma gigantesca estante de DVDs. Imagino que provavelmente nem tenha tido tempo de assistir a maioria.

— Que tal um filme antes do jantar? — sugere, a voz macia. — Gosta de aventura, ação ou um bom suspense?

Dou de ombros, tentando não parecer impressionada.

— Você tem cara de quem curte comédias românticas. — ele provoca — Não. Acho que estou enganado.

— Tanto faz — dou de ombros outra vez, desviando o olhar. — O que quiser ver, verei.

Pisca os olhos e para no mesmo instante, divertido. Lança alguns passos em minha direção. Agacha-se em minha frente e está tão perto, que sou capaz de sentir sua respiração e a fragrância amadeirada de seu pós-barba. Sinto raiva de mim mesma por desejá-lo tanto. Sei que não devia. Sei que ele é um homem cruel e implacável no que tange ao amor. Então, por que estou tão envolvida?

— Como assim "o que quiser ver, verei"? — questiona, o tom sexy. — Ah, não. Você não é assim — provoca, tocando a ponta do polegar em meu rosto.

Há uma pontada de deboche no seu comentário e por isso me sinto no dever de rebater à altura.

— Bom, estou aqui pra satisfazer suas vontades. Portanto, qual diferença faz qual filme prefiro?

— Eu não quero que só faça as minhas vontades — retruca. — Quero que seja a garota destemida que sempre é quando estamos juntos.

Eu o encaro, seus olhos azuis brilhando, me hipnotizando.

— Sabe que não precisa literalmente satisfazer todas as minhas vontades. Não precisa ser tão profissional a ponto de ficar desconfortável com uma simples brincadeira — expõe o magnífico sorriso no canto da boca. — Me conte uma coisa, nossa estada em Nova Iorque foi tão ruim assim? Acho que cuidei direitinho de você enquanto estivemos fora. Então, por que tanta resistência? Por que a gente não volta do ponto em que paramos?

Olho em seus olhos. Surpreendo-me ao constatar que são, na verdade, ainda mais claros do que aparentavam ser.

— Verônica?

— Sim? — sinto vontade de provocá-lo também. Então sorrio.

— O que você quer que eu fale? Que você não é tão maravilhoso o quanto imagina?

É a vez dele arquear as sobrancelhas, intrigado. E, então estampa no rosto um sorriso, dessa vez mais cínico.

Prossigo:

— Se eu disser que você foi maravilhoso, se sentirá melhor?

— Ah, certamente.

— Oh, mas e se eu disser o contrário? Se eu disser na sua cara que não passa de um canastrão sexual? O que você vai fazer?

Sorri, malicioso.

— Eu sei que não sou. — responde, rouco.

— Ah, não? E como pode ter tanta certeza assim?

Jonas permanece me examinando.

O maldito sorriso no canto da boca!

— Porque sei que não sou. E as mulheres também. Inclusive você.

Engulo em seco. Acho que ruborizo imediatamente, mas tento disfarçar.

— Você está enganado. Não o acho tão irresistível assim. As outras mulheres não sei. Mas eu não acho.

— Está mentindo — afirma, me encarando intensamente — Sabe que está.

Calo-me. Limito-me a fitá-lo.

— E sabe por que sei que está mentindo? — continua, o olhar cada vez mais intenso. — Porque vejo em seus olhos. Você gosta quando eu a toco. Seus olhos não mentem. E neste momento, estão me dizendo que está louca por um beijo meu.

Entreabro os lábios, pretendendo protestar, mas então seus lábios me calam. Ainda tento protestar, afasto seu peito, mas é em vão. Após o beijo, Jonas afasta-se para me observar outra vez, certamente para ver o efeito que seu beijo me causou. Sem pensar no que faço, levanto a mão, mas ele é rápido o suficiente para impedir que ela toque seu rosto.

— Eu não curto agressão física, doçura — sussurra, a voz quase inaudível. — Mas se quiser, podemos fazer algo selvagem na cama.

Tenho vontade de xingá-lo, mas antes que eu consiga abrir novamente a boca, sua língua quente domina a minha. Tento impedi-lo, mas enquanto me beija, nossos corpos se colam em uma perfeita sintonia. Uma onda de calor me toma e acabo relaxando em seus braços. Passo a beijá-lo com vontade, com urgência. Meus braços tomam vida própria e vão parar em seu pescoço duro. A gente fica assim se beijando por um tempo, até que Jonas começa a forçar o peso, me fazendo deitar no sofá. Sua mão sobe por dentro da minha saia justa, me roubando calafrios e gemidos.

Após afastar-se um pouco, Jonas se livra da camiseta e depois do próprio jeans. Aproveito para me livrar das minhas roupas também. Voluntariamente me abro para ele poder se ajeitar entre minhas coxas. Fecho os olhos enquanto me penetra com força, dureza e paixão.

Jonas sussurra em meu ouvido que quer ouvir meus gritos ecoarem pela sala. Eu me agarro às suas costas largas enquanto pulsa dentro de mim, me fazendo gemer mais alto. A gente perde o controle das coisas e a noção do tempo. A gente passa um bom tempo nessa paixão arrebatadora, louca, viciante. Está cada vez mais claro que sou sua droga e ele está viciado em mim. Finalmente após um ritmo frenético, parece que alcançamos juntos o clímax, suados e ofegantes. Beija minha testa antes de desabar ao meu lado.