Como uma Joia
Capítulo 44
VERÔNICA
DURANTE O EVENTO sinto alguns olhares de curiosidade em minha direção. Fico me perguntando se as pessoas já sabem que Jonas e a socialite terminaram e se agora querem saber o que sou exatamente dele. Se é que já sabem toda a história. Minutos antes, Jonas havia me dado um beijo no rosto e murmurado que conversaria um pouco com alguns sócios, mas que voltaria depois.
— Voltarei pra você depois. Não vou demorar.
Voltaria para mim.
— Ok — respondi, acreditando nele.
Já se passou uma hora e meia e até agora não voltou.
Agora estou me sentindo abandonada. E pior: nem posso ir embora. Ainda mais porque estou usando esse colar de diamantes no pescoço. Eu poderia muito bem ser assaltada ou coisa pior. Respiro fundo, tentando me distrair com algo. A festa não pode estar sendo tão ruim assim. Talvez seja uma boa ideia beber alguma coisa.
— Oi — uma voz masculina surge e me viro para ver quem é. Fico decepcionada porque não é o Jonas. — Lembra-se de mim? — o loiro pergunta.
Tenho certeza de que sim. Esse rosto, de fato, é familiar.
— É claro que me lembro... nos conhecemos outro dia no clube.
O rapaz estica mais os lábios, ficando ainda mais atraente. Forço um sorriso porque ele está sendo tão agradável e não quero parecer rude.
— Sim, isso mesmo — estica a mão para mim — Verônica, não é? Como vai? Como vê, não esqueci seu nome.
O comentário me surpreende, mas meu rosto esquenta e talvez tenha ficado avermelhado porque estou morrendo de vergonha. Esqueci o dele.
— Desculpe... estou morrendo de vergonha... acho que esqueci o seu.
— Não tem problema. Sou o Cássio.
— Isso. Cássio. Como vai?
— Confesso que muito melhor agora que a revi. Acho que comentei com você no nosso primeiro encontro que não curto muito ficar no meio de festas e pessoas.
— Disse sim.
— Então é isso. Mas venho porque frequentar esse meio faz bem.
— Para os negócios, imagino.
— É. E você? Certamente está acompanhada — seus olhos descem pelo meu pescoço — Ah, sim. Claro. Seria muita idiotice minha achar que uma mulher bonita como você estaria sozinha.
— Você é muito gentil.
Olho em volta, um pouco desconfortável com sua presença. Lembro-me de que Jonas pode voltar a qualquer momento e que talvez seria uma cena constrangedora se me encontrasse conversando com outro homem. Só que, pensando bem, talvez Jonas também esteja ocupado demais na companhia de outras pessoas.
— Que tal uma dança? — convida de repente.
Olho para alguns casais dançando na pista e tenho a certeza de que não há problema nenhum em dançar com alguém. Pego no braço que me oferece e o acompanho até à pista. Ao menos dançando não vou estar sozinha, ansiosa pela volta do Jonas. E também vai ajudar a fazer com que a hora passe mais rápido.
Estamos dançando uma música lenta. Em todo o tempo Cássio se mostra agradável e atencioso. A gente ri e fala sobre várias coisas enquanto nossos corpos deslizam pelo salão.
— Adoraria saber quem foi o cavalheiro que a encontrou primeiro. É, sem dúvida, um homem de sorte.
Me pergunto se Cássio está mesmo tentando dar em cima de mim. Na verdade, à essa altura da noite e depois das danças e conversas, tenho a plena certeza de que sim.
— Não subestime a minha capacidade de pensar — brinco. — Há inúmeras mulheres bonitas neste salão. E sei também que homens de negócios como você estão acostumados a mais de uma.
Cássio sorri, nem dizendo que sim, nem dizendo que não.
— Mas, de qualquer forma, precisa admitir que ambos, eu e o seu namorado, temos bom gosto.
— Eu não sei se ele é meu namorado — murmuro para mim mesma e em seguida me arrependo de ter falado isso.
Acontece que por mais que estejas bem e felizes, ainda não sei ao certo o que sou para o Jonas e o que ele é para mim. Agradeço em pensamento por Cássio não questionar o porquê de eu ter dito isso. O assunto não é levado à frente.
Aos poucos vou relaxando um pouco mais na companhia dele. Cássio é bonito, inteligente e possui senso de humor. Todavia não se compara a Jonas. Na verdade, não há quem se compare ao Jonas no quesito beleza, charme e sedução. Só de pensar nele, naquele corpo atlético maravilhoso e nas coisas incríveis que sabe fazer na cama, fico molhada, mesmo estando na companhia de outro homem.
Quando mais uma dança finalmente termina, Cássio leva minha mão até seus lábios, como um verdadeiro cavalheiro.
— Foi um prazer revê-la, Verônica, e obrigado pela dança — diz antes de se afastar de mim.
Também gostei da dança. Mas agora que acabou, olho em redor e me pergunto onde foi que Jonas se meteu que até agora não voltou para mim, como prometeu que faria.
JONAS
— AQUI ESTÁ VOCÊ — uma voz feminina surge do nada e não preciso me virar para saber que é Suzana.
Ouço seus passos de salto alto virem cada vez mais para perto de mim, contudo permaneço onde estou, tomando o meu Jack Daniel's.
— Olá, Jonas.
— Como vai, Suzana? — me limito a dizer, mas não é porque me importo como realmente esteja e sim porque sou educado. Na verdade, já vou dar um jeito de me afastar dela antes que faça uma nova cena lamentável.
— Espero que não esteja chateado comigo...
Afasto o copo dos meus lábios.
— E por que eu estaria?
— Por causa do nosso último encontro. A cena que fiz.
— São águas passadas. Não tem importância para mim.
Não responde. Sei o quanto essa mulher é apaixonada e obcecada. Sei que não importa como eu a trate. Bastaria chamá-la a hora que eu quisesse que ela viria correndo como um cachorrinho, abanando o rabo. Se eu ainda quisesse algo do marido, a levaria para a cama e lhe daria algumas migalhas de atenção. Mas não quero nada. Tudo o que poderia obter de Ralph, já obtive. Agora o nosso caso ficará sempre no passado.
— Por que me despreza? — sussurra, já perto de mim, já me tocando e me beijando — Ah, Jonas... me leve pra cama... só mais uma vez... por favor...
— Estamos em um lugar público, Suzana — falo baixo, a repreendendo, quase rosnando, afastando-me do alcance de suas mãos e de suas unhas. — Tente se controlar, ao menos uma vez.
Finalmente se dá conta do que está fazendo e se recompõe. Ajeita o cabelo. Agora está me encarando, os olhos arregalados, a expressão nervosa.
Dou mais um gole na minha bebida enquanto olho ao redor para me certificar de que ninguém nos viu juntos.
— Ralph me disse que vocês vão fazer uma sociedade — comenta de repente, tentando parecer mais sóbria. — Isso é verdade?
— Não sei, ainda estamos pensando. Por que quer saber?
— Seria ótimo se isso acontecesse, que assim poderíamos passar mais tempo juntos...
— Não viaja, porra — perco a paciência — Não temos mais nada e não tenho a pretensão de levá-la novamente pra cama. Se tudo isso é falta de sexo, pague um garoto de programa pra você.
Largo o copo da bebida em qualquer canto que encontro e sigo até à saída do cômodo.
— Jonas — me chama — Não vá. Por favor... vamos conversar — implora, a dignidade indo para o ralo.
Paro, já próximo à saída, e viro meu rosto para encará-la, tentando controlar todo o meu desprezo e a minha irritação.
— Tivemos bons momentos, Suzana, mas já acabou, como tudo nessa vida. Só restam as lembranças. E você precisa se contentar com elas.
Caminho para longe da minha ex-amante, para além do seu campo de visão, deixando-a sozinha e melancólica para trás.
Volto para o salão e procuro por Verônica. Foi um erro tê-la deixado sozinha esse tempo todo. Varro o lugar com meus olhos e não a avisto em canto nenhum. Caminho um pouco, olhando para todos os lados, e não a encontro. Verônica sumiu. Não está no mesmo lugar onde a deixei horas atrás. Sequer parece estar no interior do salão. Driblo algumas pessoas que chegam perto de mim e tentam ganhar a minha atenção com qualquer assunto sem importância. Chego até a área externa do local. Olho em cada parte. Nada. Onde, afinal, Verônica se meteu?